29/07/2022
FNL realiza seu 4º Encontro Estadual em São Paulo
No último final de semana a Frente Nacional de Luta Campo e Cidade realizou seu 4º encontro da regional paulista, no acampamento Nelson Mandela, localizado no município de Rosana. Além de caravanas de militantes que constroem as ocupações no interior do estado, o encontro contou com a participação de militantes da FNL de Alagoas, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia e Paraná.
A abertura ocorreu na sexta-feira, quando representantes da Associação dos Funcionários da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (AFITESP) e da Liga dos Camponeses Pobres manifestaram sua intenção de atuar em unidade com a FNL nas lutas sociais em curso. Os parlamentares parceiros da Frente também saudaram o encontro, com destaque para a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL), a deputada estadual Márcia Lia (PT) e o pré-candidato a deputado estadual Raul Marcelo (PSOL). O pré-candidato ao Senado, Márcio França (PSB), enviou sua saudação para a militância. O dirigente do PSOL de São Paulo Frederico Henriques também acompanhou o debate.
O encontro foi necessário para refletir a nova conjuntura social e econômica do país. A cada estatística divulgada, temos novos milhões de pessoas no mapa da fome e em insegurança alimentar no Brasil. Segundo a coordenação da Frente, a dificuldade em garantir a alimentação básica para as famílias pobres só agrava o contexto social de aprofundamento da violência racial que cresce nas periferias das cidades, bem como a violência de gênero, que acontece frequentemente dentro das famílias. A situação caótica dos povos indígenas e ribeirinhos, ameaçados pelo desmatamento e pela constante violação de direitos humanos, assim como a comunidade LGBTQIA+ brasileira, que é uma das mais perseguidas no mundo, são fatos da atualidade que perpassam a luta dos povos pelo direito à terra.
A FNL e o debate eleitoral
O desmonte das políticas públicas de desenvolvimento dos assentamentos, que existem como consequência dos movimentos que historicamente lutam pela Reforma Agrária, é uma política evidente do governo Bolsonaro e de seus aliados no Congresso. Para parar os retrocessos no parlamento, a FNL deliberou seu apoio ao candidato Lula (PT) para a eleição presidencial, mantendo sua independência política e programa em busca do socialismo.
Em São Paulo, a FNL tem como objetivo interromper o ciclo do tucanato que já perdura no poder por mais de três décadas. Em todo esse período, a maior prejudicada foi a população que depende diretamente da educação e saúde pública, e que carece de acesso à assistência social e ao saneamento básico. “É urgente parar a sanha privatista dos tucanos sobre os direitos, bem como reverter projetos de lei como o 277 de 2022 que legaliza a grilagem de terras públicas. O governador Rodrigo Garcia (PSDB), que já declarou que “a reforma agrária no Pontal do Paranapanema nunca deu certo”, despreza os povos que estão há anos na luta para devolver a função social às terras ociosas do Estado. Evidentemente também não compactuamos com Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é a continuidade da política genocida de Bolsonaro.”, afirmou um dos coordenadores nacionais da Frente, Claudemir Novais. Portanto, a FNL decidiu apoiar o também candidato petista Fernando Haddad, preservando sua independência política da mesma forma.
Para o legislativo, o encontro aprovou apoio às candidaturas de Sâmia Bomfim (PSOL) para o Congresso e de Raul Marcelo (PSOL) para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Para a Frente, não é possível apostar todas as fichas no período eleitoral, e sim participar de forma consequente para seguir impulsionando as lutas sociais que seguirão no próximo ano, sem perder de vista a Reforma Agrária.
Encontro apontou novas diretrizes para o próximo período
Durante o final de semana a militância do encontro dividiu-se em quatro grandes grupos de discussão. Com a leitura de um documento político que norteou o debate, as delegações puderam definir novas resoluções e escolher seus representantes para a coordenação estadual da Frente.
Entre as diretrizes aprovadas estão a construção de novos atos públicos e marchas intermunicipais, e a intensificação de ocupações rurais e urbanas. Para combater os efeitos do projeto de lei 277/2022, a FNL deve construir em breve uma grande ação na cidade de Presidente Prudente. Outros estados devem participar da ação, com o intuito de não permitir que essa legislação seja replicada em outras regionais. Novas intervenções começaram a ser planejadas durante o encontro, no entanto para garantir a segurança da militância e a efetividade das ações, nenhuma atividade foi divulgada até o momento.
