27/05/2026
Aplicação de embargos remotos e corte do crédito para quem desmatou ilegalmente são políticas efetivas que colaboraram para o resultado.
A Lei da Mata Atlântica completa 20 anos em 2026. E no ano passado, o desmatamento no bioma caiu ao seu menor índice histórico, segundo dados de duas plataformas da Fundação SOS Mata Atlântica.
A primeira delas, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, mostra que em 2025 houve queda de 40% na supressão de vegetação nativa – foram 8.668 hectares, ante 14,3 mil hectares no ano anterior. Este é o menor índice desde 2011 e a primeira vez em que o desmate f**a abaixo de 10 mil hectares.
Já o Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, no ano passado, registrou queda de 28% no desmatamento, que saiu de 53,3 mil hectares em 2024 para 38,3 mil hectares. O menor número desde o início dos registros, em 2002.
O bioma, que abriga 80% da população brasileira, também concentra 80% dos alertas para desastres ambientais e eventos climáticos extremos no Brasil, como os ocorridos em Recife, João Pessoa, Petrópolis e Rio Grande do Sul. As regiões com maior taxa de desmatamento estão no Vale do Jequitinhonha, entre Minas Gerais e Bahia, e no Piauí, em uma região de transição com o Cerrado e a Caatinga.
Para Luís Fernando Guedes Pinto, diretor-executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, a queda histórica no desmate é resultado da aplicação de embargos remotos e do corte do crédito para quem desmatou ilegalmente. “Isso tem muito mais impacto”, disse em entrevista. “O proprietário da terra é punido por não poder vender e por não poder acessar dinheiro. Pega no bolso. A sensação de impunidade, da inconsequência do desmatamento, diminui cada vez mais.”
Hoje restam apenas 12,4% da cobertura original da Mata Atlântica. Por isso, Guedes Pinto reforça que cada fragmento perdido faz a diferença, pois, ainda temos muitos ataques à legislação ambiental brasileira no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas, tentando afrouxar a legislação.
Fonte: climainfo.org.br