05/09/2022
Orientação Militante da Articulação de Esquerda - MT
Após diálogo com candidatos/as a deputados/as estaduais e federais homologadas em 04/08/2022 pela Diretoria Executiva do Partido dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Mato Grosso, a Articulação de Esquerda, tendência interna do PT, orienta sua militância a apoiar candidaturas cujas plataformas e práticas políticas têm uma maior aproximação com o programa da AE.
Sendo assim:
- Considerando a necessidade de incidir no processo eleitoral para a inclusão de questões programáticas fundamentais nas plataformas políticas dos candidatos a deputados estaduais;
- Considerando a necessidade de efetivar e ampliar a representação dos trabalhadores/as nos espaços políticos onde se disputam e decidem os rumos econômicos, sociais e políticos do Estado de Mato Grosso, que repercutem grandemente em nossas vidas, especialmente na propositura e controle social e fiscalização da execução de políticas públicas que atendam à classe trabalhadora, a Articulação de Esquerda registra a orientação e a nossa posição frente ao desafio de elegermos candidaturas comprometidas com a plataforma política das Trabalhadoras e Trabalhadores deste estado.
Portanto:
1. Em Mato Grosso, a estratégia adotada pelo grupo majoritário (tendência Construindo um Novo Brasil - CNB) levou o PT a um movimento de aproximação com a direita, de maneira fisiológica, não programática, tanto por meio quanto tentando garantir manutenção dos mandatos já existentes. Lembremos que a direita mato-grossense é majoritariamente representada pelo agronegócio. E que este fez circular falas e três notas que explicitam seu caráter conservador e reacionário, para ficar apenas em um exemplo;
2. O agronegócio e o setor empresarial têm sido em todas as instâncias, inimigo de classe trabalhadora, classe responsável pela construção e consolidação de nosso partido. Emergido das greves dos operários do ABC, o movimento que originou o PT se espalhou para vários cantos do Brasil e fez nascer o novo sindicalismo. Posteriormente, junto com outras forças sociais represadas nos anos da repressão militar, este movimento originou o PT e o colocou como o principal instrumento de luta da classe trabalhadora do país. Há setores no PT que, de duas uma: ou estão cegamente enganados com a falácia da governabilidade, aliando-se com aqueles pelos quais outrora fomos golpeados, ou o fazem com intencionalidade, ambos os movimentos negam as bases pelas quais fez ser construído o PT. Já ficou demostrado que o agronegócio e o empresariado não possuem nenhum viés democrático, muito pelo contrário, tampouco são ou estão divididos. O que de fato ocorre é um recuo estratégico do abismo ao qual o Bolsonarismo levou o país, afetando até mesmo os negócios desses setores. Contudo, vale reforçar sempre, eles são parte do projeto do capitalismo neoliberal que têm imposto mazelas, em suas expressões mais cruéis, à classe trabalhadora, aos povos originários e ao meio ambiente;
3. Assim como ocorre nacionalmente, as decisões aqui em Mato Grosso nesse último período também não passam pelas instâncias partidárias. Articulam-se no âmbito e em nome da federação (PT, PV e PCdoB), e vale lembrar que a adesão a essa formatação política tampouco foi democrática. Essa formatação fragiliza o partido no estado, abre espaço para os ruralistas e produz perdas programáticas e organizativas. Essa estratégia privilegia alguns mandatos, em detrimento da construção partidária;
4. Chama a atenção que não só o campo maioritário do partido, mas outros setores da esquerda e movimentos sociais também fizeram movimento similar. E isso tem ocorrido a despeito da violência política que temos sofrido: petistas, mulheres, servidores públicos, indígenas, LGBTQIA+, negros, quilombolas, entre outros/as/es;
5. Outro destaque necessário refere-se às sucessivas desqualificações, na sociedade e junto à militância, de qualquer petista que faça críticas, e em especial as críticas que a AE tem feito desse processo para o partido e para a luta de classes.
6. Precisamos enfrentar a violência política em crescimento. Não podemos ficar recuados diante dos ataques que a militância petista tem sofrido, seja no âmbito do parlamento, nos espaços públicos e até mesmo privados. É necessário instalar comitês de enfrentamento à violência política como estratégia de proteção da militância petista, no âmbito da instância partidária, de maneira efetiva, no estado e municípios. Exemplo categórico do teor da violência política foi o caso de um vereador da capital de Mato Grosso que, em plenário, declarou que possui arsenal para matar 500 petistas, caso aconteça qualquer tipo de manifestação em frente à residência dele. Depois, esse mesmo sujeito atirou e matou um servidor público da área da segurança, mesma área da atuação dele, praticamente à queima roupa e pelas costas, de forma covarde e sem qualquer possibilidade de rendição, se fosse o caso, ou de defesa;
7. Há na dinâmica partidária a necessidade de construir outras perspectivas de diálogo interno e, na sociedade, como forma de disputa programática na direção de retomada do projeto democrático e popular, pelos valores coletivos da democracia, da cultura política e dos valores socialistas. Sabemos da importância de eleger o companheiro Lula. Contudo, também é fundamental o fortalecimento das lutas populares em cada canto deste imenso país. E, nas ruas, disputar corações e mentes, sobretudo da classe trabalhadora que sofre as consequências atrozes da lógica capitalista neoliberal e do governo do cavernícola;
8. É preciso que esses valores sejam resgatados no âmbito da construção interna do Partido dos Trabalhadores. O PT não pode se tornar um instrumento à disposição de interesses particulares. Reveste-se de enorme importância neste momento da vida política nacional resgatar os valores democráticos a partir dos quais o PT foi forjado nos estertores da ditadura militar. Para tanto, se torna fundamental a construção dos comitês populares e de espaços de diálogos e debates, internos e com a população, sobre temas que teremos de enfrentar rumo à retomada de uma democracia substantiva no país;
9. Diante da constatação da secundarização desses elementos durante o processo de construção das possibilidades eleitorais, transformadas em candidaturas, a AE-MT, deliberou na etapa estadual do seu 7° Congresso o apoio à candidaturas que tenham responsabilidade com estes aspectos elencados e que estejam dispostos/as a reconstruir um partido democrático, popular, de massas e com direção estratégica na construção do socialismo. Para tanto, orientamos a militância da AE neste momento de eleições, mas também de acúmulo de forças da classe trabalhadora a melhor direção para essa construção.
Sendo assim, nessas eleições, orienta-se o voto nas seguintes candidaturas, em ordem numérica dos candidatos:
Assembleia Legislativa de MT:
- 13130 - Lúdio Cabral;
- 13131 - Edna Sampaio;
- 13136 - Professora Fanise Alboês; e
- 13613 - Professora Graciele Marques.
Câmara dos Deputados Federais:
- 1310 - Julier Sebastião.
- já para derrotar o neofascismo representado pelo governo de milicianos que tomaram de assalto o poder do país, pela retomada do projeto democrático e popular e reconstrução do Brasil, com o povo nas ruas para tensionar que haja um governo à esquerda.
Mato Grosso, 03 de setembro de 2022.