30/01/2026
MIGUELINA VECCHIO
Miguelina Paiva Vecchio nasceu em 29 de janeiro de 1963 e atravessou a história do trabalhismo como quem carrega mais do que bandeiras: carregou sentido. Partiu em 7 de julho de 2023, mas permaneceu como presença viva, dessas que orientam, sustentam e convocam. Miguelina foi — e segue sendo — a líder espiritual da mulher trabalhista, não por misticismo, mas por coerência, exemplo e entrega absoluta à causa coletiva.
Sua espiritualidade era política. Manifestava-se na ética inegociável, na firmeza diante das injustiças e na certeza de que a luta das mulheres não é apêndice de projeto algum, mas fundamento de qualquer projeto nacional soberano. Socióloga por formação e militante por destino, Miguelina ensinou que consciência é construção, e que organização é a forma mais elevada de esperança.
À frente da Ação da Mulher Trabalhista, na Vice-presidência Nacional e Estadual do PDT e na direção da Fundação Leonel Brizola–Alberto Pasqualini, foi guia e guardiã. Guardiã da memória trabalhista e guia para novas gerações de mulheres que aprenderam com ela que ocupar espaços de poder não é favor concedido, é direito conquistado. Sua palavra formava, sua presença fortalecia, sua postura educava politicamente.
No Parlamento gaúcho, transformou o cotidiano institucional em prática pedagógica da resistência. Como servidora e assessora técnica, fez do conhecimento uma ferramenta de libertação, mostrando que a técnica, quando orientada por valores, também é trincheira. Ensinou, na prática, que a democracia se sustenta nos detalhes do trabalho diário e na coragem de não ceder.
No plano internacional, como Vice-presidenta da Internacional Socialista de Mulheres, levou a voz das mulheres trabalhistas brasileiras ao mundo, reafirmando que não há justiça social sem igualdade de gênero e que não existe democracia verdadeira sem mulheres decidindo.
No Conselho Estadual dos Direitos da Mulher e no Fórum Nacional de Mulheres de Organismos de Partidos Políticos, exerceu o papel de quem anima, articula e mantém acesa a chama mesmo nos momentos de refluxo.
Miguelina Vecchio foi farol.