CALPI - Comitê de Apoio a Luta dos Povos Indígenas

CALPI denuncia ataque armado e tortura contra mulher Guarani-Kaiowá em Caarapó (MS)O Comitê de Apoio à Luta dos Povos In...
02/02/2026

CALPI denuncia ataque armado e tortura contra mulher Guarani-Kaiowá em Caarapó (MS)
O Comitê de Apoio à Luta dos Povos Indígenas (CALPI) denunciou um grave episódio de violência ocorrido no tekoha Guyraroká, território tradicional do povo Guarani-Kaiowá, localizado no município de Caarapó, em Mato Grosso do Sul. Segundo a entidade, o ataque aconteceu na noite de 27 de janeiro de 2026, por volta das 22h58.
De acordo com a denúncia, homens armados invadiram a residência de uma liderança indígena com o objetivo de localizá-la. No local, no entanto, encontrava-se apenas a irmã da liderança, que teria sido mantida sob cárcere e submetida a tortura para que informasse o paradeiro da pessoa procurada.
Ainda conforme o relato, a mulher foi amarrada, imobilizada e amordaçada dentro da própria casa, além de sofrer ameaças graves. Entre os atos de violência descritos está a colocação de um revólver em sua boca, como forma de intimidação. Mesmo sob coação, a vítima não revelou qualquer informação. Os agressores deixaram o local posteriormente, abandonando-a ainda amarrada.
O CALPI classifica o episódio como um ato de terror e intimidação, destacando que a violência não atinge apenas a vítima direta, mas gera insegurança e medo em toda a comunidade indígena de Guyraroká, caracterizando uma grave violação de direitos humanos.
Diante do ocorrido, o comitê convoca todos os democratas a intensificar as denúncias de crimes cometidos contra os povos indígenas, assim como, cobra providências imediatas das autoridades competentes, incluindo a investigação dos crimes, a identificação e responsabilização dos envolvidos e a adoção de medidas efetivas de proteção às lideranças indígenas, às mulheres e à comunidade local.

Viva à Luta dos Povos Indígenas no Brasil!

Comitê de Apoio à Luta dos Povos Indígenas

"MS liderou casos de homicídios de indígenas em 2024Mortes estão ligadas a conflitos territoriais, consumo de álcool e v...
28/07/2025

"MS liderou casos de homicídios de indígenas em 2024

Mortes estão ligadas a conflitos territoriais, consumo de álcool e violência policial

Mato Grosso do Sul está entre os estados brasileiros que mais registraram homicídios de pessoas indígenas em 2024. Os dados constam no Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), divulgado nesta segunda-feira (28). Segundo o levantamento, o Estado figura entre os três com maior número de assassinatos de indígenas, somando 33 casos no ano.

Entre os registros, os principais meios utilizados foram arma branca e arma de fogo. O dossiê aponta que o ano foi marcado por uma série de conflitos territoriais e assassinatos motivados por brigas ou desavenças, agravadas pelo consumo de bebida alcoólica. Das 35 vítimas de homicídio registradas em todo o país, 16 ocorreram em Mato Grosso do Sul. Metade dos homicídios registrados no Estado aconteceram em Dourados.

Das 33 mortes contabilizadas pelo relatório no Estado, 26 vítimas eram do s**o masculino. Um dos casos mais emblemáticos foi o assassinato de Neri Ramos da Silva, jovem Guarani Kaiowá de 23 anos, morto com um tiro na cabeça durante uma operação policial no território Ñande Ru Marangatu, em Antônio João.

O documento também registra 19 casos de homicídio culposo contra indígenas em 2024. Desses, seis ocorreram em Mato Grosso do Sul, vitimando sete pessoas. Um dos casos mais graves envolveu a morte de Raquel Daniel Isnarde e do feto de dois meses que ela carregava. Grávida, Raquel foi internada no Hospital da Missão Kaiowá, em Dourados, com convulsões e fortes dores abdominais.

