Roças Novas-300 anos de história

Roças Novas-300 anos de história Que bom podermos contar e celebrar essa história de Roças Novas.

INAUGURAÇÃO DO POSTO DE SAÚDE IRMÃZINHA GEORGETTE MARCELLEEM ROÇAS NOVAS - 17/12/2025Roças Novas vive hoje um momento hi...
18/12/2025

INAUGURAÇÃO DO POSTO DE SAÚDE IRMÃZINHA GEORGETTE MARCELLE
EM ROÇAS NOVAS - 17/12/2025
Roças Novas vive hoje um momento histórico. É a primeira vez o distrito passa a contar
com um espaço construído para a Unidade Básica de Saúde. Como sabemos, o
atendimento à saúde sempre foi realizado em espaços improvisados, em prédios
adaptados, casas alugadas, dentre outros.
A irmãzinha Georgette Marcelle está sendo homenageada neste novo prédio que foi
construído. Alguém pode se perguntar: por que o nome da irmãzinha no Posto de Saúde?
O que as irmãzinhas de Jesus têm a ver com isso?
Vamos lembrar um pouco da história:
Durante mais 50 anos, Roças Novas teve o privilégio de contar com a presença da
Fraternidade das irmãzinhas de Jesus em nossa comunidade. Mesmo optando por uma
vida discreta, elas sempre se movimentavam para transformar a vida das pessoas e
promover conquistas que trouxessem emancipação e cidadania. No início, na chegada
delas a Roças Novas, faltava tudo: a água era escassa e não havia assistência adequada
à saúde. São inúmeros os relatos de que as irmãzinhas lutavam junto com o povo para
melhorar as condições de vida, além de realizar ações de cuidado, auxiliando inclusive
nos partos, que aconteciam nas casas, indo a pé ou cavalo nos lugares mais distantes,
acolhendo sempre quem procurava por ajuda.
A irmãzinha Georgette Marcelle, durante os 48 anos que viveu em Roças Novas, atendia
as pessoas que a ela recorriam em caso de picadas venenosas, lavagem de ouvido,
curativos, aplicação de injeções e vários outros procedimentos relacionados aos cuidados
com a saúde. Além disso, sua serenidade e paciência para ouvir e aconselhar eram
consideradas como suas grandes virtudes, trazendo benefícios terapêuticos.
Sempre com imensa discrição, ela garantia cuidados, lutava para conseguir tratamentos
hospitalares, especialmente para as pessoas mais carentes, e estimulava a comunidade a
lutar pelo direito à assistência à saúde. Por sugestão do prefeito Alberto Pires, uma foto
dela estará na parede do novo posto de saúde. Na imagem, ela está inteira e serena, com
seu sorriso fraterno e acolhedor e certamente será inspiração para quem estiver naquele
lugar a trabalhar ou a buscar atendimento.
Através da Irmãzinha Georgette, a comunidade de Roças Novas rende homenagem a
todas as irmãzinhas que, durante mais de cinquenta anos, dedicaram suas vidas ao povo
de Roças Novas. Esse amor recíproco, entre a Fraternidade das Irmãzinhas e a
comunidade de Roças Novas, que já está registrado na nossa memória, f**a agora
guardado para a história.
Luzia Alves Magalhães 17/12/2025

À sua maneira e sempre com profundo respeito pelas pessoas de Roças Novas, cada um desses fotógrafos fez e faz muito mai...
25/07/2025

À sua maneira e sempre com profundo respeito pelas pessoas de Roças Novas, cada um desses fotógrafos fez e faz muito mais do que simplesmente capturar imagens. Suas fotografias evocam emoções, contam histórias e eternizam momentos, influenciando diretamente a forma como a comunidade se vê e se reconhece. Nesse sentido, as imagens registradas pelas lentes sensíveis de José Góes, Cleber, Patrícia e de tantos outros que amam essa terra, contribuem para que Roças Novas possa se perceber coletivamente, ajudando a revelar e fortalecer sua identidade. Afinal, só se ama aquilo que se conhece, a fotografia nos ensina, com delicadeza, a conhecer e amar ainda mais o lugar onde vivemos.

