04/06/2026
A possibilidade de o PT não comandar nenhum estado do Nordeste a partir de 2026 deixou a cúpula do partido em estado de alerta. Levantamentos recentes mostram disputas acirradas e queda expressiva na popularidade da legenda na região — historicamente o seu reduto eleitoral mais forte e decisivo para vitórias nacionais, como a de Lula em 2022.
Situação em cada estado governado pelo partido
Bahia (Jerônimo Rodrigues): O maior colégio eleitoral da região registra queda na avaliação do governador, pressionado principalmente por problemas na segurança pública, além de enfrentar oposição organizada e competitiva.
Ceará (Elmano de Freitas): Cenário bastante dividido, com grupos adversários ganhando força e aparecendo com boas chances nas pesquisas de intenção de voto.
Rio Grande do Norte (Fátima Bezerra): Com alta rejeição e rompimento político com o vice-governador, a governadora desistiu de concorrer ao Senado para permanecer no cargo até o fim do mandato. A decisão visa evitar que a oposição assuma o poder indiretamente por meio da Assembleia Legislativa.
Piauí (Rafael Fonteles): Apesar de ser o quadro mais estável entre os quatro, também sofre os efeitos do desgaste nacional e regional enfrentado pelo partido.
Motivos principais da perda de força
Economia: O aumento de preços e a percepção de estagnação financeira frustraram expectativas criadas em eleições anteriores, reduzindo o apoio popular.
Avanço de outras forças: Partidos de direita e do centrão se aproximaram de grupos como trabalhadores informais e eleitores evangélicos, antes menos receptivos a essas agremiações.
Mudança de visão sobre políticas públicas: Programas como o Bolsa Família passaram a ser encarados como direitos garantidos, e não mais como um diferencial capaz de atrair votos.
Impacto eleitoralEm 2022, Lula venceu as eleições graças a uma vantagem de cerca de 12 milhões de votos apenas no Nordeste. Hoje, a aprovação do governo federal na região caiu para 41% — o menor índice já registrado por pesquisas. Diante desse cenário e do crescimento da oposição, a direção nacional do PT acompanha de perto as articulações locais, com o objetivo de recuperar espaço e manter alianças antes do início das campanhas.