25/11/2017
A LUTA É PARA VALER em defesa da assistência estudantil!
Acreditamos que seja papel do DCE, ser intransigente na defesa da assistência estudantil, um direito nosso, conquistado a base de muita luta e resistência do movimento estudantil, que está sendo cada vez mais negado a nós estudantes. No processo do último período houve mais de 600 estudantes buscando auxílios, sendo que apenas 92 deferidos, um absurdo!
As universidades brasileiras sempre tiveram um caráter elitista e restritivo, atualmente aproximadamente 13% da juventude está no ensino superior, sendo destas, 20% em universidades públicas. As universidades públicas não conseguem atender a demanda que possuem, a prova disso é a concorrência no SiSU, onde uma pessoa que estudou nas melhores escolas da cidade disputa a mesma vaga que uma pessoa que trabalha 8H por dia e estuda à noite, uma verdadeira covardia!
Em 2007, o governo federal lançou o REUNI (Programa de Reestruturação e expansão das Universidades Federais), ocorrendo na prática, a expansão de forma que intensificasse os processos de precarização históricos das universidades públicas, pois no Brasil, educação nunca foi prioridade! Um exemplo da expansão na UFMT é a construção do campus de Sinop, porém, aumentaram o número de vagas, mas não aumentaram proporcionalmente as verbas destinadas as universidades públicas, o que resultou num sub-financiamento que pode ser vivenciado no cotidiano das universidades públicas, quando vemos a falta de docentes, a falta de técnicos-administrativos, uma infraestrutura que não atende as necessidades da universidade, RU lotado, dentre outros problemas. Mas em contrapartida temos no Brasil, criada também em 2007, a KROTON, uma das maiores empresas educacionais do mundo, que a partir de então é uma das maiores recebedoras do orçamento nacional para a educação; tornando-se ainda mais grave o projeto de precarização da educação pública/gratuita e o elevado investimento em educação privada, que só visa o lucro. Sabemos que o descrito acima faz parte de projeto de desmonte das universidades públicas, obrigando que mais uma vez nós paguemos a conta que não é nossa!
Onde há ataques, há tamém resistência! No mesmo ano, depois de muita luta e pressão do movimento estudantil, o Governo Federal também lançou o PNAES (Programa Nacional de Assistência Estudantil), que em 2010 virou decreto presidencial. Hoje, em apenas uma canetada, Temer pode extingui-lo. Ele que ouse! A proposta do PNAES seria democratizar as condições de permanência nas universidades públicas, através da ampliação de programas de assistência estudantil, mas percebemos que a cada ano ese valor vem diminuindo e o numero de ingressos na universidade aumentando, vide exemplo de 2017, onde a UFMT recebeu 17 milhões de reais, o que é insuficiente, já que a quantidade de estudantes fora da assistência estudantil é cada vez maior!
A luta pela construção de mais CEUs, e pela ampliação das vagas femininas; creche para as mães e pais estudantes, docentes e técnicos; Aumento das diárias de campo; a manutenção do RU nos valores atuais (café da manhã R$0,25 e almoço e janta R$1,00) são algumas das pautas históricas do Movimento estudantil. Lutaremos para que a segurança do campus seja paritária de gênero, que tenhamos passe livre intermunicipal irrestrito, atendimento à saúde, acesso a cultura e arte, pois acreditamos que é preciso não só garantir a entrada, mas é urgente pensarmos sobre a permanencia e principalmente a conclusão dos cursos ofertados pela UFMT, principalmente quando falamos da entrada de pessoas cotistas, que bem sabemos, ocorre como forma de reparação histórica, mas o resultado em muitos casos tem sido a frustração e o adoecimento, pois a universidade não tem sido um espaço que nos acolha e nos compreenda. É só observarmos a evasão em nossas salas de aula, que logo saberemos que esse modelo não tá dando certo!
As Casas do Estudante Universitário (CEUs) possuem vários problemas: não dispõem de espaços de vivência adequados, possuem infiltrações, falta de água, diversos outros problemas de estrutura, os quais atingem diretamente as/os estudantes. Já no proceso de concorrência de vagas na CEU, percebemos um processo extremamente burocrático, acompanhado da lógica patriarcal de dimunuir os espaços de acesso as mulheres, não existindo equidade de gênero na oferta de vagas! Já o PAI (Programa de Auxílio imediato) é um programa que possui o objetivo de atender emergencialmente as/os estudantes procedentes de outro estado/cidade; possuindo várias deficiências, o que reflete na incapacidade de atender a procura por moradia das e dos estudantes da UFMT, e a vinda de muitas pessoas para Cuiabá com a esperança de se formarem num curso superior acabam em muitos momentos se tornando um pesadela, visto que chegam aquí e pouco tem de auxilio e assistência estudantil. Mas é preciso nos organizar para que essa lógica de precarização e desmonte, por isso lutaremos para valer!
São algumas de nossas pautas:
- Lutar pela ampliação do financiamento do PNAES (Programa Nacional de Assistência estudantil) para 3 Bilhões de reais.
- Lutar pela assistência à saúde das/dos estudantes.
- Por uma UFMT 100% acessível às pessoas portadoras de deficiências.
- Lutar pela melhoria do RU, que seja público, de qualidade e pela manutenção do valor R$1,00 (almoço e jantar) R$0,25 (café da manhã).
- Reivindicar que o RU também funcione no sábado de noite, domingo, feriado, férias discentes e que em períodos de greve a universidade disponibilize alimentação às/os estudantes.
- Lutar por uma maior e melhor assistência pedagógica as/os estudantes que necessitem, em especial as/os cotistas.
- Lutar pela construção da creche universitária e pela imediata assistência as mães e pais que necessitam.
- Debater com as/os estudantes os programas REUNI/PNAES e os ataques que a educação vem sofrendo, principalmente nos últimos períodos.
- Pelo aprimoramento da estrutura do campus, por uma universidade sem catracas!
- Apoiar a luta em conjunto com as/os estudantes do campus de Várzea Grande pela conclusão imediata do novo campus, com estrutura de qualidade, docentes capacitados, RU público, CEU com equidade de gênero que atenda o maior número possível de estudantes.
A luta é pra valer! - Chapa 2