Luzia Alves Magalhães – Julho 2025

Música, festa, tradição e religiosidade são a essência de uma pessoa que nasceu em Roças Novas e personif**a o retrato m...
25/07/2025

Música, festa, tradição e religiosidade são a essência de uma pessoa que nasceu em Roças Novas e personif**a o retrato mais bonito de nossa identidade: Patrícia Costa é fotógrafa e faz do seu ofício uma oferenda àquilo que essa terra tem de mais especial. Com sua câmera, ela faz um trabalho artístico dando cobertura aos eventos cotidianos e eternizando momentos da vida das pessoas. É possível que cada morador de Roças Novas já tenha sido fotografado por suas lentes. Desta forma, Patrícia vai registrando os acontecimentos mais importantes da vida das famílias e os eventos sociais. Seu trabalho vai além: ela fotografa o cotidiano, aquelas “miudezas” citadas pelo poeta Manoel da Barros, com imagens que revelam o invisível e resgatam a beleza do que muitas vezes passa despercebido, sem se furtar de registrar os grandes momentos de celebração da vida comunitária. Patrícia atualiza, na vida e na arte, o slogan com que José Góes definiu Roças Novas: “Lugar de Gente Feliz”.

Em 2006, convidado para uma Festa do Divino, Cleber De Assis Assis conheceu Roças Novas e, tendo se encantado com o luga...
25/07/2025

Em 2006, convidado para uma Festa do Divino, Cleber De Assis Assis conheceu Roças Novas e, tendo se encantado com o lugar, resolveu f**ar, fincar raízes aqui. Junto à sua esposa Tânia Roque, adquiriu um sítio e começou a se integrar às festas e eventos tradicionais da comunidade. Inspirado por Orlando de Deus Neto, que costumava registrar, com sua câmera filmadora, os momentos mais importantes de Roças Novas, Cleber se viu motivado a fotografar as festas, monumentos e tradições de Roças Novas, com olhar atento e sensível à cultura local. Ele então passou a produzir imagens que retratam o patrimônio cultural, exaltam a identidade, registram a fé, a devoção e a essência de nossa história. Com generosidade, Cleber compartilha suas fotografias na página “Um olhar sobre Roças Novas”, realiza exposições e presenteia a comunidade com sua arte, perpetuando a memória desta terra através de suas lentes.
Com seu trabalho dedicado, Cleber dá continuidade à obra de José Góes, contribuindo para a valorização das tradições culturais de Roças Novas.

Roças Novas no olhar de quem vê!Na década de 1990, uma importante personalidade do cenário mineiro e brasileiro adquiriu...
25/07/2025

Roças Novas no olhar de quem vê!

Na década de 1990, uma importante personalidade do cenário mineiro e brasileiro adquiriu dois sítios em Roças Novas: um deles teve o seu espaço transformado no Free Time Park Hotel e o segundo também deu lugar a um empreendimento turístico: a Pousada Caeté Eventos. Com uma trajetória marcada pela passagem por diversos lugares, essa pessoa dedicou um olhar atencioso para Roças Novas: era o fotógrafo Góes. Observar e capturar a beleza das coisas era a sua profissão: conhecido por fotografar a rotina do presidente Juscelino Kubitschek, trabalhou no jornal Estado de Minas e em diversos órgãos de imprensa. Além de ter f**ado conhecido como o fotógrafo oficial do Palácio da Liberdade, ele mantinha um acervo com fotos históricas tiradas ao longo de sua carreira. Isso lhe facilitou acompanhar a vida política, cultural e esportiva de Minas e do país, preservando em seu acervo importantes imagens da memória de Belo Horizonte e de Santa Tereza, bairro onde residia e mantinha presença cultural ativa, sendo lembrado como uma de suas personalidades mais importantes.
Em Roças Novas, sua presença e olhar atento deixaram uma marca inesquecível na história. Além de fotografar diversos eventos sociais e culturais, José Góes gostava de ver as pessoas reunidas em torno da música. Admirador da banda local, ele frequentava e promovia serestas, serenatas, concurso de músicas e apresentações de cantores, para incentivar e fortalecer a vocação musical que observava em Roças Novas. Entusiasmado, convidava órgãos de imprensa e da TV para dar cobertura às nossas manifestações culturais. Segundo ele, Roças Novas guarda semelhanças com a cidade de Diamantina, terra de JK, que possui, na música, uma de suas mais importantes tradições culturais.
José Góes faleceu em 5 de janeiro de 2015. Enquanto permaneceu em Roças Novas, ele empreendeu ações que transformaram a vida da comunidade. Seu nome merece um lugar especial na galeria daqueles que contribuíram para que Roças Novas se tornasse “um lugar de gente feliz”.

