10/09/2025
📺 Análise crítica: A “Bela e a Fera” é um dos clássicos mais amados da Disney, mas, por trás da magia, a história reforça mensagens que se alinham à ideologia burguesa patriarcal. O romance começa com um sequestro, em que Bela se torna uma prisioneira em troca da liberdade do seu pai. Essa transação econômica, em que a vida de uma mulher é negociada para quitar a dívida de um homem, já estabelece uma relação de poder desigual e mercantil, em que muitas meninas e mulheres jovens são submetidas. A trama romantiza o abuso e o cárcere. O protagonista é a representação do poder patriarcal: o homem agressivo, controlador e temperamental, a expressão da dominação pela força e pela riqueza, uma verdadeira Fera! Podendo apenas ser acalmado pela paciência e pelo amor, atributos de uma mulher Bela. F**a a lição: a responsabilidade de “curar” o homem. Assim é posta a mensagem nociva de que é papel feminino tolerar maus-tratos na esperança da transformação, uma tentativa de manter a estrutura desigual e violenta nos relacionamentos.
Bela é apresentada como uma mulher diferente das outras da aldeia, reforçando as estereotipias e as comparações entre o s**o feminino: gosta de ler e sonha com uma vida além do seu vilarejo. O alvo de desejo de dois homens. Um deles é Gaston, retrato da masculinidade tóxica e da ordem social: egocêntrico, violento e incapaz de lidar com a rejeição. O outro, a Fera a representação da força bruta e selvagem.
A coragem e o intelecto de Bela são subsumidos por homens: a dívida do pai, as chantagens e sequestro da Fera ou as perseguições constantes de Gaston. Sua independência, no fim, é inexistente, as suas escolhas estão sempre atreladas ao bem-estar masculino.
O “final feliz” da história segue com a transformação da Fera em príncipe, não se trata da celebração do amor, mas a consolidação do papel da mulher ideal e bem-sucedida, uma princesa que “transforma a fera” em um príncipe. “A Bela e a Fera” é, em última análise, uma cartilha de comportamentos patriarcais de tolerância à violência, à negligência e ao abandono de seus projetos para o bem da família e da sociedade.