13/01/2022
A REDE SUSTENTABILIDADE MG vem a público se manifestar sobre as declarações do Sr. Governador Romeu Zema (NOVO).
Causa-nos estranheza o profundo desconhecimento demonstrado pelo Governador acerca da geração de energia, meio ambiente e, principalmente, a relevância de Minas no cenário nacional.
Chega a dar a impressão de estar perdido em meio aos efeitos extremos das mudanças climáticas que castigam o nosso Estado. Busca “bodes expiatórios” ou tenta desviar a atenção de problemas sérios, com impactos sociais, econômicos e ambientais.
Em busca de explicações, questiona a técnica de “fio d’água” utilizada na construção de hidrelétricas nos Estados de Rondônia e Pará, há quase duas décadas.
Cabe lembrar que, para além da geração hidrelétrica, e das termelétricas a lenha citadas por ele, várias alternativas existem e vêm sendo majoritariamente utilizadas no mundo.
Nesses 20 anos, parques eólicos e fazendas fotovoltaicas têm sido instaladas no mundo inteiro, inclusive em Minas, além de termelétricas a gás natural, muito menos poluentes.
No início da reportagem, o Governador diz que o Brasil “carece de planejamento”. Neste ponto, concordamos.
A Cemig, que inclusive é uma das sócias de Belo Monte e que sempre acumulou lucros, distribuiu a seus parceiros privados aproximadamente R$1,5 bilhão a título de dividendos e JCP, apenas em 2021!
Imagina se tamanha lucratividade estivesse a serviço da geração de energia para Minas e para o Brasil?
A responsabilidade por planejar nossa matriz energética, por sinal ainda muito atrasada, é do Governo. Não há possibilidade de o governador se esquivar de sua responsabilidade.
O nível do reservatório de Furnas pelo momento está cheio. Lutar vigorosamente para mantê-lo em um patamar sustentável para as atividades na região é papel do Governo de Minas.
Para além do desafio nacional de ampliar a geração de energia, há que se considerar que se faz necessária uma postura altiva e menos débil na defesa dos interesses do nosso Estado. A crise dos últimos anos não fez o consumo de energia disparar na proporção em que o nível do lago de Furnas baixou. A postura frágil e servil ou a pouca capacidade de articulação política de Minas acabaram por dar coragem aos operadores do sistema nacional e aos gestores de Furnas para fazerem a opção (sim, opção!) por abrir mais as comportas, o que vem baixando o reservatório a níveis inéditos.
Reaja governador!
Honre a história de fidalguia de nosso Estado. Não nos envergonhe com desculpas fracas e imperdoáveis.