UMA ESPIRITUALIDADE CENTENÁRIA EM ROÇAS NOVAS“O Reverendíssimo Pe. Octavio Gonçalves de Assis, vigário desta Freguesia e...
07/03/2025

UMA ESPIRITUALIDADE CENTENÁRIA EM ROÇAS NOVAS

“O Reverendíssimo Pe. Octavio Gonçalves de Assis, vigário desta Freguesia e, por isso, Director
da Associação S. Apostolado da Oração, previamente convocara todos os membros para a
organização da referida Associação, a qual fora iniciada em primeiro de fevereiro de mil
novecentos e vinte e quatro e se achava em lastimável estado de desorganização”. Com esse
registo feito no livro de atas aberto em 1927, sabe-se quando o Apostolado da Oração foi
fundado na Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus, localizada em Roças Novas, Caeté (MG): 1º
de fevereiro de 1924. Na época, o distrito não passava de um pequeno arraial, com poucas
casas ao redor da igreja, algum comércio e ruas sem calçamento. A maior parte dos
habitantes, por volta de umas mil pessoas, morava na “roça”, nas fazendas, e trabalhava na
lavoura. Participar de uma associação como essa, com reuniões mensais e obrigações
devocionais, exigia muita disposição e fé, pois ir da zona rural até a matriz demandava uma
boa caminhada a pé ou a cavalo. Apesar disso, seus membros foram perseverantes e o Apostolado chegou até o século XXI.
O primeiro livro de atas perdeu-se. A Paróquia preservou os demais e também livros de presença e da tesouraria que trazem informações preciosas sobre a vida paroquial e os esforços para manter ativa a associação do Apostolado da Oração. Assinaram a ata de 1927,
com data de 30 de janeiro, o pe. Octavio Gonçalves de Assis, a sra. Maria do Coração de Jesus
B. Costa, presidente, e o sr. Raymundo José da Costa, secretário. Havia mais 10 associados, sendo três do s**o masculino.
Ao longo desses mais de 100 anos de existência o Apostolado da Oração da Paróquia Nossa
Senhora Mãe de Deus teve presença marcante na história de Roças Novas. Dele participaram milhares de pessoas de diferentes gerações, com costumes e entendimentos distintos, conforme a época em que viveram. É que o AO (Apostolado da Oração), conservando a sua forma inicial, adapta-se às necessidades e cultura de cada tempo para conduzir seus membros a uma sólida e esclarecida espiritualidade. É o que se observou ao longo de toda sua atividade neste distrito. Esse Apostolado centenário tem muita gratidão a todos que fizeram sua história na vivência da espiritualidade e na ação evangelizadora neste distrito. Entre eles destaca-se a sra. Nair Magalhães Pinto, falecida em maio de 2024, aos 85 anos. Como coordenadora, ela zelou por alguns anos para que o AO não morresse em Roças Novas. Pagava com o próprio dinheiro algumas despesas necessárias; participava sozinha das reuniões da Forania, dos encontrões e das romarias da Diocese de Belo Horizonte; e preservou com cuidado todos os
livros e as bandeiras da associação.

O QUE É O APOSTOLADO DA ORAÇÃO

O AO (Apostolado da Oração) foi fundado em 1844, na França por jovens seminaristas l Jesuítas.
O objetivo desses seminaristas era o de oferecer orações e sacrifícios na intenção dos
missionários. A iniciativa deles prosperou e logo muitos outros grupos se formaram com o
primeiro nome de Liga de corações cristãos unidos ao Coração de Jesus. Foi necessário, então, organizá-los como um movimento espiritual da Igreja, criando-se os estatutos e buscando a
aprovação papal. Ao longo dos anos foram feitas mudanças e adaptações em seus estatutos
para que ele se ajustasse aos novos tempos. No Brasil, o movimento chegou primeiro em
Recife (PE), em1867; depois em Itu (SP), de onde se espalhou por todo o País. Atualmente, o
AO é um movimento católico que visa à evangelização e ao crescimento espiritual de seus
membros, composto por leigos e consagrados que têm especial devoção ao Sagrado Coração
de Jesus. Sua missão é rezar diariamente pelas intenções do Papa e pelas necessidades da
humanidade. A associação faz parte da Rede Mundial de Oração e é uma obra pontifícia, ou seja, é obra do papa.