Para incentivar a maior participação dos diferentes setores no estado, foi criado um coletivo de juventude e um coletivo de mulheres, além de um grupo responsável por produção e comercialização. Outra reivindicação foi o aprimoramento técnico da militância, com a busca de formação técnica, tecnológica e política.
A partir da aprovação coletiva da nova composição da diretoria dos próximos dois anos, aclamada por todos os participantes, a primeira reunião da coordenação regional já foi agendada para agosto. O clima descontraído e alegre dos três dias de debate marcou o encontro, que reuniu mais de 700 militantes.
Leia abaixo o manifesto da FNL construído após o 4º encontro estadual.
“A direção nacional reunida manifesta que a FNL deve construir o movimento para atuação em amplos setores da sociedade, devemos lutar pelas reformas na cidade e no campo, pelo direito fundamental do proletariado e do lumpesinato na luta de classe para que todos tenham acesso à alimentação, à terra, à moradia, à saúde, ao transporte e ao lazer. Isso amplia grandemente o escopo de atuação, assim necessita também da atuação política, aquela que sempre tivemos como militância mas também a inserção na política institucional, partidária e eleitoral, objetivando esta luta e para evitar os vícios naturais do processo, o personalismo e desvios de finalidade, precisamos de um núcleo de coordenação política, que procederá a escuta dos anseios e transformará em projetos de lei e novas propostas de reforma agrária e rural para apresentação aos mandatos que apoiam a luta por uma sociedade socialista, para serem apresentadas e discutidas no congresso nacional, nas assembleias legislativas e câmaras municipais.
Assim temos a tarefa de:
• Apresentar nova proposta de reforma agrária que dê acesso à terra para aqueles que desejam produzir com respeito à natureza e aos recursos naturais.
• Liberdade e respeito às comunidades indígenas e quilombolas.
• Priorizar a produção de alimentos saudáveis e acessíveis a toda população.
• Dar fim à especulação imobiliária na cidade e no campo.
• Preservação e recuperação das florestas, rios, aquíferos, pantanais e cerrados.
• Reafirmando nossos princípios marxistas e leninistas na construção da luta de classes e na revolução do socialismo. “
Facebook: https://www.facebook.com/frentenacionaldeluta/posts/367477222209897
FNL realiza seu 4º Encontro Estadual em São Paulo
No último final de semana a Frente Nacional de Luta Campo e Cidade realizou seu 4º encontro da regional paulista, no acampamento Nelson Mandela, localizado no município de Rosana. Além de caravanas de militantes que constroem as ocupações no interior do estado, o encontro contou com a participação de militantes da FNL de Alagoas, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia e Paraná.
A abertura ocorreu na sexta-feira, quando representantes da Associação dos Funcionários da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (AFITESP) e da Liga dos Camponeses Pobres manifestaram sua intenção de atuar em unidade com a FNL nas lutas sociais em curso. Os parlamentares parceiros da Frente também saudaram o encontro, com destaque para a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL), a deputada estadual Márcia Lia (PT) e o pré-candidato a deputado estadual Raul Marcelo (PSOL). O pré-candidato ao Senado, Márcio França (PSB), enviou sua saudação para a militância. O dirigente do PSOL de São Paulo Frederico Henriques também acompanhou o debate.
O encontro foi necessário para refletir a nova conjuntura social e econômica do país. A cada estatística divulgada, temos novos milhões de pessoas no mapa da fome e em insegurança alimentar no Brasil. Segundo a coordenação da Frente, a dificuldade em garantir a alimentação básica para as famílias pobres só agrava o contexto social de aprofundamento da violência racial que cresce nas periferias das cidades, bem como a violência de gênero, que acontece frequentemente dentro das famílias. A situação caótica dos povos indígenas e ribeirinhos, ameaçados pelo desmatamento e pela constante violação de direitos humanos, assim como a comunidade LGBTQIA+ brasileira, que é uma das mais perseguidas no mundo, são fatos da atualidade que perpassam a luta dos povos pelo direito à terra.
A FNL e o debate eleitoral
O desmonte das políticas públicas de desenvolvimento dos assentamentos, que existem como consequência dos movimentos que historicamente lutam pela Reforma Agrária, é uma política evidente do governo Bolsonaro e de seus aliados no Congresso. Para parar os retrocessos no parlamento, a FNL deliberou seu apoio ao candidato Lula (PT) para a eleição presidencial, mantendo sua independência política e programa em busca do socialismo.
