20/11/2025
Consciência Negra, Mulheres Negras e Mulheres Solo das Periferias
A Consciência Negra não é apenas uma data — é um chamado. Um chamado para olhar de frente a história, entender o presente e transformar o futuro. E, quando falamos de Consciência Negra, não podemos deixar de colocar no centro aquelas que seguram a base de tudo: as mulheres negras, especialmente as mulheres solo que lutam todos os dias nas favelas e periferias do Brasil.
Essas mulheres carregam nas costas um país que insiste em colocá-las na última fileira. São elas que enfrentam a precariedade do trabalho, o transporte lotado, o racismo cotidiano, o machismo estrutural, a falta de políticas públicas e a violência que atravessa seus territórios. E, ainda assim, são as primeiras a proteger a comunidade, a cuidar da família, a organizar o bairro, a transformar a dor em força.
As mulheres negras solo — que criam seus filhos sozinhas, que sustentam suas casas, que multiplicam o pouco que têm — são exemplos vivos de resistência. Elas são a imagem concreta da luta pela sobrevivência, mas também da luta pela dignidade.
No silêncio da madrugada, no corre do dia, no improviso da vida, elas constroem futuro mesmo quando o Estado vira as costas para elas.
Na periferia, onde tantas vezes faltam direitos, é a presença dessas mulheres que garante a vida pulsando. Elas criam redes de apoio, organizam coletivos, lideram movimentos, cuidam da vizinhança, lutam por moradia, por creche, por emprego, por comida na mesa. São mulheres que descobriram na solidariedade a arma mais poderosa contra a desigualdade.
Celebrar a Consciência Negra é, também, reconhecer que a liberdade e a justiça passam pelas mãos dessas mulheres.
É entender que o Brasil só será livre quando elas forem livres.
É compreender que não existe igualdade racial sem investimento real nas periferias, sem combate ao racismo estrutural, sem políticas que garantam renda, emprego, educação e proteção para as mulheres negras e seus filhos.
Hoje, honramos a coragem de Dandara, Tereza Benguela, Lélia Gonzalez, Carolina Maria de Jesus — e honramos também as Marias, as Joanas, as Elianas, as Neides, as tantas mulheres negras das quebradas que fazem revolução todos os dias sem que seus nomes apareçam nos livros.
A Consciência Negra nos lembra que o Brasil só existe porque mulheres negras resistiram.
E o Brasil só vai mudar quando elas deixarem de resistir sozinhas — e passarem a ser apoiadas, respeitadas e valorizadas como merecem.
Que este texto seja um abraço, um grito e um compromisso:
seguir lutando ao lado das mulheres negras e mulheres solo das periferias, porque onde elas caminham, nasce futuro.
Movimento Mulheres da Periferia de Cotia