19/01/2022
Muitos têm me perguntado sobre o que penso da possibilidade de Geraldo Alckmin ser vice na chapa do presidente Lula.
Primeiro, essa é, por ora, só uma possibilidade. Não há nada de concreto que tenha sido debatido e pactuado nas instâncias partidárias. Tampouco houve um convite formal.
No entanto, se esse convite se confirmar, irei manifestar, com tranquilidade, minha oposição.
É evidente que a construção de uma frente ampla para derrotar o projeto de morte representado por Jair Bolsonaro exige articulação política, costura e pactuação com setores que, se não são de esquerda, pelo menos guardam conosco algum compromisso civilizatório. Alckmin, porém, não parece reunir condições de ser essa pessoa.
Alguém seria capaz de imaginar o ex-governador de São Paulo no governo de um partido cuja última presidenta da República governou sob a marca de “Pátria Educadora”? Evidente que não.
Alckmin não foi capaz de transformar pujança econômica de São Paulo numa vantagem que impulsionasse a Educação pública como base de um projeto de Estado.
Educação não foi prioridade nos vários governos do PSDB em SP e nunca vou dizer nada diferente disso para meus eleitores.
Não se trata de uma questão pessoal, embora o ex-governador nunca tenha recebido a APEOESP - maior sindicato da América Latina - e suas lideranças no Palácio dos Bandeirantes.
Se trata sim de mostrar concretamente como se deu sua relação, ao longo dos muitos anos que esteve à frente do Governo do Estado, com a política pública educacional, os professores e demais profissionais da Educação, os estudantes e as famílias.
Se no final do governo Alckmin os servidores públicos da Educação paulista necessitaram de complementação para que o Estado não descumprisse o piso salarial nacional, foi porque escolhas políticas foram feitas em desfavor de suas categorias.
Se em 2015 houve uma greve de 92 dias, foi porque o governo Alckmin preferiu dar subsídios a empresários ao invés de cuidar de seu maior patrimônio, que são as pessoas que trabalham pela formação das nossas crianças e jovens.
Greve, aliás, cujo pagamento da reposição dos dias parados só ocorreu por decisão do STF, provocada pela APEOESP, pois o governo Alckmin se recusou a fazê-lo.
Se houve a ocupação de centenas de escolas por estudantes e professores, foi porque o governo Alckmin decidiu fechá-las na malfadada reorganização, sem sequer cumprir o princípio constitucional da gestão democrática da Educação e ignorando a existência de salas lotadas em inúmeras unidades de ensino da rede pública estadual.
Seu desprezo pela Educação não poupou sequer um fato histórico que poderia ter sido apresentado como vitória, mas que foi relegado a uma posição menor: a aprovação, por unanimidade, na ALESP, do Plano Estadual de Educação, em 2016. Esse marco importante para nós não mereceu nem um aceno a quem se dedicou ao trabalho árduo de redigir esse longo e detalhado documento, dentre eles a APEOESP. Nem sequer um evento solene.
Esses são apenas alguns capítulos de uma história longa e, lamentavelmente, triste. Não precisava ter sido assim. Se foi, de novo, é porque escolhas foram feitas, de maneira consciente, e em prejuízo da Educação.
Será diferente com Lula? Não tenho motivos - e tampouco a minha base, a quem tenho servido diuturnamente - para acreditar.
Meu posicionamento é fruto de um debate que faço com a minha base. É ela, e apenas ela, que legitima meu lugar na política, minhas decisões e minha candidatura. E, principalmente, é ela que me impulsiona a lutar por uma Educação pública de qualidade para as filhas e filhos da classe trabalhadora.