Após a transferência para o Hospital da Vida, foi informado o falecimento do bebê. Pouco tempo depois, Raquel também morreu. Investigações indicam que os sintomas começaram após pulverização de agrotóxicos próximo à sua residência. Foram apreendidos 750 litros de agrotóxicos vencidos e aplicadas multas que somam mais de R$ 1 milhão no Estado.

Mato Grosso do Sul também lidera o número de casos de lesão corporal contra indígenas. De 19 ocorrências no país, 13 aconteceram no Estado. Entre os casos mais emblemáticos, estão uma ação da Polícia Militar durante a desobstrução da Rodovia MS-156 (que também aparece entre os episódios de abuso de poder) e a agressão a um jovem indígena por jagunços de uma fazenda sobreposta a território tradicional.

O relatório aponta ainda dois casos de abuso de poder registrados em Mato Grosso do Sul. Um deles envolveu os povos Guarani Kaiowá e Terena, em Itaporã, em novembro de 2024. Durante uma manifestação contra a falta de abastecimento de água, uma ação da Polícia Militar para desobstrução da rodovia MS-156 deixou 15 indígenas feridos, incluindo duas mulheres e uma criança, que precisaram ser hospitalizadas. Segundo o documento, a tropa de choque avançou contra os manifestantes, invadiu a Aldeia Jaguapiru e atacou casas e uma escola.

O outro caso ocorreu em Antônio João. Conforme o relatório, um homem Guarani Kaiowá de 33 anos foi agredido enquanto pescava na Fazenda Barra, situada no território Ñande Ru Marangatu. Durante a abordagem, policiais teriam utilizado spray de pimenta, choque elétrico, chutes e golpes, deixando a vítima desacordada por horas. Ele foi levado posteriormente ao presídio de Ponta Porã, onde permaneceu encarcerado por três dias.

[...]

No total, foram registrados 35 casos de “ameaças diversas” contra povos indígenas em 2024. Mato Grosso do Sul aparece entre os cinco estados com maior número dessas ocorrências. O relatório destaca o resgate de trabalhadores indígenas em condições análogas à escravidão na zona rural [...]

Discriminação
Conforme o levantamento, Mato Grosso do Sul também é o estado com maior número de registros de casos de racismo e discriminação étnico-cultural em 2024. Um dos episódios mais emblemáticos foi a queima da casa de reza no território retomado de Kunumi Vera, em Caarapó, ocorrida em fevereiro do ano passado. Outros registros incluem discriminação no atendimento em hospitais, por parte de policiais, e discursos de ódio promovidos por políticos ligados à extrema-direita.

Um dos casos ocorreu em Campo Grande, quando uma menina indígena de oito anos foi vítima de bullying. Segundo o relatório, havia uma frase escrita no banheiro da escola que desrespeitava a cultura indígena e continha palavras agressivas direcionadas à criança.

Violências Se***is
Assim como nos demais tipos de violência analisados, Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com maior número de casos de violência sexual contra crianças, adolescentes, homens e mulheres indígenas. Dos 20 registros feitos em 2024, cinco ocorreram no Estado, que ocupa o segundo lugar no ranking nacional. [...]

Todos os registros feitos em Mato Grosso do Sul ocorreram no âmbito familiar. Três deles aconteceram em Caarapó, um em Dourados e outro em Amambai.

Por Clara Farias | 28/07/2025 15:25... veja mais em https://www.campograndenews.com.br/brasil/cidades/ms-liderou-casos-de-homicidios-de-indigenas-em-2024

PODER JUDICIÁRIO: CONSERVADOR OU REACIONÁRIO, QUANDO O ASSUNTO É TERRA INDÍGENA?O judiciário amazonense decretou que os ...
30/04/2025

