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De fato, as escrituras apontam para uma promessa de propriedade: "Deixe sua terra natal, seus parentes e a família de se...
13/10/2023

De fato, as escrituras apontam para uma promessa de propriedade: "Deixe sua terra natal, seus parentes e a família de seu pai e vá à terra que eu lhe mostrarei”, "Darei esta terra a seus descendentes". (Gênesis 12: 1 e 7)

Entretanto, a posse da “terra prometida” pelo povo hebreu/judeu sempre foi transitória, isto é, marcada por idas e vindas, por diversas diásporas, é dizer, nunca foi uma posse mansa e pacífica.

Muito embora os Assírios tenham invadido Israel anos antes, reconhecidamente, a primeira diáspora judaica se deu com a invasão do exército babilônico no reino de Judá em 586 a.C. Os combatentes de Nabucodonosor destruíram a cidade de Jerusalém e deportaram os hebreus para a região babilônica.

Após um lapso temporal, os Persas, liderados por Ciro I, conseguem enfraquecer o Império Babilônico, e o rei Nabucodonosor “perde protagonismo”. Com isso, Ciro I, permite o retorno dos hebreus para sua terra natal. Contudo, como deve pressupor qualquer interação cultural, social e política, muitos já estavam adaptados aos costumes e axiomas culturais do território babilônico e se fixaram no local, formando, assim, uma grande comunidade cultural judaica na Babilônia, posto que, apesar da internalização de aspectos culturais, mantiveram os laços da fé judaica. A esse respeito, o historiador britânico Paul Johnson diz que: “Muitos preferiram ficar na Babilônia, que permaneceu como um centro da cultura judaica por 1,5 mil anos”.

Por conseguinte, a segunda diáspora judaica decorre da invasão dos romanos a cidade de Jerusalém por volta do primeiro século d.C. Agora, a dispersão foi ainda maior, levando os judeus a outros continentes, a exemplo da África, Ásia e Europa. Assim, naturalmente, a partir das diversas interações com outras comunidades, o povo hebreu se consubstanciou no cosmopolitismo, fase em que os fundamentalistas já representavam uma minoria, sendo interesse da maioria manter os vínculos territoriais circunstanciados pelas diásporas.

A partir do século XV, com a prevalência do Cristianismo na Europa, os conflitos religiosos fazem com que os Judeus fujam do território ibérico para os Países Baixos, Ásia Menor e Palestina. É falar em uma fuga continuada, uma dispersão em mais de 100 países que já durava em torno de quatro mil anos.

Nesse ínterim, por volta do final do século XIX, o jornalista húngaro Theodor Herzl, conseguiu reacender a discussão acerca da criação do Estado Judeu a partir da obra “Der Judenstaat”. Foi dele a ideia para o Primeiro Congresso Sionista Mundial, com o objetivo de debater estratégias para criação de um Estado Judeu. Seria o sonho do fim da diáspora, a expectativa da reunificação do povo hebreu.

No transcurso do movimento Sionista, surgiram diversas ideias de onde poderia ser instituído o Estado Judeu, isto é, inicialmente, pensou-se a constituição do Estado em outros lugares do mundo, porém, prevaleceu a corrente fundamentalista de que a circunscrição territorial tem previsão na Torá, pelo que todas as estratégias deveriam ser postas a partir dessa premissa.

Todavia, no curso da História, enquanto os hebreus estavam em constante e continuada diáspora, a “terra prometida” não ficou subocupada, anecúmena ou inóspita. Em verdade, outro povo que também reivindica a propriedade da “terra prometida” se apropriou da premissa sagrada, qual seja: os Árabes. Assim, a cadeia de posse da região palestina ganha um novo ator.

Com a ascensão do Islã, por volta do século VII, a Palestina foi ocupada pelos árabes e depois conquistada pelos cruzados europeus, vindo a ser dominada pelos Turcos até a Primeira Guerra Mundial, quando os Britânicos assumem o controle da região.

Ocorre que, o século XX descortinou duas grandes guerras mundiais e, em consequência, seguiu-se a necessidade de reorganização geopolítica, é dizer, os espaços originários e conquistados objeto de acordos e tratados, normas de garantia de posse e propriedade. Em verdade, o mundo saiu das duas grandes guerras envolto a uma geopolítica bipolar.

De um lado, os Estados Unidos capitalista carreava os interesses ocidentais, do outro, a URSS capitaneava o ideal comunista, porém, ambos com o interesse comum no Oriente Médio (região de maior produção de petróleo). Assim, a partir desse panorama do pós-guerra, com o intuito de manter certa influência, domínio e vigilância na região, os Americanos chancelam a proposta dos representantes judeus era dividir o território palestino em dois, sendo metade árabe e a outra metade judeu.

A proposta política dos judeus foi aprovada através da resolução 181 da Organização das Nações Unidas (ONU), mesmo com clara manifestação contrária por parte dos políticos árabes. Dessa forma, no fim da primeira metade do século XX, a diáspora acaba, os Judeus conseguem retomar a posse da “terra prometida” (parte do território), não de forma mansa e pacífica, mas, em meio a muita resistência do povo árabe que habitava a região desde a ascensão do Islã.

Enfim, o Estado Judeu foi constituído. Entretanto, a promessa de criação do Estado Palestino não foi concretizada, de modo que, com o apoio de outros países predominantemente mulçumanos, grupos fundamentalistas/extremistas nacionalistas começaram a ganhar relevância a partir do ideal da independência/emancipação.

André Luiz

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30/11/2022

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