24/08/2025
Quem são os homenageados nas figuras do beco da gia?
As imagens fazem parte de um processo criativo que envolve dados de pesquisa histórico-municipal, esboço artístico do pesquisador Barmonte e a arte em grafite do pintor e guia do museu municipal: Marcinaldo Souza. O trabalho, é parte de um processo de resgate e valorização que unifica a manutenção estrutural e a valorização histórico cultural e artística regional. O beco da gia, agora tem nome oficial: Otílio Siqueira Ramos - homenagem póstuma dada um dos célebres e respeitados cidadãos buiquenses. E para quem tiver curiosidade de saber quem são os homenageados à parede esquerda do beco. Segue breve descritivo de cada:
Antônio de Barros Sampaio (Maestro Sampaio): Ele era maestro, viveu no Recife, foi amigo do saudoso Capiba. Compôs vários frevos. Há quem diga que um dos frevos mais famosos “o vassourinha” é de sua autoria, mas que acabou, ficando de fora dos créditos. Casou-se e retornou à Buíque. Foi quem montou a primeira orquestra municipal, que animava nos bailes de carnaval e outras festividades. Era fogueteiro: fabricava fogos de artifício de toda qualidade; criativo: fazia artefatos que eram verdadeiros artesanatos explosivos. Os filhos também o ajudavam na produção. Era avô de Yolanda Barros, presidente do Sindicato Patronal.
Sebastião França - O homem que encontrou as primeiras ossadas de antigos indígenas que transitaram nos idos do Catimbau. Também foi descobridor de uma mina de caulim na localidade; Graças ao achado dele, pesquisadores da UFPE começaram a visitar o Catimbau e assim tem início o processo de reconhecimento do valor arqueológico e antropológico do Parque. Andava com uma pasta preta embaixo do braço para tudo quanto era canto, nela vários desenhos e anotações das pinturas rupestres que andava catalogando por conta própria achando que eram sinais de um tesouro fenício que havia na região.
Ubiratan Lopes (Bira) – antiga promessa do Esporte Clube do Recife. Foi um dos primeiros esportistas buiquenses com destaque fora da cidade. Faleceu jovem mas ainda é lembrado como símbolo do futebol buiquense.
José Soriano de Souza Neto - um dos maiores jurisconsultos do Brasil. Ajudou a compor o Código Civil Brasileiro; era dono da maior biblioteca jurídica do país com mais de 55 mil livros. Nasceu em Buíque quando o pai destacou na cidade como Juiz. Foi professor e esteve à frente da Faculdade de Direito do Recife.
Antônia Cândida Bezerra - matriarca das dançarinas do Samba de Coco Resgate da Alegria, foi ela quem incentivou e manteve a arte do tradicional samba de coco viva. Dizia às filhas que “preservassem o samba e as músicas porque um dia, seriam procuradas por muita gente de fora”. E como que uma mensagem profética assim aconteceu. O samba de coco da Serra da Torrada é referência cultura buiquense, já foi tema de reportagens de várias emissoras de TV e já condiciona uma parcela das visitações turísticas do município.
Vigário João Ignacio de Albuquerque – natural de Cajazeiras, tio-avô do ex-prefeito Blésman Modesto. Foi o primeiro republicano de Buíque, e também ex-vigário, presidente da Câmara Municipal, chefe de partido, amigo do pai de Graciliano Ramos – é citado no lirvo “Infância”, escrito em 1945; tinha grande influência política e religiosa na cidade, os Albuquerques e Modestos de Buíque têm parentesco com ele. Está sepultado na capela do cemitério, erigida a mando dele em 1905. Seu nome está presente na praça do anfiteatro e numa escola pública Estadual.
Graciliano Ramos de Oliveira – natural de Quebrangulo, Alagoas, veio com a famíliapara Buíque em 1895, onde viveu parte da infância entre os sítios Maniçoba, Pintadinha e o centro de Buíque. Em 1904 a família deixou a cidade, seguindo para Viçosa-AL. Mas, visitava a cidade para ver os avós sempre que podia. Em 1945 escreveu o livro INFÂNCIA, onde detalha várias informações sobre o cotidiano buiquense do início do século XX. Vários personagens de seus romances foram inspirados em pessoas reais que o mesmo conheceu aqui.
Miguel Curcino Villa Nova - primeiro médico de Buíque. Formou-se na Universidade de Medicina da Bahia em 1897. Seu trabalho de conclusão de curso foi sobre o lúpulos que na época tinha outro nome: Morphéa. De lá voltou a Buíque, passou alguns anos na cidade exercendo seu ofício até mudar-se para São Paulo. Ele é um parente distante do Dr. José Cursino, ex-prefeito buiquense e Dr. Valdemir Cursino.
Manoel Dantas Loyola – o ex-cangaceiro do bando de Lampião que atendia pela alcunha de Candeeiro, foi um dos sobreviventes da emboscada de Angicos, um dos responsáveis pela narrativa final sobre o que acontecera naquele período. Vivia em Guanumby, distrito buiquense. Poucos sabem, mas foi o segundo Candeeiro (o primeiro também foi um buiquense).
José Leite de Santana - foi outro cangaceiro buiquense, capturado em Mossoró-RN durante a mais ousada tentativa de saque do bando de Lampião. Jararaca, como era conhecido, virou lenda no cangaço. Nasceu no sítio lavagem, onde hoje é o SESC e a ETE Cyl Gallindo. Foi criado pelo tio, em Moderna – distrito de Sertânia. Foi quem deu a alcunha de Corisco. Houveram cinco cangaceiros com a alcunha: jararacas; este foi o segundo, mas é a referência entre os demais. Seu túmulo dele é o mais visitado no dia de finados (em Mossoró). Alguns torcedores do Corinthians costuma acender velas para ele; Com o tempo a prática fez dele uma espécie de “padroeiro” do time. E tem até ponto de candomblé (musica) que trata ele como entidade batizada de “Zé Buíque”.
Blésman Modesto de Albuquerque: Sobrinho-neto do Vigário João Ignacio de Albuquerque. Foi prefeito de Buíque por Três mandatos: 1963-1967, 1977-1983, 1997-2000. Foi um dos prefeitos que mais investiu em educação no município e até seu falecimento exercia sua influência política como apoiador em períodos de campanha. É autor do hino municipal e várias obras, dos quais algumas deixaram de existir, mas não lembradas com nostalgia. Blésman tinha amor por sua cidade, uma excelente memória e suas contribuições para preservação da história e memória municipal são de grande relevância para as gerações futuras.
Texto: Paulo César Barmonte | | |