27/10/2015
Presidencialismo de coalizão – a composição política é da regra do jogo.
No momento em que se totalizam 28 pedidos de impeachment, dos quais 20 já foram arquivados e 8 estão em andamento, há uma indefinição acerca dos destinos políticos da democracia brasileira. Os dias se sucedem cheios de reviravoltas ligadas sempre a denúncias de envolvimento de diferentes personagens em “novos” esquemas de corrupção.
É comum, nesse contexto, a afirmativa de a culpa é do sistema político brasileiro que é fadado a inoperância, ou a paralisia, pois seria um cenário onde um Presidente impotente e fraco se contraporia a um Legislativo composto por um sem número de partidos, carentes de disciplina. Esse estado de coisas induziria o ambiente ao caos e ao colapso.
A realidade vivida desde 1988 revela, entretanto, que, conforme o desenho que lhe deu a Constituição, a estrutura política brasileira tem uma lógica forte e estruturada, em que há uma preponderância legislativa do Executivo e um Congresso que se dispõe a cooperar e votar de maneira disciplinada.
Seja qual for o partido que conquiste as eleições para comandar o Executivo, ele operará, com maior ou menor eficiência, um conjunto de forças que é marcado pela interdependência com o Legislativo. Nessa estrutura, o processo legislativo é pautado pelo Executivo, que constitucionalmente possui o poder de agenda, tendo o Presidente, meios para induzir os parlamentares à cooperação. Os parlamentares tenderão, nesse ambiente, a votar de acordo com suas legendas, compondo disciplinadamente seus interesses individuais com os do partido, sensíveis à regras que distribuem direitos parlamentares de acordo com princípios partidários.
Assim, ao observarmos o perfil institucional dos titulares do 1º escalão do Governo Dilmahttp://praxislegislativa.com.br/arquivos/noticias/PERFIL_GOVERNO-FEDERAL_2015.pdf, depois da reforma ministerial de outubro de 2015, o que vamos observar é justamente essa regra de composição de forças em movimento. Se fizermos o mesmo tipo de análise ao longo do tempo, nos governos que se sucederam, pós 1988, teremos sempre o mesmo padrão de conformação de forças no Executivo, pautando a base no Congresso.
Em períodos de baixa popularidade e agravamento de crises econômicas esse equilíbrio tende a f**ar menos dinâmico e sujeito a rupturas. Caso o Executivo não consiga sanear essas “rachaduras” a crise se intensif**a podendo desaguar em panoramas tão diversos quanto uma sucessão presidencial antecipada, via impeachment, ou até um colapso institucional geral, colocando em risco o próprio sistema democrático.
De toda a maneira, em se estabilizando o sistema, se observará novamente essa dinâmica de conformação entre Executivo e Legislativo no cotidiano do exercício do poder. E isso, gostemos ou não, não se deve à natureza dos políticos, mas antes à maneira como a conformação do poder está distribuída constitucionalmente. Ou seja, é a regra do jogo.
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