11/02/2019
Folks ;
Faz tempo , mas segue um artigo meu , bom proveito :
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JOGANDO GASOLINA
E acaba sendo o primeiro grande ato da nova administração , já previsível até por promessa de campanha , o de ´flexibilizar ´ a posse e porte de armas , como se isso fosse a solução para a crescente escalada de violência que toma conta de nosso país . Ou seja , se uma parte da sociedade , que não necessariamente pela virtude de estar ao lado da lei e da ordem , as possui , que se dê então oportunidade para outra parte da sociedade, assim dita , refém da violência de tê-las legalmente e sem muita burocracia . Ao menos a exortação “ armai-vos uns aos outros “ f**aria mais equilibrada , e no mais , que se lave as mãos .
Como de praxe de muitos séculos , atém-se mais às remediações dos problemas do que à prevenção das causas . Nesse gigantesco abismo social em que vivemos e a nossa teimosia em dele não darmos conta , ou mesmo fingirmos que ´não é comigo ´ , vai permitindo vicejar como capim uma crescente indiferença , senão desdém , contra as instituições e seus pilares , estes que deveriam prezar pelo bem estar , segurança , equidade e justiça . Porém aqui , e nessa situação , tais pilares só se prestarão à um exercício de ficção , levado à conta de carochinha , portanto fora do “ mundo real vivente” .
Fácil , e sempre foi assim , os novos administradores públicos culparem a(s) administração(ões) antecessora(s) pelos descalabros, é a aquela velha estória da roda sendo inventada agora , antes tudo era quadrado . Mas não é dessa forma que se enfrenta os problemas , e isso vale para qualquer ideologia que almejar o poder , ou estiver nele . Nessas ocasiões sempre se terá em mãos a estratégia racional , que é a ideal porém mais trabalhosa , ou a populista , de fácil apelo e baseada em devaneios conforme ditem as circunstâncias .
É grande o dilema , no critério racional há um prestígio coletivo de cunho duradouro a ser alcançado e mantido , já no critério populista , tão só se almeja um prestígio meramente pessoal, de cunho precário , descartável a qualquer momento .
A flexibilização na venda e porte de armas é bem típica do atual momento de precariedade e descarte , arrisca-se pra ver como é que f**a , e vai se vivendo um hoje como se não tivesse um amanhã . Estimular uma sociedade para a beligerância entre si , nas atuais circunstâncias , é jogar gasolina sobre um fogareiro e f**ar postado ao seu lado, é só ver o noticiário em todas as mídias .
E mais , nessa facilidade comprada via moeda eleitoreira , nada impedirá que boa parte dessas armas que agora seriam adquiridas de forma mais flexível por cidadãos de ´bem´, possam de fato serem usadas só em ocasiões circunstanciais , haja visto o considerável aumento dos chamados crimes passionais , crimes de motivo torpe , entre membros de família , e até entre alunos nas salas de aula. Ou ,pior ainda , dessas armas serem repassadas de forma intensiva às mãos do crime organizado e suas ´ene ´ facções . Não faltariam candidatos a testas de ferro “ de bons antecedentes “ emprestando sua fachada legal para certos e precisos contatos , isso é fato .
Seria o caminho aberto para uma expansão do caos já existente em países como a Colômbia, Honduras e México onde partes de territórios foram feudalizados de forma ostensiva , autênticos butins logísticos onde uma declaração de guerra não precisa do aval do Estado , pois ali ele sequer pia .
Será que ainda teremos tempo de evitar um grande e fatal incêndio ?
Autor : Luiz Otávio M Cardoso
Data : 27/01/2019
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