O CENTENÁRIO DO APOSTOLADO DA ORAÇÃO EM ROÇAS NOVAS

Ao celebrar o seu centenário em 2024, o AO da Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus promoveu diversos eventos. O primeiro deles foi o “Encontrão”, realizado em 21 de abril de
2023, reunindo membros da Forania Nossa Senhora do Bom Sucesso, Arquidiocese de Belo
Horizonte, composta por paróquias de Caeté, Ravena, Nova União, Bom Destino e Taquaraçu.
Neste evento, que marcou a abertura do ano Jubilar, Roças Novas recebeu mais de 600
visitantes, entre sacerdotes, seminaristas e leigos das outras paróquias. Dezenas de ônibus e
vans estacionaram nas ruas. Muitos moradores locais envolveram-se nos preparativos e na logística para acomodar bem todos os participantes. A Escola Estadual José Pereira Cançado cedeu suas dependências; professores e alunos ajudaram na recepção, na distribuição de refeições e de lembranças. Para quem esteve presente, foi emocionante ver o
comprometimento de tanta gente, mesmo não sendo membro do AO.
O atual grupo do AO promoveu ainda Dia de Formação Espiritual, em 10 de fevereiro de 2024, aberto a todos os fiéis da paróquia e de cidades vizinhas. Além de celebrar os 100 anos, o
evento teve como objetivo avivar a fé de todos os participantes e demonstrar sua gratidão ao Sagrado Coração de Jesus que, ao longo da história do Apostolado em Roças Novas, reuniu centenas de devotos em torno de seu Amor e concedeu a cada um as graças necessárias para perseverarem nessa devoção e cumprirem sua missão cristã.
Em 2025, a celebração do Ano Jubilar encerrou-se no dia 8 de fevereiro, com um momento
bonito de espiritualidade e confraternização na igreja. Padre José Geraldo Alvarenga Silva, administrador paroquial e assessor espiritual do AO, abriu o encontro e presidiu a Adoração Eucarística, suscitando uma profunda comunhão espiritual entre os participantes. Neste
encontro também foi eleita uma nova coordenação forânica, para a qual foram escolhidos dois membros do AO de Roças Novas: Maria do Carmo Magalhães, como secretária, e Maria Terêzia, como vice-coordenador.
O Apostolado da Oração da Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus almeja continuar a
contribuir, pelos próximos anos, para que “a devoção ao Coração de Jesus não consista só na oração, mas seja principalmente uma devoção de perfeita imitação” de Cristo, conforme escreveu santa Margarida Maria, a grande mestra dessa espiritualidade.

Roças Novas, fevereiro de 2025
Maria Terêzia Dias

TRANÇANDO SONHOS E HISTÓRIAS Eustáquio Henrique dias é um jovem personagem da nossa história. Sua trajetória está ligada...
04/02/2025

