Breve Reconstituição da História da Escola:
Percorrendo a praça da Matriz em Porto Alegre, deparei com um busto contendo, no granito que o sustenta, a seguinte inscrição: "André Leão Puente". Morto, vive no coração de seus alunos. 11/04/1855" Quem foi André Puente para merecer tão grande homenagem dos seus alunos no mais importante logradouro do RG do Sul, ao lado do majestoso monumento erigido e
m 1906, em memória de Julio de Castilhos, e defronte ao palácio Piratini, Assembléia Legislativa e Catedral Metropolitana ? André Puente, segundo Achylles Porto Alegre, "era natural de Canguçu", filho de simples mas honrada familia. Nasceu na sede da então Freguesia de Canguçu, elevada à condição de vila em 1857, dois anos após o seu nascimento, em 11/04/1855. Em Canguçu passou sua infância, tendo frequentado a aula régia sob a direção do primeiro professor p/ meninos do município, Joaquim Antônio Bento. Seu professor, impressionado com a excepcional aplicação de seu discípulo, o encaminhou p/a Escola Normal de Porto Alegre, destinada aos jovens de talento q não dispusessem de recursos financeiros p/ cursar uma Academia. Munido de um Atestado de Pobreza fornecido pelo vigário José Joaquim Fontes e de uma recomendação de seu meste, o jovem André deixou Canguçu rumo à Porto Alegre. Durante o curso dedicou-se de maneira inexcedivel aos estudos, adquirindo, em breve, uma sólida cultura profissional e geral. Ao diplomar-se foi nomeado professor público em sua terra natal, a vila de Canguçu. Logo em seguida, em reconhecimento aos excepcionais dotes como professor, foi transferido p/ Bagé, p/ um cargo superior. Em 1894, após assistir em Bagé os horrores da malfadada Revolução Federalista de 1893, pediu demissão do serviço público e retornou a Porto Alegre. Ali passou a lecionar na Escola Brasileira, onde se destacou como exelente professor de Português e Geografia, tendo dirigido o internato da escola até 1900. Durante todo o tempo em Porto Alegre e até 1895 dedicou-se à produção de um livro didático de Português, calcado nos mais modernos métodos pedagógicos alemães, aprendidos inclusive, com o professor Eduardo Wilhelmy, natural de Stetin, Alemanha, que possuia uma escola em Pelotas, e que por ocasião da Revolução de 93, radicou-se em Canguçu, na Florida, como professore fotógrafo. Sua obra intitulada "Gramática Portuguesa", foi lançada no ano de 1895 e logo adquiriu vasta circulação pela grande receptividade q despertou entre a juventude do Rio Grande do Sul, por sua clareza, pureza e objetividade. Em 1895, apolitico, mas simpatizante da corrente federalista chefiada por Gaspar Silveira Martins, foi convidado para retornar ao serviço público. Aceitando ao convite, foi ocupar as cadeias de História e Geografia do Colégio Complementar. A par de seus deveres oficiais, ministrava aulas particulares. Em suas novas funções oficiais confirmou-se o peagogo sempre atento aos progressos da pedagogia. Achylles Porto Alegre, em sua "História Popular de porto Alegre" dedicou-lhe duas páginas. Assim referiu-se ao ilustre mestre filho de Canguçu: "Há homens que nunca morrem, apenas se ausentam fisicamente, estando sempre vivos no pensamento de quantos com eles trataram em vida. Pertence a este número - André Leão Puente. De uma delicadeza aristocrática, o seu trato gentil e cativante.A sua voz, de uma doçura desafetada, tornava a sua palestra singularmente atraente. O seu olhar era suave e carinhoso, nenhum de seus alunos jamais o viu irritado. Seus alunos nunca esqueceram