22/04/2017
A opinião dos Remonstrantes sobre o quinto artigo que trata da Perseverança dos verdadeiros crentes na fé
A opinião dos Remonstrantes sobre o quinto artigo que trata da Perseverança dos verdadeiros crentes na fé
1. A perseverança dos crentes na fé não é o efeito de um decreto absoluto de Deus, pelo qual Ele elegeu ou escolheu algumas pessoas, em particular, sem levar em consideração a sua obediência.
2. Deus provê, aos verdadeiros crentes, poderes sobrenaturais ou a força da graça o quanto Ele julga ser, segundo a sua infinita sabedoria, o suficiente para sua perseverança, e para vencerem as tentações do diabo, da carne e do mundo. Portanto, da parte de Deus, não há nada que os impeça de perseverar.
3. Os verdadeiros crentes podem cair da verdadeira fé e podem cair em pecados que não são condizentes com a verdadeira e justificante fé. Isto não é somente possível acontecer, mas isto ainda acontece com frequência.
4. Os verdadeiros crentes são capazes de cair, por sua própria culpa, em infames e em atrozes maldades, de perseverarem e de morrerem nelas, e, assim, finalmente caírem e perecerem.
5. Tampouco cremos que os verdadeiros crentes, embora possam às vezes cair em pecados graves, que destroem a consciência, estejam imediatamente sem qualquer esperança de arrependimento; mas reconhecemos que não é impossível de acontecer que Deus, segundo a multidão das suas misericórdias, possa os chamar novamente, pela sua graça, ao arrependimento. Além do mais, somos de opinião que isso acontece frequentemente, embora esses crentes caídos não possam estar “mais plenamente convencidos” sobre esse assunto que certa e indubitavelmente acontecerá.
6. Portanto, rejeitamos os seguintes dogmas com todo o nosso coração e alma, os quais são, diariamente, afirmados em várias publicações amplamente difundidas entre as pessoas, a saber, que:
1) “Os verdadeiros crentes não são capazes de pecar deliberadamente, mas só por ignorância e fraqueza”.
2) “Os verdadeiros crentes por nenhum dos seus pecados, podem cair da graça de Deus”.
3) “Milhares de pecados, até todos os pecados do mundo inteiro, não são capazes de tornar a eleição inválida”. Se a isto for acrescentado: “Os homens de todos os tipos estão obrigados a crer que eles são eleitos para a salvação e, portanto, são incapazes de cair desta eleição”. Deixaríamos os homens pensando que uma grande janela desse dogma se abre para uma segurança carnal.
4) “Não há pecados, quer grandes e graves, que sejam imputados aos crentes, mas todos os seus pecados presentes e futuros já foram perdoados”.
5) “Os verdadeiros crentes, caindo em heresias destruidoras, nos mais graves e atrozes pecados, como adultério e homicídio, em virtude dos quais a Igreja, segundo a instituição de Cristo, é compelida a testemunhar que ela não pode os tolerar em sua comunhão exterior, e que, a menos que estas pessoas se convertam, elas não terão parte no Reino de Cristo; no entanto, é impossível a eles caírem totalmente e finalmente da fé”.
7. Visto que um verdadeiro crente é capaz de agora estar seguro em relação à integridade da sua fé e da sua consciência, assim também ele é capaz de agora ter a certeza da sua salvação e da boa vontade salvífica de Deus para com ele. Sobre esse ponto, rejeitamos totalmente a opinião dos papistas.
8. Um verdadeiro crente, realmente, pode e deve ter a certeza futura que ele é capaz – por uma vigília diligente, pelas orações e por outros exercícios santos – de perseverar na verdadeira fé, e que a graça de Deus jamais faltará para que ele persevere. Mas não entendemos como é possível a ele ter a certeza, mais adiante, que jamais será negligente em seu dever, mas que perseverará na fé e naquelas obras de piedade e amor que são apropriadas aos crentes, nesta escola de milícia cristã; também não julgamos necessário que um crente deva ter certeza desta perseverança.
Fonte: http://www.arminianismo.com/wiki/index.php?title=Opini%C3%B5es_dos_Remonstrantes