PODER JUDICIÁRIO: CONSERVADOR OU REACIONÁRIO, QUANDO O ASSUNTO É TERRA INDÍGENA?
O judiciário amazonense decretou que os proprietários da empresa Amazonas Empreendimentos Ltda., CNPJ 15.777.691/0001-01, Phelippe Daou Júnior e Cláudia Maria Daou Paixão e Silva devem ter posse das suas terras novamente, mesmo que para isso tenha que se remover 40 famílias indígenas da etnia Kokama de um lote situado no Km 35 da AM-010, que liga Manaus ao município de Itacoatiara (AM). Phelippe e Cláudia também são donos da Rede Amazônica, filial da TV Globo no Amazonas.
A decisão liminar foi deferida no dia 8 de janeiro deste ano, pelo juiz Rosselberto Himenes, da 8ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho de Manaus.
A cacica da comunidade Uka Tap+Ya Elly de Oliveira Cordeiro afirmou: “Eles não têm como comprovar nada. Nós temos uma documentação do Incra, não somos invasores. A terra está devoluta, não tinha nenhum tipo de atividade. Eles alegam que a gente expulsou um caseiro e nós temos provas. Então, eles vão agir com vários argumentos, já nós não temos o que falar deles, porque eles não conviveram e não convivem com a gente“.
Este mesmo modo de latifundiários e burguesia nacional usarem do judiciário para manter o “status quo” de vulnerabilizar os indígenas que lutam para tomar suas terras novamente é vistos nos processos judiciais envolvendo os Guarani-Kaiowá em Mato Grosso do Sul.
Em Mato Grosso do Sul, a liderança indígena Magno de Souza foi intimada no processo 5000839-48.2023.4.03.6002 como um dos possíveis representantes dos interesses da Terra Indígena Ywu Verá no município de Dourados-MS.
O processo judicial que corre na Justiça Federal da 3º Região – 1º grau trata da matéria de reintegração e manutenção de posse diante do suposto esbulho e ameaça à propriedade da C P MS 02 Dourados Empreendimentos Imobiliário SPE LTDA que é representado pelo escritório advocatício de Renato de Aguiar Lima Pereira.
Segundo o patrono da causa, a empresa imobiliária está disposta a realocar 50 famílias Guarani-Kaiowá em outras áreas que já estão sendo ocupadas pelas famílias.
Em nota lançada por membros da comunidade indígena Ywu Verá em Abril de 2025, não aceitam a proposta de acordo feito pela incorporadora e intermediada por agentes púbicos da FUNAI pois afirmam que as “áreas de relocação” já são áreas ocupadas por famílias indígenas. .
Este fenômeno de desterritorialização de indígenas, seja na maior comunidade indígena como na Amazônia, seja nas áreas de conflitos fundiários mais agudizados, como no Mato Grosso do Sul, tem o caminho do judiciário como a “via legal” de se resolver conflitos de classes antagônicas. Ocorre que, visualizando as decisões judiciais sobre esta temática tem-se que o judiciário há de decidir pela reintegração de posse e o despejo das famílias das retomadas de terra.
No caminho de destruir o latifúndio para democratizar e desenvolver as terras no Brasil, os povos indígenas enfrentam um judiciário com princípios positivistas, formalistas, burocráticos que asseguram aos ricos e poderosos o acesso às terras enquanto vulnerabilizam e alienam os povos com falsas promessas de demarcação das terras indígenas pelo Brasil, o que na prática não se vislumbra.
Viva a Luta dos Povos Indígenas!
Fonte: https://revistacenarium.com.br/donos-da-filial-da-tv-globo-no-am-conseguem-decisao-judicial-para-remover-indigenas-de-comunidade/

23/10/2024

Yakui Tupinambá crítica Luiz Inácio sobre aspectos desta Velha Democracia.

“Temos hoje o pior Congresso da história da república. Um Judiciário egocêntrico e parcial. Um governo – que sabemos o motivo, senhor presidente –, enfraquecido, acorrentado, que faz alianças e conchavos para se manter no poder”. Assim disse Yakui Tupinambá, liderança deste povo, em evento solene oficial, no dia 12 de setembro.