TRANÇANDO SONHOS E HISTÓRIAS

Eustáquio Henrique dias é um jovem personagem da nossa história. Sua trajetória está ligada às origens mais remotas de Roças Novas: a criação de animais, o tropeirismo, as atividades agrárias.
Nascido na área rural do distrito, é filho de Terezinha Mathias Souza Dias e José Eduardo Dias; seu avô é Zé de Inhá (José Vicente Dias) um conhecido sitiante do nosso distrito.
Desde criança, vive em contato com os animais e essa experiência influenciou signif**ativamente suas escolhas. Até os 16 anos, seu principal meio de transporte era o cavalo, seguindo o costume do pai e do avô. Com eles aprendeu a lida com os animais e tomou gosto por esse universo.
Mas o menino quis ir além: decidiu aprender (sozinho) a fazer as traias* para montaria. Ficava encantado com aqueles adereços colocados nos animais, porém, como nem sempre eram bem conservados, decidiu aprender a fabricar; inicialmente para consertar, recuperar os arreios, dar a eles uma aparência melhor. Com o tempo, essa atividade virou seu “ofício de trabalho”.
Começou sozinho, fazendo charrua de linha para confeccionar cabrestos. Mas queria aprender a trabalhar com o couro. Apoiado pela mãe, aos 14 anos procurou o Sr Lulu, um experiente trançador de Caeté que, com dedicação e competência, lhe ensinou as noções básicas da atividade.
A partir dessa experiência enriquecedora, foi buscando outras referências. Viajou, conheceu mestres importantes como o Vicente Barcelos, com quem obteve um importante aprendizado.
E o menino Eustáquio tornou-se um profissional competente e reconhecido. Num trabalho minucioso como o seu, a prática tem mais relevância que a teoria. E ele seguiu em busca de aperfeiçoamento.
A lida com o universo rural e o desejo de buscar crescimento levou o jovem inquieto a decidir fazer faculdade: formou-se Engenheiro Agrônomo mas nunca abandonou o ofício de trançador.
Atualmente, Eustáquio é conhecido pela qualidade e beleza do seu trabalho. Conseguiu um nível de experiência e aperfeiçoamento que lhe permite fazer produtos de ata qualidade, tornando-se um profissional conhecido e respeitado entre os proprietários de animais que lhe fazem encomendas personalizadas.
Através do exercício de sua profissão, Eustáquio se relaciona com criadores de toda a região que atualmente possuem animais por motivos diversos: desde os pequenos criadores, que utilizam os animais como meio de transporte ou apoio em suas atividades do dia a dia aos proprietários de haras, que investem no aprimoramento das raças e na participação em competições. Além disso, há aqueles que veem nos animais uma forma de lazer e interação social.
As cavalgadas, atualmente promovidas pelas festividades religiosas no nosso distrito, se tornaram ocasiões para fortalecer laços comunitários, proporcionando momentos de amizade e confraternização entre os proprietários de toda a região.
A criação de animais foi essencial para o desenvolvimento e o abastecimento de Roças Novas desde o início do povoamento. O cultivo de gêneros alimentícios para prover a região mineradora marca o início da ocupação do nosso território e, desta forma, o trasporte das mercadorias dependia fundamentalmente dos animais de carga e dos tropeiros. Assim como em todo o território do Brasil colonial, os tropeiros foram figuras importantes: eles eram condutores de tropas ou comitivas de muares que transportavam mercadorias entre as regiões de produção e os centros consumidores. Durante boa parte do século XX o trabalho dos tropeiros continuava a ter fundamental importância para o abastecimento do comércio em nossa região.
Desta forma, a atuação de Eustáquio se estende além da relação profissional. Sua presença simboliza a ligação que temos com nossas raízes históricas e nos permite perceber um elo mais profundo entre o nosso presente e o passado, lembrando nossa identidade fortemente marcada pelas atividades rurais e pela interação entre os seres humanos e os animais.

*(conjunto de adereços usados nos cavalos para facilitar o manejo e embelezar a montaria: cabresto, cabeçada, taca, etc.)

Luzia Aves Magalhães – Janeiro de 2024

Professora Dionísia Inácio de LimaProfessora Dionísia Inácio de Lima é nome de uma rua em Roças Novas. É que nesta terra...
12/12/2024

