29/09/2024
A ABSOLUTA ESCALADA DA GUERRA CIVIL NO CAMPO BRASILEIRO
Diante da necessidade em intensificar as ações de combate à ofensiva reacionária da extrema-direita, as condições materiais exigem que os chefetes contrarrevolucionários sejam expostos ao povo para que estes liberem todas as energias de luta popular no único sentido de sua emancipação.
O assassinato de Neri Ramos da Silva ocorrido no dia 18 de setembro de 2024 na terra indígena Nhanderu Marangatu, no município de Antônio João-MS, comprovou a determinação do Estado brasileiro, através dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, de por em campo de batalha a força repressiva da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) como infantaria na luta pela terra. Esta foi mais uma declaração de guerra do Poder estatal contra os povos indígenas no Brasil. Foi mais uma declaração de que: se os povos indígenas partirem para a autodemarcação de suas terras tradicionais, tomaram tiros.
Neste episódio, não foram os civis da extrema-direita organizada, como é o caso do Invasão Zero, que estavam no fronte da disputa fundiária, mas sim, a própria força policial do Estado, que no MS é dirigida por contrarrevolucionários. Isso não pode ser surpresa para ninguém: por mais que a sistemática e diária campanha de embelezamento do processo eleitoral pretenda nos convencer que vivemos numa “democracia”, a realidade nua e crua é de injustiças e de privilégios indecentes para os ricos, como no caso deste covarde assassinato, por que, deixa estampado que não vai mais além do simulacro da velha democracia burguesa, esvaziada de quase todo seu conteúdo.
Guerra civil no campo, essa é a realidade absoluta e o absoluto se entende porque se auto-revela. A ação que matou Neri Kaiowá, Nega Pataxó e Melquisedeque Gomes, foram coordenadas por contrarrevolucionários: Polícia Militar, grupo de latifundiários, mandos de pistolagem, que atuam de forma unificada na repressão militar à luta pela terra.
No oeste do Paraná, os Avá-guarani, em Guaíra, tiveram seis dos seus feridos em um ataque coordenado pelo latifúndio, no dia 28 de agosto de 2024. “Eu já passei por alguns ataques, mas ontem eu vi que eles não têm mais medo de mostrar a arma”, disse uma dos vitimizados. Não restam dúvidas de que as zonas rurais do Brasil se converteram em campo de batalha, cindido entre o que há de mais são na sociedade brasileira, o campesinato pobre, indígenas, remanescentes de quilombolas, as massas trabalhadoras, pequenos e médios proprietários da cidade e intelectualidade progressista, por um lado e por outro, a camada parasitária da Nação, o que há de pior na herança maldita de cinco séculos de servidão, de quase quatro de escravidão e de genocídio.
Diga-se de passagem, a tal “Frente Parlamentar do Agro”, por trás de tudo isso, é representante, nas estruturas do velho Estado, de quem detém o Poder de fato, o latifúndio. Arthur Lira o exerce. E o exerce com autoridade: agora mesmo, Luiz Inácio está cogitando colocá-lo como ministro em seu governo, já que o mandato de presidente da Câmara dos Deputados acabará em breve. É o “dois combinam em um” do PT: unir o bolsonarismo (comedido) com o oportunismo (reformismo sem reformas), para tentar manter-se equilibrado na corda bamba que é a coalizão com que governa. O resultado, claro, só poderá ser a prevalência ainda mais escandalosa dos interesses latifundistas: ou, em outras palavras, no genocídio contra os pobres do campo, atentados armados e a guerra civil. O bolsonarismo – e somente ele – ganha com isto, pois, o apagamento das diferenças entre bolsonarismo e a pretensa esquerda, só fortalece os primeiros e seus planos de estabelecimento de um regime militar. As massas, principalmente no campo, estão se levantando parte por parte, e opondo resistência crescente e à altura. Mais dias ou menos dias, a guerra civil, que de forma latente já existe, se irromperá de forma explícita.
Os revolucionários e em parte, democratas e progressistas almejam sua eclosão e anseiam pelo momento em que as massas camponesas, indígenas e quilombolas em luta pela terra a converterão em declarada insurgência. Séculos de opressão se desmoronarão com a rebelião das massas pobres do campo, a cujos ecos se unirão as massas das grandes metrópoles. “E a nossa guerra é sagrada, a nossa guerra não falha”, já dissera Vinícius de Moraes, na década de 1960, ao cantar o nascimento e crescimento das Ligas Camponesas.
Em meio à crise que se arrasta há dez anos, de ofensiva contrarrevolucionária, o povo brasileiro se defronta com a difícil situação de identificar quais são os seus inimigos e quem são seus verdadeiros amigos, confundida que se acha sua maior parte pela ação ilusionista do oportunismo que lhes promete maravilhas, mas entrega a realidade de uma democracia de merrecas para as massas trabalhadoras e bilhões para os ricaços. Ambos os lados (isto é, oportunismo e bolsonarismo), enfiados até o último fio de cabelo na farsa eleitoral. E o movimento revolucionário ainda está por dar o salto para romper a “censura” que lhe impõem os monopólios de imprensa e essa ação nefasta de assistencialismo e corporativização que o oportunismo eleitoreiro exerce sobre as massas, tudo no objetivo de ocultá-lo.
É necessário intensificar as ações de combate à ofensiva contrarrevolucionária da extrema-direita e desmascarar seus chefetes pescadores de águas turvas e essa esquerda burguesa oportunista e sua coalizão com a direita liberal, todos afundados nas disputas interimperialistas, peões de tabuleiro de xadrez que deles são, bem como limpar as fileiras do movimento revolucionário de todo tipo de quinta coluna, os arregões, chorões e fujões para caminharem a linha da luta popular no único sentido de sua emancipação: que haja uma separação clara entre os fortes e os fracos para o avanço da revolução!
Neri da Silva, presente na luta!
Fred Souza Garcete, presente na luta!
Viva a Luta dos Povos Indígenas no Brasil!
Destruir o latifúndio!
Comitê de Apoio à Luta dos Povos Indígenas - CALPI