A leitura do discurso carregado de teor crítico, mesmo que com crítica não tão profunda, porém, com uma fala contundente que fora feita por uma legítima representante indígena, foi um golpe para Luiz Inácio. Durante essa fala, a televisão estatal flagrou as “caras e bocas” de Luiz Inácio e Janja, primeira-dama, numa reação iracunda às verdades lançadas ali em suas caras, como se fossem aquelas palavras desaforos de uma gente ingrata. Cena patética, um colérico Luiz Inácio, ao tomar a palavra, censurou a liderança do povo Tupinambá com clara intenção de intimidá-la, falando quase aos berros, sugeriu-lhe “mudar o discurso”. Com tal grosseira insinuação de que a liderança indígena não possuía “inteligência política”, tentou justificar sua política de tudo ao “agronegócio” e pouco ou nada aos indígenas, camponeses e quilombolas que não entendem “que o governo é minoria” nas casas legislativas.
Enquanto posa de sabichão da política, para o qual inteligência significa esperteza e velhacaria, Luiz Inácio agiu como um tolo. Fosse verdade sua miserável justificativa, da “minoria parlamentar”, então é justo que nos perguntemos: por que não vivíamos, de 2005 a 2013, no “paraíso socialista” pequeno-burguês que tanto fora prometido nos programas partidários do PT e na verve de determinadas figuras oportunistas? Afinal, naquele período com acordos tão espúrios como os de hoje, o PT e seus presidentes reinaram absolutos, com maioria em ambas as casas legislativas. Não, não é a falta de “maioria parlamentar” e nem a “correlação de forças” nunca favorável que forçam o governo oportunista a ser, na prática, um governo direitista: o governo é direitista porque, de fato, seus cabeças creem que nenhuma mudança radical da sociedade é possível e, portanto, mais vale se cacifar perante as classes dominantes, ganhar seu aval para administrar a velha ordem de exploração e opressão do povo na promessa vã de fazê-la menos brutal do que deixar que a direita tradicional e extrema-direita gerencie sua manutenção – e nisso, objetivamente, apenas reforçam a escravidão das massas pobres ao fazê-las crer ser sua política o melhor possível, frustram-na e adubam terreno para a reação extrema. Portanto, Yakui está certa.

Mas, vejam, para provar que o Luiz Inácio não é indiferente às demandas do campesinato, o governo anunciou recentemente desapropriação de 174,8 mil hectares de terras para a “reforma agrária”. No portal oficial do governo, se lê que “o objetivo é avançar na regularização fundiária”. Sim, promover regularização na estrutura fundiária… com míseros 174,8 mil hectares. Piada, para não dizer cinismo descarado. Para se ter ideia do ridículo, o reacionário “neoliberal” FHC – como gostam de chamá-lo –, em 1998, em três anos de governo, desapropriou 4,9 milhões de hectares, o que já era uma brincadeira de mau gosto. Luiz Inácio, em dois anos de seu terceiro governo, consegue a marca de fazer 3,5% do que fizera FHC em seu primeiro mandato.

Com isso, Urge ao movimento popular e democrático levantar alto a bandeira da Revolução Agrária ante a Velha Democracia Burguesa e contrapor essa Velha Ordem de enganações e opressão que os povos do campo e das cidades vivem.

Terra Indígena Kayapó: quatro policiais civis e militares são presos por formarem milícia que controla garimpos em Reden...
11/10/2024

Terra Indígena Kayapó: quatro policiais civis e militares são presos por formarem milícia que controla garimpos em Redenção-PA.

Entre os policiais presos está um delegado da Polícia Civil que é casado com uma juíza do Tribunal de Justiça do Pará. A decisão judicial que determinou a prisão dos agentes de polícia ainda registra “utilizando-se de seu cargo público para amedrontar rivais, em quase regime de milícia. Ou seja, para além de se beneficiar dos crimes, para os quais foi encarregado de combater, ele mesmo passou a praticá-los”.

Segundo consta nos inquéritos policiais, mais nove pessoas tiveram o pedido de prisão preventiva decretada, com é o caso do político e empresário de Redenção, Pero Lima dos Santos, ex-vereador e servidor público do município.

