05/05/2026
No começo da década de 1980, em Brasilia, tive o meu primeiro encontro com Marcos Terena que estava combatendo a Ditadura Militar. Ele era jovem, piloto de avião que voava no Brasil e, por isso, conhecia muitos líderes que defendiam a demarcação de Terras Indígenas. Nos lugares mais difíceis e perigosos em todos os sentidos, sim, o Marco Terena, levou a mensagem da UNIND - UNIÃO DAS NAÇÕES INDÍGENAS. Jovem como ele, chamou outros parentes: Paulo Miriacureo; Idjarruri Karajá; Estevão Taukane; Geremias Xavante; Mateus Terena e outros para defender a questão Indígena no Brasil.
Mais tarde, através dele conheci o Chefe Xavante, Mário Juruna, que foi o Presidente do IV TRIBUNAL INTERNACIONAL BERTRAND RUSSELL, na cidade de Rotterdan, Holanda, de caráter politico e moral que condenou as Ditaduras Militares das Americas e a Congregação Missionária Salesiana que atuavava no Rio Negro foram condenadas até hoje. Acabaram as Ditaduras Militares. Gratidão ao Mário Juruna.
Nos momentos mais pesados da Ditadura Militar o Marco Terena, tornou-se apresentador do Programa de Televisão e pode, assim, com muita coragem e humilde, com habilidade política sempre abriu novos caminhos e pensamentos para dar vozes aos povos indígenas. Não se limitou no Brasil. Foi na ONU, em Genebra, Suíça, e por lá se encontrou com outras lideranças norte-americanas e defendeu a Questão Indígena que funciona até hoje. Organizou o movimento Indígena e realizou grandes eventos desportivos nacionais e internacionais. O irmão dele, Carlos Terena, foi o dirigente desses eventos importantes para mostrar ao mundo os talentos indígenas incríveis, sem comentários.
Em julho de 1981, na cidade Puyu, Equador, juntos com as lideranças indígenas dos países da Bacia Amazônica criamos a Coordinadora de las Organizaciones Indígena de la Cuena Amazônica - COICA, para defender o Meio Ambiente. O Marcos Terena, dirigiu a ECO 92, no Rio de Janeiro. Tenho a certeza, assim como eu e outras lideranças, trabalhamos sem parar para formação de novas lideranças. Outros líderes importantes surgiram nessa época. Por exemplo, o Manoel Fernandes MOURA, meu primo e colega de infância, em agosto de 1984, na cidade de ITACOATIARA - AM, junto com as lideranças tradicionais da Região Norte, fundaram a COIAB.
Nesse trajeto, não podemos nos esquecer do meu e irmão, AILTON KRENAK, de formação acadêmica da USP, como jornalista, criamos O PROGRAMA DE ÍNDIO na Rádio Cultura de Cultura de São Paulo para difundir a luta e as culturas dos povos indígenas. Sou testemunha da luta incansável do Ailton Krenak. Ele me ajudou muito quando estava doente e, abandonado. Não somente eu, muitos foram parar na casa do Ailton Krenak para cuidar da saúde e de outros problemas difíceis da vida. Sim, fomos acolhidos. Gratidão, Krenak. Hoje, o Krenak é o Primeiro Indígena da Academia Brasileira de Letras. Merece muito mais: O nosso Amor e Carinho.
Daniel Munduruku, amigo e irmão de FÉ, escritor culto. Parabéns!
Muitos de meus colegas sabem que fui o dirigente nacional da UNI. Chamei muitos líderes jovens para fazer parte do movimento Indígena no Brasil. Na minha região, no Distrito de Pari Cachoeira, Municipio de São Gabriel da Cachoeira - AM, na década de 1970, começamos o movimento Indígena organizado. Defendemos e praticamos as tradições milenares e procuramos a Funai para demarcar os Territórios Indígenas. O Ministério da Defesa, sintonizado à Luz da Constituição Federal e, graças a nossa força política demarcou as terras indígenas. Enfim fui e sou o mentor e, junto com muitas lideranças fundamos a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, FOIRN. Faço parte da história do movimento Indígena no Brasil. Como trunfo do movimento Indígena temos a nova Constituição Federal que deve ser preservada pelos atuais líderes.
Hoje, eu e outros líderes vivos não somos valorizados por certas pessoas "modernas". Isso é muito ruim. Enfim, hoje, temos o Marco Terena e muitos líderes que são candidatos indígenas para essas eleições. O Parlamento Brasileiro precisa de parlamentares indígenas conscientes e com a vasta experiência de luta para defender os nossos direitos. Temos que conhecer os fatos, ver a história da FUNAI, órgão indigenista oficial. Defender o programa dos candidatos ao governos que tenha o programa da demarcação das TERRAS INDÍGENAS. Os candidatos presidenciáveis que são contra as demarcações de nossas terras NÃO SERVEM para questão Indígena. Igualmente, os candidatos a Deputados Estaduais, Federais e Senadores. Todos candidatos indígenas sabem disso, isto é, está na hora de varrer e esquecer os políticos que sempre se aproveitaram de nossos povos e nos deixaram tristezas, pobrezas, o abandono. Sem dúvida, devem existir alguns índios candidatos contrários às demarcações das terras. E, existem. Podem esquecer....Espero que o Marcos Terena e outros (as) candidatos (as) tenham o compromisso com a nossa história de luta. Parabéns!... Vamos refletir. Abraços.
Álvaro Tukano - Secretário de Povos Indígenas do MOVI PDT