Professora Dionísia Inácio de Lima
Professora Dionísia Inácio de Lima é nome de uma rua em Roças Novas. É que nesta terra, dona Dionísia exerceu por mais de 30 anos a missão de alfabetizar e ensinar crianças do ensino básico e, assim, várias gerações aprenderam a ler e a escrever com ela. E dona Dionísia foi muito mais do que professora. Ela foi mestra, exemplo, musiscita, teve uma participação ativa na comunidade roçasnovence e um papel pioneiro como mulher do seu tempo.
Nascida em 8 de outubro de 1890, um ano depois da Proclamação da República, Dionísia era filha de João Inácio e de Philomena Baptista de Lima. Estudou no Asilo São Luís, fundado em 1878, como pensionista ou mensalista, pois a instituição acolhia meninas órfãs ou de famílias vulneráveis, a fim de educá-las, mas também recebia meninas de famílias mais abastadas que pagavam mensalidade para ali estudar e, com isso, ajudavam a instituição. Conforme informou madre Maria Ângela do Coração de Jesus, no livro O pioneiro da Serra da Piedade, monsenhor Domingos Evangelista Pinheiro criou o “Asilo para a educação, alimentação e vestuário de meninas abandonadas, preferindo-se as nascidas de escrava”. Era, portanto, um colégio interno democrático e pluralista. E, no Asilo, havia uma Escola Normal, na qual Dionísia formou-se professora. Aí estão dois grandes diferenciais em sua vida: a convivência com jovens de diferentes origens sociais e a sólida formação intelectual e religiosa.
Terminados os estudos, a jovem Dionísia voltou para a fazenda do pai e logo depois casou-se com Joaquim da Silva Dias, membro da família Ferreira. O casal comprou uma casa feita de adobe atrás da Igreja Matriz. Os filhos que sobreviveram foram Mário, Oracina, Dimas e Joaquim. Mas a família sofreu um grande revés, quando, em 1925, Joaquim morreu, vitimado por uma epidemia de gripe. O filho caçula ainda estava no ventre de sua mãe e recebeu o nome Joaquim em homenagem ao pai falecido. Viúva e com quatro filhos menores para criar, Dionísia assumiu sozinha toda a responsabilidade pela família. Isso não era comum naquela sociedade patriarcal do começo do século XX, quando se consideravam as mulheres como legalmente incapazes, obrigadas à obediência e submissão ao pai, marido ou irmão mais velho, sem nenhuma autonomia para tomarem suas próprias decisões. O voto, por exemplo, só veio a ser um direito feminino em 1932.
Dionísia, porém, já era professora, contratada pela secretaria estadual de educação de Minas Gerais para lecionar em Roças Novas e, com coragem e determinação, recusou-se a casar novamente ou a voltar para a casa dos pais, seguindo como chefe de sua família. Isso constituía uma ousadia, quase uma rebeldia, e suscitava preconceito e perseguição. E, como sabia música, passou a tocar o órgão da igreja e a ensaiar o coral para as missas. Quando a situação econômica da família f**ava apertada, ela se punha a fazer “quitandas” (bolos, biscoitos, pães e doces) para vender na rua. E plantava horta, criava porcos e galinhas, lavava, passava, cozinhava.
Tudo isso não era considerado por ela como uma batalha ou um sacrifício. Era um desafio que ela assumia com amor e alegria. Os momentos mais dolorosos foram as despedidas de cada filho que partia para as cidades maiores, a fim de continuar os estudos e progredir profissionalmente. Mario foi o primeiro a desbravar caminhos desconhecidos e novos nas grandes cidades. Oracina partiu em seguida para estudar em Belo Horizontes, no colégio dirigido pela congregação Missionárias Servas do Espírito Santo, na qual se consagrou religiosa com o nome de irmã Felicidade. Depois partiu o terceiro filho, Dimas, que trabalhou em diferentes cidades de Minas Gerais até se fixar na cidade de São Paulo. Por último, saiu Joaquim, prestou o serviço militar em Juiz de Fora e formou-se contador e advogado. Mário e Joaquim voltaram a morar em Roças Novas depois que se aposentaram.
A professora Dionísia Inácio de Lima morreu no dia 25 de julho de 1985, com quase 95 anos. Presenciou as grandes transformações políticas, sociais, econômicas, culturais, tecnológicas e religiosas do século XX. Viveu intensamente o seu tempo, sem nunca deixar de morar em Roças Novas. O grande legado que ela deixou para seus descendentes, para as mulheres – as de sua família e muitas outras – e para os habitantes de Roças Novas foi seu pioneirismo: a postura de mulher digna, independente, cristã, honrada e corajosa fazem-na merecedora ser lembrada sempre pelos roçasnovences de todos os tempos.
Maria Terêzia Dias da Silva
18/setembro/2024

Eloi Evangelista Marques GuimarãesEsse homem foi um dos personagens mais importantes para desenvolvimento cultural e soc...
11/11/2024

Eloi Evangelista Marques Guimarães

Esse homem foi um dos personagens mais importantes para desenvolvimento cultural e social de Roças Novas. Eloi Guimarães nasceu no Morro Vermelho, distrito de Caeté e veio para Roças Novas através do seu primo, padre Benjamin Guimarães. Veio com a missão de estruturar e revitalizar a banda de música de Roças Novas.
Aqui chegou com a família, ensinou pessoas, formou novos músicos e foi regente da banda, funções que desempenhou com muito amor e dedicação. Além de professor de música e regente, Sr. Eloi era um exímio clarinetista e um grande contador de causos.
Época difícil, de recursos escassos, Sr. Eloi cuidava dos instrumentos, fazia os consertos necessários com as próprias mãos e escrevia partituras à luz de velas. A banda possui ainda hoje um vasto repertório de músicas copiadas e algumas até compostas por ele, com tanto sacrifício, com pena e tinta, num tempo em que ainda não se sonhava com o xerox.
Além do seu trabalho com a banda, desempenhou outras funções importantes para a comunidade: foi dentista e ajudou muitas famílias com seu tratamento homeopata, já que
era um profundo conhecedor de ervas medicinais.
Ele não apenas construiu uma trajetória pessoal admirável, mas também ajudou a moldar a identidade de Roças Novas, incentivando a participação cidadã e o respeito às tradições
locais. Com seu carisma e sendo líder de uma comissão que cuidava das propriedades da igreja, viabilizou, junto ao padre Benjamin, a doação de uma área para a construção do campo
de futebol, que até hoje é usado pela nossa comunidade.
É fundamental que sua história seja contada e que suas contribuições sejam reconhecidas, não apenas para honrar sua memória, mas também para motivar as futuras
gerações a seguir seu exemplo de dedicação e amor pela comunidade. Seu legado nos inspira a valorizar nossas raízes e a lutar por um futuro melhor.