Atualmente o garimpo Maria Bonita é o maior aberto na terra indígena Kayapó, no Pará. Ainda, as investigações apontam que a milícia tenha se abastecido também com minério da T.I. Yanomami, em Roraima.

Fonte: Investigação aponta policiais como donos de garimpos de ouro em terra indígena. Disponível em: . Acesso 11/10/24.

A ABSOLUTA ESCALADA DA GUERRA CIVIL NO CAMPO BRASILEIRODiante da necessidade em intensificar as ações de combate à ofens...
29/09/2024

A ABSOLUTA ESCALADA DA GUERRA CIVIL NO CAMPO BRASILEIRO

Diante da necessidade em intensificar as ações de combate à ofensiva reacionária da extrema-direita, as condições materiais exigem que os chefetes contrarrevolucionários sejam expostos ao povo para que estes liberem todas as energias de luta popular no único sentido de sua emancipação.

O assassinato de Neri Ramos da Silva ocorrido no dia 18 de setembro de 2024 na terra indígena Nhanderu Marangatu, no município de Antônio João-MS, comprovou a determinação do Estado brasileiro, através dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, de por em campo de batalha a força repressiva da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) como infantaria na luta pela terra. Esta foi mais uma declaração de guerra do Poder estatal contra os povos indígenas no Brasil. Foi mais uma declaração de que: se os povos indígenas partirem para a autodemarcação de suas terras tradicionais, tomaram tiros.

Neste episódio, não foram os civis da extrema-direita organizada, como é o caso do Invasão Zero, que estavam no fronte da disputa fundiária, mas sim, a própria força policial do Estado, que no MS é dirigida por contrarrevolucionários. Isso não pode ser surpresa para ninguém: por mais que a sistemática e diária campanha de embelezamento do processo eleitoral pretenda nos convencer que vivemos numa “democracia”, a realidade nua e crua é de injustiças e de privilégios indecentes para os ricos, como no caso deste covarde assassinato, por que, deixa estampado que não vai mais além do simulacro da velha democracia burguesa, esvaziada de quase todo seu conteúdo.

Guerra civil no campo, essa é a realidade absoluta e o absoluto se entende porque se auto-revela. A ação que matou Neri Kaiowá, Nega Pataxó e Melquisedeque Gomes, foram coordenadas por contrarrevolucionários: Polícia Militar, grupo de latifundiários, mandos de pistolagem, que atuam de forma unificada na repressão militar à luta pela terra.

No oeste do Paraná, os Avá-guarani, em Guaíra, tiveram seis dos seus feridos em um ataque coordenado pelo latifúndio, no dia 28 de agosto de 2024. “Eu já passei por alguns ataques, mas ontem eu vi que eles não têm mais medo de mostrar a arma”, disse uma dos vitimizados. Não restam dúvidas de que as zonas rurais do Brasil se converteram em campo de batalha, cindido entre o que há de mais são na sociedade brasileira, o campesinato pobre, indígenas, remanescentes de quilombolas, as massas trabalhadoras, pequenos e médios proprietários da cidade e intelectualidade progressista, por um lado e por outro, a camada parasitária da Nação, o que há de pior na herança maldita de cinco séculos de servidão, de quase quatro de escravidão e de genocídio.

Diga-se de passagem, a tal “Frente Parlamentar do Agro”, por trás de tudo isso, é representante, nas estruturas do velho Estado, de quem detém o Poder de fato, o latifúndio. Arthur Lira o exerce. E o exerce com autoridade: agora mesmo, Luiz Inácio está cogitando colocá-lo como ministro em seu governo, já que o mandato de presidente da Câmara dos Deputados acabará em breve. É o “dois combinam em um” do PT: unir o bolsonarismo (comedido) com o oportunismo (reformismo sem reformas), para tentar manter-se equilibrado na corda bamba que é a coalizão com que governa. O resultado, claro, só poderá ser a prevalência ainda mais escandalosa dos interesses latifundistas: ou, em outras palavras, no genocídio contra os pobres do campo, atentados armados e a guerra civil. O bolsonarismo – e somente ele – ganha com isto, pois, o apagamento das diferenças entre bolsonarismo e a pretensa esquerda, só fortalece os primeiros e seus planos de estabelecimento de um regime militar. As massas, principalmente no campo, estão se levantando parte por parte, e opondo resistência crescente e à altura. Mais dias ou menos dias, a guerra civil, que de forma latente já existe, se irromperá de forma explícita.
Os revolucionários e em parte, democratas e progressistas almejam sua eclosão e anseiam pelo momento em que as massas camponesas, indígenas e quilombolas em luta pela terra a converterão em declarada insurgência. Séculos de opressão se desmoronarão com a rebelião das massas pobres do campo, a cujos ecos se unirão as massas das grandes metrópoles. “E a nossa guerra é sagrada, a nossa guerra não falha”, já dissera Vinícius de Moraes, na década de 1960, ao cantar o nascimento e crescimento das Ligas Camponesas.