o mestre admirável que lhes formou o espírito, o caráter e o coração. Alguns adquiriram fortuna com a lição que receberam. O mestre, porém, morreu pobre, legando à família um nome honrado e imperecível. O professor por menos que seja, deixa sempre um grande legado aos que lhe ouviram as lições. O tesouro da sabedoria é o tesouro dos tesouros". André Leão Puente ao retornar a Canguçu como professor, 1874-1884, fou co-fundador em 1881,junto com Enéas Gonzaga Moreira de sua primeira biblioteca, na Sociedade Éden Canguçuense. Biblioteca que foi dissolvida por ocasião da revolução de 1893. Publicou no "Almanaque Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul 1889-1917" os seguintes trabalhos sobre superstições : - Em 1889 - "O Arco da Velha" ;"Os Lobisomens e as Almas de outro mundo" ; Maus Olhados e Quebrantos" e "Benzedeiras e Simpatias". - Em 1890 - "O Jardim Público de Pelotas e o calor que acompanha a chuva". - Em 1891 - "Os Cacos" ( crônica histórica ) e "Nova Era" ( soneto ). - Em 1892 - "Os dois Cortesãos" ( soneto ). - Em 1893 - "O aparecimento de um Titã" (soneto ); e - Em 1894 - "Pobre Rio Grande", ( poema referente à Revolução de 93 ). Produziu mais os seguintes trabalhos: "O Mártir da Independência", peça teatral que encenou em Bagé e que enaltecia a figura de Tiradentes. A vida de André Puente, como professor, teve inicio aos 17 anos, quando lecionou na estância de Horácio da Cruz Piegas. Após substituir por algum tempo seu primeiro professor, foi cursar a Escola Normal. Faleceu em 23/10/1920.Foi dado seu nome ao G.E.Irmãos Andradas. É nome de escola em Canoas e de rua em Porto Alegre, próximo ao Colégio Bom Conselho, onde lecionou e onde funciona o Instituto estadual do Livro e o Arquivo Histórico do RS. ( LIVRO: CANGUÇU - REENCONTRO COM A HISTÓRIA - CEL. CLÁUDIO MOREIRA BENTO,1984 ). ------------------------------------------------------------------------------------------------ * Na verdade, segundo registros, ANDRÉ nasceu no Jaguarão-Chico, municipio de Bagé, sendo batizado na matriz de São Sebastião, naquele municipio, a 10/12/1857 . Em 24/01/1863 ( com quase 8 anos de idade ), mudou-se com a familia para Canguçu, onde chegou no dia 26. * ( Pesquisa realizada pela professora Laedi Bachini Bosembecker, academica da ACANDHIS - Academia Canguçuiense de História ) . ------------------------------------------------------------------------------------------------- * *O livro nð 05 de Registros de Batismos da paróquia de São Sebastião ,município de Bagé, à fl 27, encontra-se o do teor seguinte:" Aos des de dezembro de mil oitocentos cincoenta e sete, nesta matriz de Bagé, o Coadjutor Baptizou solenemente e poz os Santos Óleos em Andre nascido a 11 de Abril de mil oitocentos e cincoenta e quatro, filho legítimo de Jozé Lapuente natural do Estado Oriental e de Claudina de Souza natural de Cangussú; Avós paternos Ventura Lapuente e Josefa Gil, Maternos Patricio de Souza e Izabel Gil; Padrinhos Manuel Neto, e Maria do Carmo Neto de que mandei fazer este que assigno. O Vigário Cândido Lúcio de Almeida." Nada mais se continha no dito assentamento, que fielmente copiei do original, a que me reporto. Bagé 03 de junho de 2009. José Macke, Chanceler da Cúria Diocesana. ** ( Pesquisa realizada por Gesner Oliveira Carvalho, Bagé - RS - 2009 ). Fontes:
http://portais.educacao.rs.gov.br/AreaPortalInstitucional/PaginaSimples/PaginaSimples.aspx?pgn=115182&portal=2870
http://gederbarbosa.blogspot.com.br/2008/05/quem-foi-andr-leo-puente_29.html