28/10/2023
As mulheres saíram de casa em busca de liberdade, controle sobre suas vidas, sobre seus corpos e em não raras vezes por necessidade.
Não posso falar por todas, então falo apenas da minha experiência. Nessa minha jornada conquistei diplomas, reconhecimento profissional, alcancei postos de liderança e estabilidade financeira. Fiquei conhecida pela competência e por ser aquela que gosta de trabalhar.
Em contrapartida, deixei de lado coisas simples, mas que me davam muito prazer. Cuidar do jardim, mesmo sem ser muito boa nisso, fazer ponto cruz enquanto coça a barriga do cachorro com os pés, ler um livro saboreando cada palavra, cozinhar para a família. Ah, como eu gosto de alimentar as pessoas queridas, é uma das minhas formas de dizer que as amo.
Quando estava fora de casa tinha uma agenda certa. Sabia tudo que iria fazer das 8h às 18h. Eu tinha controle sobre essa agenda, determinava os dias em que não iria atender nenhum paciente para poder me dedicar a escrita de relatórios, folga era uma palavra que não existia, consultava com antecedência todos os feriados do mês, pois eles impactam diretamente no número de atendimentos mensais.
Agora, na volta para casa, minha agenda pertence ao Senhor. Pura imprevisibilidade. É uma vizinha que chega pedindo oração, é a Clara que de um momento para outro pode precisar de um cuidado mais próximo.
Se eu tinha trabalho lá, por aqui tenho muito mais. E não entenda isso como uma queixa, de forma alguma, é apenas uma constatação. Fiquei muito tempo fora e agora preciso retomar muita coisa que ficou para trás.
E agora, bora curtir o restinho do sábado e o domingo que está por chegar, e se ficarem em casa, façam algo que as conecta a esse espaço sagrado.
Beijo pra quem é de beijo, abraço pra quem é de abraço!