Em meio à crise que se arrasta há dez anos, de ofensiva contrarrevolucionária, o povo brasileiro se defronta com a difícil situação de identificar quais são os seus inimigos e quem são seus verdadeiros amigos, confundida que se acha sua maior parte pela ação ilusionista do oportunismo que lhes promete maravilhas, mas entrega a realidade de uma democracia de merrecas para as massas trabalhadoras e bilhões para os ricaços. Ambos os lados (isto é, oportunismo e bolsonarismo), enfiados até o último fio de cabelo na farsa eleitoral. E o movimento revolucionário ainda está por dar o salto para romper a “censura” que lhe impõem os monopólios de imprensa e essa ação nefasta de assistencialismo e corporativização que o oportunismo eleitoreiro exerce sobre as massas, tudo no objetivo de ocultá-lo.

É necessário intensificar as ações de combate à ofensiva contrarrevolucionária da extrema-direita e desmascarar seus chefetes pescadores de águas turvas e essa esquerda burguesa oportunista e sua coalizão com a direita liberal, todos afundados nas disputas interimperialistas, peões de tabuleiro de xadrez que deles são, bem como limpar as fileiras do movimento revolucionário de todo tipo de quinta coluna, os arregões, chorões e fujões para caminharem a linha da luta popular no único sentido de sua emancipação: que haja uma separação clara entre os fortes e os fracos para o avanço da revolução!

Neri da Silva, presente na luta!
Fred Souza Garcete, presente na luta!
Viva a Luta dos Povos Indígenas no Brasil!
Destruir o latifúndio!

Comitê de Apoio à Luta dos Povos Indígenas - CALPI

23/07/2024

Criminalização do povo e morosidade nas punições de latifundiários no MS

Hoje, dia 22 de julho de 2024, Leonardo de Souza, pai do agente de saúde Clodiodi de Souza e do professor Jesus de Souza, este que morreu de covid-19 em 2021, compareceu na Delegacia de Polícia Civil de Caarapó (MS) a fim de prestar depoimento de fatos ocorridos durante o período em que ocupou o cargo de vice-capitão (2014-2015) na Aldeia Tey Kue, mesmo local em que ocorreu o Massacre de Caarapó [1].

Após a assinatura de seu depoimento, o Kaiowá Leonardo manifestou-se sobre a criminalização de sua atuação política na comunidade indígena em face da até então impunidade dos mandantes e executores dos crimes de homicídio contra seu filho. É necessário afirmar: Leonardo é um criminalizado político, mostrando o caráter anti-povo do Estado, que não é só cumplice do assassinato do filho como ainda prende seu pai.

