A palavra Cametá é de origem tupi e deriva de "Cáa" (mato floresta) e "Mutá" ou "Mutã", uma espécie de degrau instalado em galhos de árvores feitos pelos índios para esperar a caça ou para morar. Segundo o historiador Carlos Roque, o significado literal de Cametá é "degrau no mato".
Atribui-se a Frei Cristóvão de São José, um frade capuchinho, o episódio da fundação do primeiro povoado, por volta do ano de 1620, que deu origem ao município de Cametá. A fundação do povoado foi possível devido ao trabalho realizado pelo frade junto aos integrantes da tribo dos Camutás, conhecidos como os habitantes originais das terras localizadas à margem esquerda do rio Tocantins.
Adquiriu o conhecimento legal na categoria de Vila, no ano de 1713. Em 30 de abril de 1841, foi promulgada a Lei que concedeu a Cametá a categoria de Comarca e, sete anos depois, por meio da resolução nº 145, de 24 de outubro de 1848, lhe foi outorgado o reconhecimento como cidade.
Após a proclamação da República, o Governo Provisório do Estado, por força do Decreto nº 59, criou o Conselho de Intendência. Em 4 de novembro de 1930, foi confirmada a condição de Cametá como município, passando a existir como tal no quadro de ordenamento político-administrativo do Estado.
No ano de 1956, houve a tentativa de provocar o desmembramento de parte de sua área territorial para dar lugar ao nascimento do município de Limoeiro do Ajuru. Entretanto, a ação não prosperou porque o Supremo Tribunal Federal declarou a ação como um ato inconstitucional. Em 1961, mediante a promulgação da Lei nº 2.460, o desmembramento foi efetivado e Cametá perdeu as terras pertencentes ao distrito de Joanna Coeli.
Cametá conta com sete distritos: o distrito-sede, com o mesmo nome do município, Carapajó, Curuçambá, Joaba, Moiraba e Vila do Carmo do Tocantins.
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A Colônia de Pescadores Z-16 de Cametá foi fundada em junho de 1923 pela capitania dos portos do Pará e Amapá com o objetivo de servir aos interesses do Estado e ser instrumento de dominação. Durante muito tempo, as Colônias permaneceram subordinadas ao Ministério da Marinha. Eram consideradas “reservas” e seus integrantes eram obrigados a prestar serviços gratuitos à Marinha – como guiar navios no labirinto fluvial amazônico, pelo conhecimento dos rios que os pescadores possuíam e pescar para alimentar a tropa da armada. A partir da década de 40, na época do governo de Getúlio Vargas, a subordinação das Colônias de Pescadores passou para o Ministério da Agricultura que, entre outras coisas, estabeleceu o estatuto único para todas as Colônias do Brasil. Desse modo, em vez da subordinação aos militares, as colônias passaram a servir aos interesses de políticos e, por conseguinte, às elites locais. A partir de 1982, com o auge dos movimentos sociais no Brasil, a Prelazia de Cametá passou a fazer um grande trabalho de conscientização dos pescadores, surgindo daí, ainda que timidamente, um grupo de pescadores que partiram para a realização de um trabalho de base mais intenso. A Igreja pretendia remover as algemas que prendiam os trabalhadores aos grupos oligárquicos, que eram a elite comercial afortunada de Cametá. Amplas camadas de trabalhadores rurais e pescadores pauperizados viviam da ajuda dos “patrões” do aviamento. O “patrão” era, no campo, o que o “figurão” era na cidade.
A patronagem era o sistema de relações e o aviamento era a “operacionalização” da patronagem, que se dava na forma de “crédito sem dinheiro” entre o comerciante e os extrativistas. O comerciante sediado na capital, Belém, supria a pessoa de sua relação em Cametá (grandes comerciantes – patrão para os extrativistas), para receber, em pagamento, o produto físico recolhido. O patrão atendia à necessidade dos extrativistas na mesma lógica, trocando produção por produtos do comércio. Dinheiro, só em caso de doença. O camponês se sentia atendido e tinha mercado certo para sua produção; e o patrão aumentava sua renda. “Ele compra por cinco o que vale 20 e vende por 20 o que vale cinco”, como reza um dito regional. Uma das metas do grupo que se formou com a ajuda da igreja era a tomada da Colônia. Partiram, então, para a disputa, com intuito de tomar para si o direcionamento da entidade, que afinal havia sido criada para favorecer a classe pescadora. Disputaram duas eleições, sendo derrotados em ambas em pleitos fraudulentos, baseados no estatuto imposto pelo Ministério da Agricultura que dava plenos poderes à elite no comando da situação. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e com a mobilização dos pescadores em todo o Brasil, conquistou-se a autonomia de organização. As Colônias puderam, enfim, elaborar seu próprio estatuto.
É necessário lembrar que, na luta para a Colônia de Pescadores Z-16 de Cametá ser dirigida pelos verdadeiros pescadores, algumas pessoas tornaram-se importantes. Destacam-se, no período de 1980 a 1989, alguns companheiros como Felipe Monteiro dos Santos, pescador, morador da localidade de Itaúna, que encabeçou a junta governativa; Carlos Schafhashec Neto, representante da Prelazia, ex-Secretário Estadual da Pesca; e outros, que tiveram papel importante nesta conquista. No início dos anos 90, os pescadores intensificaram a luta e foram gradativamente buscando seu espaço, formando uma grande frente lutadora na qual se destacavam Juvenal Viana Teles, Ney Lobato Gomes, José Fernandes Barra e o ex-presidente da Colônia, Iracy de Freitas Nunes. Com as mobilizações e assembleias conseguiram modificar o estatuto da entidade, respaldados pelas conquistas inseridas na Constituição Federal. Formaram uma junta governativa que venceu o pleito de 1989, mas não conseguiram assumir a presidência, impedidos, mais uma vez, pelo presidente da FEPA (Federação dos Pescadores do Pará), o que obrigou os pescadores artesanais a entrar na justiça. Meses depois, tiveram ganho de causa, ficando a Colônia, a partir de então, nas mãos dos próprios pescadores. Porém,
“Nós esbarrava no estudo, era tudo analfabeto. Nós tinha a vontade, ganhemo a Colônia com a cara e a coragem”.
João Pereira, pescador da localidade de Cuxipiari
José Fernandes Barra, na época vereador, nascido da luta dos pescadores, da qual participou, sendo eleito secretário em 1994, analisa que:
“Nessa época, era muito difícil a gente implementar alguma organização, porque eles viam a colônia como um órgão assistencialista, clientelista. Estava muito naquela ideia de que a colônia era pra poder tirar ficha para uma consulta médica, extrair dente etc. Não viam como uma entidade de organização que pudesse estar à frente de outras lutas, na busca de outros benefícios”.
Hoje, os pescadores são considerados uma classe organizada. Adquiriram, por um longo processo de lutas e práticas, um novo modelo de gestão para direcionar a categoria. Foi fundamental na tomada do poder político local (Prefeitura administrada pelo PT).
Fonte:http://www.mma.gov.br/estruturas/pda/_publicacao/51_publicacao12012011105114.pdf
Atualmente, a Diretoria da Colônia de Pescadores Z-16 de Cametá é formada pelos seguintes membros: José Maria Lopes de Freitas (Zé Maria da Colônia) - Presidente, José Fernandes Barra (Zé Fernandes) - Secretário (licenciado), Joelite Fonseca - 2º Secretário, Martenis Moraes - Vice-presidente, Janival Cardoso (Dinho da Colônia) - 1º Tesoureiro e José Roberto - 2º Tesoureiro.