28/10/2019
[DISCURSO DO FIM DA CHAPA “RenovAÇÃO” 2017-2019]
[POSSE DA CHAPA "Operante" 2020-2021]
[SEGUIMOS DE LUTO, EM LUTA, SEMPRE!]
31 de outubro de 1985. Data regulamentada para a existência de entidades estudantis (centros acadêmicos). Último ano de ditadura militar no Brasil. Último ano de, supostamente, torturas e mortes. Último ano, supostamente, de censura midiática, acadêmica, cultural e individual. Próximos passos para um sistema democrático. Supostamente.
O Centro Acadêmico “Paulo Freire” é um órgão representativo dos estudantes do curso de Licenciatura em Pedagogia nas instâncias administrativas, representativa e gerência dos interesses dos alunos do curso. Durante o decorrer do tempo viemos tentando contribuir para a integração estudantil e maior interação com as pautas discentes, como a realização de campanhas financeiras a fim de organizar a semana de estudos pedagógicos e recepção dos calouros, por exemplo.
Porém, ainda vivemos em contextos de repressão, de torturas, de mortes e de censuras. Vivemos em um contexto de desmonte da Universidade Pública, do ensino e dos direitos individuais e, portanto, coletivos. Há anos sofremos com o sucateamento da Universidade pública. Sofremos com corte de verbas para o incentivo a pesquisa, a contratação de professores e a manutenção da unidade.
Há um proposta política e econômica de reestruturação departamental, uma minuta onde docentes poderão lecionar disciplinas que eles não dominam, linhas de pesquisas podem ser afetadas devido a diminuição das especializações, haverá menos contratações, menos investimentos por conta de menos departamentos, servidores realocados, assim como cursos podem ser fechados.
Portanto, mais do que atividades acadêmicas extracurriculares, como semanas temáticas, recepção de calouros ou atividades culturais. Um Centro Acadêmico é um movimento político, é um movimento de luta e resistência. Trabalha com encaminhamento, mobilização e organização de reivindicações e ações políticas dos estudantes; mediação de negociações e conflitos por questões burocráticas em relação ao ambiente acadêmico, entre outros.
A chapa “RenovAÇÃO” atuou com o seu máximo dentro de seus limites. Algumas questões não ocorreram como o planejado, mas fazem-se de questões relevantes para continuarem sendo pautadas, como:
Organizar atividades de integração e incentivo a arte, cultura e educação popular.
Exposição dos projetos de IC da pedagogia para os próprios discentes;
Promover GD’s sobre questões sociais e culturais;
Construir um acervo com os materiais didáticos utilizados pelos diferentes anos do curso.
Outras questões se fizeram de extrema importância e construção para um órgão representativo mais democrático e de luta, como:
Maior abertura de propostas de temas para minicursos na Semana de estudos Pedagógicos 2018;
Articulação de temas como “Gênero e Sexualidade; Contação de histórias, BNCC, reforma do ensino médio”, dentre outros, foram alocados durante a semana de estudos pedagógicos;
Indicação e representação discente no Conselho;
Indicação e representação discente do departamento;
Compor e representar espaços do movimento estudantil com autonomia;
Representação, organização e participação no CEU (Congresso de Estudantes das UNESP’s) no campus de Assis e no campus de Bauru, para a construção do diretório central dos estudantes (DCE);
Representação e participação no CEEU (congresso de entidades estudantis das UNESP’s) no campus de Botucatu;
Divulgação e propagação da existência e importância do curso de licenciatura em pedagogia pelo campus da UNESP de Bauru e troca de experiências de organizações e currículo com outras universidades (Unicamp, UFSCAR, USP São Carlos)
Maior participação e mobilização de representantes de termo durante as avaliações do curso;
Participação efetiva na Greve de 2016, sendo o primeiro curso do campus Bauru a se mobilizar e paralisar durante dois dias;
Representação do curso Pedagogia na ocupação de 2016 e nas manifestações que ocorreram durante os anos de 2016 e 2017 na sede da reitoria em São Paulo;
Apoio e participação na ocupação dos secundaristas da Escola Luiz Castanha e Estela Machado;
Conquista de uma sede para o centro acadêmico e, portanto, para os estudantes de pedagogia utilizarem para descanso, estudos, alimentação, dentre outros;
Defender a manutenção e ampliação de incentivos à formação docente, como PIBID e Residência Pedagógica;
Participar ativamente das discussões e decisões sobre a grade curricular do curso nas duas últimas modificações do currículo;
Lutar por mais investimento para a política de permanência estudantil.
Estamos ao lado das novas companheiras, companheires e companheiros da chapa “Operante”. Seguimos de luto, em luta, sempre!