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[1] Nota de apoio ao povo Guarani-Kaiowá em luta pela punição dos mandantes e executores do criminoso e covarde Massacre de Caarapó escrita pelo CALPI. Disponível em https://www.instagram.com/p/CYt6jGelHzt/?igsh=MWw1M2N2a2Q3MnZhag==

Denuncia da comunidade tradicional indígena Guarani Kaiowá, Tajassu Ygua, no município de Douradina, aponta agressões e ...
08/06/2024

Denuncia da comunidade tradicional indígena Guarani Kaiowá, Tajassu Ygua, no município de Douradina, aponta agressões e perseguições de agentes da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e de seguranças privados das lavouras privadas da região.
Segundo relatado pelos Kaiwas os agentes de segurança pública abordam os indígenas que circulam na área urbana e nas Br's que dão acesso à terra tradicional. Ocorre que quando as matriarcas vão ao mercado da cidade de bicicleta adquirirem mercadorias são abordadas por policiais fardados e, em alguns casos, sem farda, onde são revistadas revistadas e tem suas compras jogadas no chão.
A comunidade reafirma que há perseguição política contra a comunidade Guarani Kaiowá por parte da PMMS e de seguranças privados.
Entenda mais na carta:
̧ãoJá

LIXÃO NA TERRA INDÍGENA: Como a empresa que aluga caçambas de descarte de entulho declara ódio à Avaeté    O tekoha Avae...
14/04/2024

LIXÃO NA TERRA INDÍGENA: Como a empresa que aluga caçambas de descarte de entulho declara ódio à Avaeté
O tekoha Avaeté é uma terra indígena em que os Guarani-Kaiowá vivem no município de Dourados-MS.
Após vitoriosa retomada concretizada em 1° de outubro de 2018 os Kaiowá e Guarani Nhandeva presentes em Avaeté são atacados, agora, com a construção de um lixão ao lado de suas residências.
As imagens confirmam as denúncias da comunidade indígena sobre a questão do mau cheiro e proliferação de pragas no local.

1 ANO DA VITORIOSA RETOMADA GUARANI-KAIOWÁ EM LARANJEIRA NHANDERUNo dia 4 de março de 2023 os indígenas da etnia Guarani...
04/03/2024

1 ANO DA VITORIOSA RETOMADA GUARANI-KAIOWÁ EM LARANJEIRA NHANDERU
No dia 4 de março de 2023 os indígenas da etnia Guarani e Kaiowá ocuparam 400 hectares de terras tirando-os da propriedade privada e sociabilizando entre o próprios indígenas e nomeando o território de Laranjeira Nhanderu, no município de Rio Brilhante-MS.
Esta prática tradicional é a já reconhecida Retomada. A Retomada é o mais avançado método de demarcação de terras indígenas e na luta dos Kaiowá, o que os coloca como inimigo da classe latifundiária no atual estágio do capitalismo burocrático no Brasil.
Tanto é assim que, na Retomada de Laranjeira Nhanderu, após a intervenção da Polícia Militar do estado de Mato Grosso do Sul, três indígenas foram detidos em flagrante e respondem processo criminal até os dias de hoje.
As retomadas caracterizam-se como tática de autodermacação dos povos no caminho pela Revolução de Nova Democracia e consequentemente a democratização das terras no nosso país. A autodemarcação tem se demonstrado como tática mais imediata na distribuição de terras para quem na terra vive e trabalha.
Viva a Laranjeira Nhanderu!
Viva a Luta dos Guarani Kaiowá!
(imagem é de autoria desconhecida)

Militantes do Comitê de Apoio a Luta dos Povos Indígenas - CALPI - se deslocaram até a Aldeia Pyelito Kuê, no município ...
22/12/2023