Em São Paulo, a FNL tem como objetivo interromper o ciclo do tucanato que já perdura no poder por mais de três décadas. Em todo esse período, a maior prejudicada foi a população que depende diretamente da educação e saúde pública, e que carece de acesso à assistência social e ao saneamento básico. “É urgente parar a sanha privatista dos tucanos sobre os direitos, bem como reverter projetos de lei como o 277 de 2022 que legaliza a grilagem de terras públicas. O governador Rodrigo Garcia (PSDB), que já declarou que “a reforma agrária no Pontal do Paranapanema nunca deu certo”, despreza os povos que estão há anos na luta para devolver a função social às terras ociosas do Estado. Evidentemente também não compactuamos com Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é a continuidade da política genocida de Bolsonaro.”, afirmou um dos coordenadores nacionais da Frente, Claudemir Novais. Portanto, a FNL decidiu apoiar o também candidato petista Fernando Haddad, preservando sua independência política da mesma forma.
Para o legislativo, o encontro aprovou apoio às candidaturas de Sâmia Bomfim (PSOL) para o Congresso e de Raul Marcelo (PSOL) para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Para a Frente, não é possível apostar todas as fichas no período eleitoral, e sim participar de forma consequente para seguir impulsionando as lutas sociais que seguirão no próximo ano, sem perder de vista a Reforma Agrária.
Encontro apontou novas diretrizes para o próximo período
Durante o final de semana a militância do encontro dividiu-se em quatro grandes grupos de discussão. Com a leitura de um documento político que norteou o debate, as delegações puderam definir novas resoluções e escolher seus representantes para a coordenação estadual da Frente.
Entre as diretrizes aprovadas estão a construção de novos atos públicos e marchas intermunicipais, e a intensificação de ocupações rurais e urbanas. Para combater os efeitos do projeto de lei 277/2022, a FNL deve construir em breve uma grande ação na cidade de Presidente Prudente. Outros estados devem participar da ação, com o intuito de não permitir que essa legislação seja replicada em outras regionais. Novas intervenções começaram a ser planejadas durante o encontro, no entanto para garantir a segurança da militância e a efetividade das ações, nenhuma atividade foi divulgada até o momento.
Para incentivar a maior participação dos diferentes setores no estado, foi criado um coletivo de juventude e um coletivo de mulheres, além de um grupo responsável por produção e comercialização. Outra reivindicação foi o aprimoramento técnico da militância, com a busca de formação técnica, tecnológica e política.
A partir da aprovação coletiva da nova composição da diretoria dos próximos dois anos, aclamada por todos os participantes, a primeira reunião da coordenação regional já foi agendada para agosto. O clima descontraído e alegre dos três dias de debate marcou o encontro, que reuniu mais de 700 militantes.
Leia abaixo o manifesto da FNL construído após o 4º encontro estadual.
“A direção nacional reunida manifesta que a FNL deve construir o movimento para atuação em amplos setores da sociedade, devemos lutar pelas reformas na cidade e no campo, pelo direito fundamental do proletariado e do lumpesinato na luta de classe para que todos tenham acesso à alimentação, à terra, à moradia, à saúde, ao transporte e ao lazer. Isso amplia grandemente o escopo de atuação, assim necessita também da atuação política, aquela que sempre tivemos como militância mas também a inserção na política institucional, partidária e eleitoral, objetivando esta luta e para evitar os vícios naturais do processo, o personalismo e desvios de finalidade, precisamos de um núcleo de coordenação política, que procederá a escuta dos anseios e transformará em projetos de lei e novas propostas de reforma agrária e rural para apresentação aos mandatos que apoiam a luta por uma sociedade socialista, para serem apresentadas e discutidas no congresso nacional, nas assembleias legislativas e câmaras municipais.
Assim temos a tarefa de:
• Apresentar nova proposta de reforma agrária que dê acesso à terra para aqueles que desejam produzir com respeito à natureza e aos recursos naturais.
• Liberdade e respeito às comunidades indígenas e quilombolas.
• Priorizar a produção de alimentos saudáveis e acessíveis a toda população.
• Dar fim à especulação imobiliária na cidade e no campo.
• Preservação e recuperação das florestas, rios, aquíferos, pantanais e cerrados.
• Reafirmando nossos princípios marxistas e leninistas na construção da luta de classes e na revolução do socialismo. “