27/05/2022
Nós da juventude Vamos à luta manifestamos nossa posição sobre a eleição do IFCH (Instituto de Filósofia e Ciências Humanas) da UFPA. Essa posição política é fruto não somente do momento atual mas da experiência de nossa atuação no movimento estudantil e enquanto discentes desse instituto. Nosso olhar sobre esse processo é a partir da luta por direitos, das dificuldades cotidianas que atravessamos como estudantes de uma universidade pública, constantemente sob ataques e cortes de orçamento de Bolsonaro e outros governantes.
Que papel pode e quer cumprir uma direção de instituto? Administrar a crise tratando de aplicar os ataques apontados pelo governo federal e as Reitorias ou ser parte ativa do enfrentamento a essas medidas?
Um instituto é uma parcela menor da administração da universidade, mas tem possibilidade de desenvolver políticas e ações, por isso fazemos um balanço negativo da atual gestão do IFCH.
Durante a pandemia, enquanto todos os CAs e assembleias estudantis do instituto opinaram contra o Ensino Remoto emergencial e propunham atividades alternativas e não-obrigatórias, a direção do IFCH impôs um ensino remoto excludente cuja experiência foi extremamente negativa para a maioria dos estudantes.
Essa postura de pouca escuta aos estudantes foi constante na gestão, que durante 4 anos nada fez para ampliar a participação discente nos conselhos do Instituto, hoje com composição de 70% de professores. Nosso voto que é disputadíssimo a cada quatro anos, pouco vale nesses espaços.
Varias pautas que foram incluidas na campanha agora nunca foram defendidas ou aplicadas por essa gestão, como a sala de amamentação e troca, sendo que a pauta da creche é histórica do movimento estudantil e feminista e o atual diretor geral quando pró-reitor de extensão na gestão de Maneschy sempre disse ser impossível aplicar.
Há ainda um tema que para nós é muito importante: o vínculo desta chapa com a pré-campanha do professor Carlos Maneschy/MDB. O MDB é o principal responsável pela aprovação da PEC do Teto durante o governo de Michel Temer. Esta PEC, aprovada em meio à brutal repressão contra estudantes e trabalhadores em Brasila, congelou investimentos por vinte anos e acelerou a política de ajuste fiscal que sucateia as universidades.
Não bastasse esse vínculo, a posição no mínimo vacilante da direção do IFCH frente a ameaça de intervenção da reitoria quando se recusou a assinar o manifesto produzido pelas subunidades que defendia que o reitor eleito fosse empossado.
Essa posição nos remete novamente à pergunta sobre qual posição política queremos da direção do IFCH frente aos ataques sofridos pela nossa universidade. A atual direção com suas práticas, posições e omissões não nos contemplam nem nos representam nesse sentido.
Votamos em Edila e Aline . Chapa 01 -Esperançar !
Queremos uma chapa que se comprometa a avançar na democratização da gestão, no combate ao assédio moral e à visão hierárquica autoritária e com posição política ativa em defesa da universidade pública.
Acreditamos que:
1) A assistência e permanência estudantil deve ser prioridade para a gestão. O combate à evasão; a luta pela ampliação do R.U da UFPA e das bolsas; o cuidado com saúde mental dos estudantes.
2) Que essa prioridade também se expresse em relação à destinação de recursos.
3) Que as definições estrategicas e financeiras sejam amplamente debatidas e definidas pela comunidade do IFCH . Que nos temas mais importantes haja assembleia geral com voto universal.
4) Congregação paritária entre discentes, docentes e técnico-administrativos/as
5) Lutar pela ampliação das bolsas e que sejam divulgadas e sua seleção seja com critérios sociais e acadêmicos com transparência e não como indicação por afinidade.
6) Promover campanhas contra o assédio sexual e moral no instituto.
7) Apoio à jornada de 30h e contra o ponto eletrônico para as/os técnico-administrativas/os.
Nesse cenário de duas chapas, não enxergamos na chapa 2, por seu histórico de gestão a possibilidade de fazer avançar em nossa pauta. Nesse sentido chamamos voto na chapa de oposição, cujo programa traz aspectos positivos no sentido da democratização da gestão.
Nosso voto não é um compromisso político com a gestão. Defendemos o movimento estudantil independente das reitorias e direções de instituto e faculdades para poder lutar pelos direitos dos estudantes, técnico-administrativos e docentes, nos mantendo livres para questionar o que estiver errado e cobrar as mudanças necessárias.