Militantes do Comitê de Apoio a Luta dos Povos Indígenas - CALPI - se deslocaram até a Aldeia Pyelito Kuê, no município de Iguatemi-MS, território que foi palco de conflito armado no último dia 20 de dezembro de 2023 entre os Guarani-Kaiowá e pistoleiros contratados para a defesa de propriedades privadas sobrepostas à terra tradicional indígena. O objetivo, colher depoimentos dos indígenas envolvidos no confronto.
Foi no território Pyelito Kuê Tal que ocorreu as agressões e roubo aos jornalistas canadense Renaud Phillippe, a antropóloga Ana Carolina Mira Porto e Renato Farac, apoiadores do movimento Guarani-Kaiowá que estavam presentes entre os dias 22 à 25 na Aty Guasu.
No tekoha Pyelito Kuê fomos recebidos pela liderança Kaiowá que, juntamente com as mulheres da comunidade, denunciaram os fatos ocorridos no dia 22 de novembro - dia do ataque feito pelos jagunços e fazendeiros aos indígenas e apoiadores.
No ocorrido a comunidade denunciou disparos de arma de fogo, sequestro, cárcere privado, tortura, ameaça e agressões físicas, tudo ocorrido na fazenda Maringa.
No dia 18 de novembro, famílias do tekoha Pyelito Kuê, revoltados pela morosidade na resposta do Estado para com suas terras sagradas e a superlotação na aldeia atual,, decidiram ocupar uma área de mata localizada no interior da fazenda Maringá. As retomadas tem demonstrado os resultados mais imediatos na autodemarcação de terras indígenas.
Como resta disso, associação de proprietários de terras sobrepostas as terras indígenas tem contratado pistoleiros como seguranças privados. Relatos dos indígenas é de que, inclusive, os seguranças falam guarani.
O CALPI reforçou seu apoio a luta dos povos indígenas frente aos ataques ocorridos no dia 18 e 20, fazendo o compromisso da denúncia do clima de tensão que vivem os Kaiowás e Guaranis na terra Pyelito Kuê.
Viva a Luta dos Povos Indígenas
Leia também: https://cimi.org.br/2023/12/ataquespyelitokue/ e https://anovademocracia.com.br/amanha-estreia-de-entrevista-com-jornalistas-atacados-pelo-latifundio-no-a-proposito/

Aty Guasu é marcado por combatividade  Entre os dias 21 e 25 de novembro, diversas importantes lideranças Guarani-Kaiowá...
12/12/2023

Aty Guasu é marcado por combatividade
Entre os dias 21 e 25 de novembro, diversas importantes lideranças Guarani-Kaiowá se reuniram na Aty Guasu, a grande assembleia do seu povo. Essa reunião aconteceu no importante tekoha (território tradicional) Kunumi Poty Verá, no município de Caarapó-MS, palco do assim chamado “Massacre de Caarapó” que resultou no assassinato do agente de saúde indígena Clodiodi de Souza e na prisão de seu pai, Leonardo. A escolha do local não foi em vão e diversas vezes durante a assembleia os indígenas relembraram os guerreiros Guarani-Kaiowá que tombaram na luta por seus sagrados territórios.
Poucos dias antes, dia 17, os indígenas haviam avançado na retomada do território Pyelito Kue, na cidade de Iguatemi. A realização da Aty Guasu naquele momento foi um importante espaço de denúncia para angariar apoio para a retomada. Ao serem informados do sequestro de dois indígenas que iriam para a assembleia, outros Guarani-Kaiowá e apoiadores se mobilizaram para ir ao local. Nesse momento, ganhou grande repercussão nacional a agressão a jornalistas, porém os principais agredidos foram os indígenas, especialmente as mulheres da comunidade.
Paralelamente, o espaço de politização foi usado para se denunciar as perseguições políticas aos Guarani-Kaiowá. Em levantamento apresentado à assembleia, constatou-se a existência de 18 indígenas que em 2023 estão sendo alvos de processos políticos por conta da luta pela terra. Muitos deles, inclusive, estiveram presentes e denunciaram as situações vexatórias pelas quais ainda são submetidos, tendo que comparecer uma vez ao mês as respectivas varas criminais. Após o evento, uma liderança denunciou que as perseguições a ele aumentaram devido a sua participação na Aty Guasu.
Por fim, ficou claro que os Guarani-Kaiowá não querem enrolação, mas resolução dos seus problemas. Os representantes do governo federal informaram que estão passando em revista a situação dos territórios já estudados ou em estudo. Isso não bastou e, após fala da Ministra Sônia Guajajara sobre a demarcação de terras indígenas, o público presente respondeu: “se em 15 dias não houverem resultados práticos, as retomadas continuarão”.
Viva a Luta dos Povos Indígenas!
Abaixo o latifúndio!

Endereço

Caarapó, MS

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