26/11/2022
Às vezes eu acordo pensando nas questões que me levaram a ser como sou. Por qual motivo a vida é da forma que é? Qual a quantidade de sofrimento que devemos sentir até atingir a tão sonhada estabilidade pessoal? Eu me pergunto isso quase todos os dias, se não todos, pois minha vida foi de tantos altos e baixos, que resolvi expressar em palavras os meus sentimentos, pois guardá-los estavam fazendo minha cabeça doer, girar, e às vezes até acreditei que o sofrimento fosse normal. Mas não deveria ser.
O sofrimento, um sentimento que envolve tantas lembranças. No meu caso, envolve muito meu passado, mas também envolve o meu futuro. Já diziam por aí, que o passado não deve ser um porto, mas sim um farol. Mas eu fico me pensando, por qual motivo um farol? Essa frase me faz pensar que aprendemos com os nossos erros na primeira oportunidade de errar, quando na verdade a sociedade é tão injusta com o ser humano, principalmente os menos favorecidos, que precisam errar tantas vezes para, talvez, terem uma pequena chance de aprenderem com esses erros e terem uma vida digna, ou quase digna. Será que o sucesso está atrelado à quantidade de erros? Mas e no meu caso, que já errei tanto em minha vida, mas ainda não obtive o tão sonhado sucesso pessoal, preciso errar ainda mais?
A sociedade impõe que, quando completamos a maior idade, poderemos usufruir de tantos benefícios que, segundo ela, são para nos ajudar a ter uma vida normal. Um exemplo é o cartão de crédito, que tantas pessoas acabam se endividando e ficando impossibilitadas de comprarem em outros lugares porque tem o famoso “nome sujo”. Porque, socialmente, deve ser assim? Isso me faz pensar que isso é um exemplo claro de como, em determinadas situações, temos os nossos direitos interferidos, não pelo governo, mas por um sistema que impõe o quanto devemos receber, o quanto devemos gastar, o que devemos comprar, o que devemos vestir, o que devemos falar, sentir, fazer, e ser.
Um sistema que impõe como eu devo ser não me inclui, não inclui você, não inclui meus pais, nem meus amigos. Um sistema que impõe que eu devo ser pobre e não consumir quando eu tenho dívidas atrasadas, a não ser que, voltando àquela questão, eu tivesse a grande sorte de não ser desfavorecido, e de ter errado tantas vezes que aprendi a ter sucesso, mas que, por ironia do destino, tive oportunidades, por ser branco, ou por ser filho do dono do mercado, ou do dono do posto de gasolina, ou simplesmente ter ganho na loteria, afinal, se o que dizem for verdade, dinheiro traz sim felicidade, mas por vias materiais. Mas prefiro acreditar que a verdadeira felicidade está no relacionamento verdadeiro entre as pessoas.
A felicidade vai e vem. Eu acho que eu conheço esse sentimento, e se não conhecer, peço desculpas a mim, pois falhei comigo mesmo. Talvez o que senti foi outra coisa, não? Mas porque ser feliz é ser bem sucedido? Eu não posso ser triste e ser bem sucedido ao mesmo tempo? Ou isso é impossível? Eu penso que essa inconstância de sentimentos pode sim ter um pouco de felicidade, porque imaginar que minha vida inteira foi triste é chato. Porque a felicidade dos outros de certa forma nos incomoda? Eu acho que essas questões são tão íntimas de cada ser humano, assim como eu considero mais do que normal sentir inveja, afinal, é um sentimento involuntário. Ou tem a ver com caráter? A inveja aparece sim, mas devemos ser inteligentes o suficiente para sabermos oprimi-la, assim como a sociedade nos impõe muitas coisas.