27/03/2021
Do Livro: Contando Histórias de Belém
De ACM Cavalcante
###IV
CONDE KOMA A LENDA ESQUECIDA
Ao assistir uma luta de UFC transmitida pela TV, de repente lembrei-me das histórias que me contaram quando adolescente de um Japonês que chegou ao Pará por volta de 1915, e aqui se tornou famoso pelas apresentações de artes marciais trazida de sua terra natal no longínquo oriente. Mitsuyo Maeda tornou-se brasileiro com o nome de Otávio, porém se tornou conhecido por Conde Koma apelido que ganhara na sua passagem pela Espanha em 1908.
Maeda nasceu no povoado de Funazawa, cidade de Hirosaki, Aomori, em 18 de novembro de 1878. Frequentou a escola Kenritsu Itiu (atualmente Hirokou —uma escola de Hirosaki). Conhecido quando criança como Hideyo. Quando adolescente, praticou sumô, mas sentia que faltava o ideal para prosseguir nesse esporte. Por este motivo e devido ao interesse gerado pelas notícias sobre o sucesso do judô, principalmente em competições entre judô e jiu-jitsu no qual na maioria das vezes o judô ganhava, que estavam ocorrendo naquela época, ele então mudou para esse esporte. Em 1894, aos dezessete anos de idade, seus pais lhe enviaram a Tóquio para se matricular na Universidade de Waseda, onde começou a praticar o judô da Kodokan no ano seguinte.
Mais tarde já professor desta arte, viajou por vários países como, Estados Unidos, Europa, México, Cuba e América Central, América do Sul, chegando ao Brasil entrando pelo Rio Grande Sul passando pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, São Luiz e finalmente Belém.
Em 1915 quando aqui chegou começou a apresentar sua arte marcial no Theatro Politheama uma espécie de arena onde se apresentavam os mais famosos lutadores e cavaleiros da época. O jornal "O Tempo", anunciava o evento, afirmando que "Conde Koma" iria mostrar as principais técnicas do "jiu-jitsu" exceto aqueles proibidos. Lutou e venceu quando desafiado: os pugilistas, lutadores de luta livre, greco-romana, capoeiristas e virou uma lenda das artes marciais.
Maeda ganhou mais de 2.000 lutas profissionais em sua carreira. Suas realizações levaram-no a ser chamado de "O homem mais forte que já viveu", e é referido como o pai do jiu-jitsu brasileiro.
Em 1921 fundou sua academia de JUDÔ na sede do Clube do Remo no Bairro da Cidade Velha em Belém do Pará, anos mais tarde transferiu sua academia para o Quartel do Corpo de Bombeiros Municipais e depois para o salão paroquial da Igreja de Nossa Senhora Aparecida, Desde 1991, a Academia situa-se no SESI, é dirigida pelo sensei Alfredo Mendes Coimbra, da terceira geração de descendentes do Conde Koma.
A permanência de Conde Koma no Pará teve fundamental influência na criação de jiu-jitsu brasileiro. Tanto é que Carlos Gracie, então com 14 anos, filho de Gastão Gracie, assistiu a uma demonstração dada por Otávio Maeda, no Teatro da Paz e decidiu aprender judô conhecido na época como "kano jiu-jitsu". Maeda aceitou Carlos como um estudante. Carlos passou, então, a ser uma referência na luta, junto com o irmão mais novo Hélio Gracie, fundadores do Brazilian jiu-jitsu.
Deste movimento acabaram derivando modalidades como o Vale tudo e mesmo, de alguma forma, o UFC, que contagiou o mundo todo. Conde Koma faleceu em Belém, em 28 de novembro de 1941. A causa da morte foi doença renal, sendo sepultado no cemitério Santa Isabel.
O tempo passou a Arte de Maeda ultrapassou as fronteiras do Brasil, e o Conde Koma ficou esquecido pela maioria dos belenenses que nem imaginam a importância que ele representou para as lutas marciais.