Texto: Élcio Luiz de Assis

Essa casa, situada à Praça Padre José Gonçalves, tem um valor muito grande para o desenvolvimento de Roças Novas. Nela f...
22/10/2024

Essa casa, situada à Praça Padre José Gonçalves, tem um valor muito grande para o desenvolvimento de Roças Novas. Nela funcionou um importante ponto de comércio de Roças Novas, o comércio do Sr Rachid, primeiro Sírio a se estabelecer em Roças Novas. Casado com uma ex escravizada, aqui formou sua família, a família Sírio, que tem inúmeros descendentes no distrito.

No decorrer do tempo, foi neste lugar que, por muitos anos, se estabeleceu a venda e a residência do Sr Geraldo Afonso, um descendente de português, que ali vivia com sua família.

E foi neste mesmo endereço que foi instalado o primeiro telefone público de Roças Novas. A telefonista era uma das filhas do Sr Geraldo Afonso, a saudosa Elizena Afonso, importante liderança da nossa comunidade.

Élcio Luiz de Assis

Foto: Cleber De Assis Assis

300 anos  -  José BoanergesJosé Boanerges Inácio nasceu em 1932, filho de João Inácio Junior e Maria José Afonso Inácio,...
09/10/2024

300 anos - José Boanerges
José Boanerges Inácio nasceu em 1932, filho de João Inácio Junior e Maria José Afonso Inácio, ambos de famílias radicadas nessas terras desde que foi surgindo o pequeno aldeamento em torno da igreja Nossa Senhora Mãe de Deus, chamado Roças Novas. Seu avô, João Inácio foi um grande e importante fazendeiro, dono de muitas terras nos arredores, muito respeitado por todos e pai de 14 filhos. O pai de José Boanerges, conhecido como Zinho, tinha uma casa na rua ao lado da Igreja Matriz (hoje Praça Padre José Gonçalves) que era bem conhecida de todos os moradores. Lá, Maria José, chamada familiarmente de Boboa, tinha sempre um cafezinho na boca do fogão a lenha para oferecer aos visitantes. Lia, a segunda filha de Zinho e Maria, foi professora durante muitos anos na escola local e várias gerações de roçasnovences foram alfabetizadas por ela. O irmão caçula, também chamado João, era portador de deficiência intelectual (Síndrome de Dow) e muito considerado por todos no arraial.
José Boanerges conta que na primeira metade do séc. XX, época de sua infância, não havia ruas em Roças Novas. Eram apenas caminhos que levavam e traziam vacas e bezerros do pasto, os mesmos usados pelos moradores para irem e voltarem das fazendas e das roças. Um grande espaço de terra entre a igreja e as casas ao seu redor era chamado de rua. Não havia água encanada e os moradores abasteciam suas casas com a que pegavam nos chafarizes. Enchiam latas de água para cozinhar, lavar roupas e vasilhas e para o banho de bacia ou de canequinha. Não existiam banheiros nem vasos sanitários e as necessidades fisiológicas eram resolvidas mesmo nos quintais ou no mato.
Como a água, que vinha da fontinha, não era tratada, surgiam muitas doenças e verminoses. E, como também não havia médicos ou farmácias por perto, as doenças eram tratadas com ervas e plantas já conhecidas por todos. Naquele tempo, contava-se com bons curandeiros e parteiras. Era um estilo quase como o do período colonial, simples e rústico. Mas José Boanerges não considera isso como atraso. Era o que se tinha na época e todos estavam acostumados.
Por volta de seus 9 ou 10 anos, José Boanerges ia a cavalo buscar e levar o pe. José Bollinger, scj que morava no Santuário Nossa Senhora da Piedade e celebrava as missas na Igreja Nossa Senhora Mãe de Deus. O padre se afeiçoou ao menino e conseguiu para ele uma vaga para estudar no seminário da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, em Lavras. E José Boanerges deixou sua terra natal muito jovem, só voltava nas férias e não acompanhou de perto as mudanças que começariam a acontecer a partir dos anos de 1950.
Ele saiu do seminário e foi morar na cidade de São Paulo, desenvolvida capital do Estado do mesmo nome. Lá, casou-se com Dalva Azevedo e tiveram dois filhos. Dalva assumiu a terra do marido como sua também e teve uma participação marcante na vida do lugar. A família continuou a passar as férias em Roças Novas e todos têm muitos casos e lembranças para contar sobre o Distrito.
Com seus mais de 90 anos, José Boanerges guarda carinhosas lembranças de sua infância e adolescência nesse lugar. “A vida era caseira, simples e aconchegante; o fogão a lenha, as Festas da Padroeira e as procissões, sempre tãoo lindas e com grande participação popular”, lembra. “Parabéns Roças Novas pelos seus 300 anos”, conclui ele. “Foram muitas lutas, muito trabalho e o empenho de muita gente para chegar ao tricentenário. Que os moradores de hoje saibam valorizar e preservar tudo isso”.
Maria Terêzia Dias
16/set/2024

