04/09/2026
Os saquinhos de balas da Serra do Departamento.
Era a década de 1970. Por volta das duas da tarde, em um dia nublado, um caminhão carregado de balas seguia pela estrada em direção a Castelo.
Na altura da Serra do Departamento, local perigoso, descida íngreme e conhecida pela curvas perigosas, o veículo perdeu os freios e despencou na ribanceira.
Alguem que passava viu os rastro e vegetação destruída e percebeu a cerca arrebentada. Ao olhar para o fundo da ribanceira, avistou o caminhão, com seu baú claro entre a vegetação.
Logo outras pessoas chegaram para ajudar.
A cena era terrível. O motorista estava preso às ferragens, com a cabine completamente retorcida. Mas havia esperança: ele ainda estava vivo.
— Força, amigo! Vamos tirar você daí!
— Aguenta firme! Nós vamos conseguir!
Sem equipamentos adequados, os homens tentavam forçar o aço retorcido, procurando desesperadamente uma maneira de libertá-lo.
Logo começaria a chover o que dificultava mais ainda a situação, mas eles continuavam tentando retirar o motorista.
O veículo havia caído por mais de 100 metros, o baú ainda que em parte amassado não estava destruido.
De repente escutaram susurros do motorista, se calaram e foi então que o motorista falou, quase num sussurro:
_Obrigado meus amigos, mas tá complicado de me tirar daqui. Pra mim acabou... eu sei disso!
Alguem respondeu:
— Acabou nada! O socorro vai chegar. Você vai sair dessa!
Ele tentou mover a cabeça, mas não conseguia. Então, com a voz cada vez mais fraca, ele disse:
— Minha história termina aqui... mas me prometam uma coisa.
Todos ficaram em silêncio.
— Não deixem essas balas se perderem. Recolham tudo e distribuam para as crianças... elas vão ficar felizes.
— Nós prometemos, respondeu um dos homens.
Pouco depois, o motorista ficou imóvel.
Ainda tentaram retirá-lo das ferragens, mas então perceberam que ele já não respirava.
Algum tempo depois chegaram os socorristas vindos da cidade. Já não havia mais o que fazer.
O nome daquele homem passou despercebido ou esquecido, mas seu acidente tornou-se notícia na pequena cidade.
E então, no dia seguinte, algo inesperado aconteceu.
As crianças dos colégios da cidade receberam pequenos saquinhos de balas na hora da saída das aulas. O papel que as envolvia era amarelo e trazia o desenho de um macaco. Na saída da escola todas as crianças com um saquinho cheio de balas e sorridentes com o presente simples.
Na inocência da infância, elas talvez não souberam que antes, um desconhecido preso às ferragens havia pensado justamente nelas.
“Elas vão ficar felizes.”
Talvez seja essa a parte mais emocionante dessa velha história.
As balas acabaram, as crianças cresceram. O tempo levou quase todos os detalhes daquela tarde.
Mas essa história ainda é lembrada por uns poucos.
E voce, também havia ganho um saquinho de balas, balas chita??