“Só quase lugar, mas tão de repente bonito”, frase de Guimarães Rosa, referindo-se a Cordisburgo, que também veste como ...
10/09/2024

“Só quase lugar, mas tão de repente bonito”, frase de Guimarães Rosa, referindo-se a Cordisburgo, que também veste como uma luva Roças Novas, um lugar que geralmente encanta os passantes: interior, aconchego, sossego, vento, clima agradável para quem aprecia mais frio, do que calor. Paisagens bonitas, café com quitanda, queijo e goiabada, viola enluarada.

Por aqui as crianças ainda brincam na rua e até carrinhos de rolimã têm acontecido na minha janela. As pessoas se conhecem e se cuidam de várias maneiras: pode-se contar com o vizinho para pegar uma encomenda que chega, pra uma carona na subida do morro, pra um almoço ou até uma cama para o filho em algum imprevisto qualquer.
Quando o caso é de doença , ou algo de maior gravidade, a solidariedade sempre aparece de todas as partes.

Laços fortes tecem as relações nesse lugar, de parentesco, de vivências, de religiosidade, de amizade, de música, de amor, das múltiplas trocas do cotidiano.

Quem por aqui faz morada também é agraciado; se por um lado não conta com algumas benesses da cidade, também não sofre com suas mazelas. Os sentidos, por mais distraídos que sejam, colhem espontaneamente o canto dos pássaros, vibram com o vento, apreciam a paisagem rural, sentem o cheiro do tempero da vizinha e, às vezes, ganha até uma provinha. Borboletas azuis bailando pelas estradas, mata adentro, comprovam a quantidade do ar. Cá estamos resguardados da poluição visual, sonora, da miséria e da violência latente e diária que assola os grandes centros urbanos, claro, de quando em vez acontece por aqui e algumas pessoas, infelizmente, já foram vítimas, mas é numa proporção muito menor.

O visual da praça da matriz merece zelo de olhar, o céu, as nuvens, as palmeiras imperiais compõem o cenário perfeito tanto pro sol, como pra lua. O pôr do sol visto dali é um deslumbre em qualquer estação.

Mas nem tudo isso garante paraíso,
muitas coisas básicas e direitos essenciais minguam por aqui, as crianças e adolescentes não contam com nenhuma opção de lazer ou esporte ofertada pelo poder público, nenhuma linha própria de ônibus nos atende, e até a equipe do posto de saúde é dividida com outra comunidade. Precisávamos de um médico e uma equipe exclusiva para atender de forma mais plena e digna a comunidade, todos os dias da semana. Isso só para citar algumas dificuldades, filtradas pelo olhar das minhas prioridades, muitas outras desfilam na passarela das necessidades de cada um. Contamos com o mínimo do que temos direito e tão pouco temos capacidade de mobilização; a inércia do comodismo e da falta de união nos atinge e simplesmente seguimos…, como diz a música, “com passos de formiga e sem vontade".

É importante entender que um lugar tão especial como Roças Novas merece mais atenção do poder público, quase tudo funciona no limite do mínimo que se pode oferecer.

A vida ainda poderia ser muito mais feliz por aqui, jeito tem e depende basicamente de se fazer cumprir o que é nosso por direito.

Andréia Silva

Foto: Cleber De Assis Assis

Endereço

ROCAS NOVAS
Caeté, MG
34950-000

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