Um pouco de história:
Oficialmente o PMDB, que nasceu do MDB, teve sua fundação em 24 de março de 1966, com o registro na Justiça Eleitoral. Era um dos resultados da extinção dos partidos imposta pelo AI-2 e a instalação do bipartidarismo logo em seguida. Uma tentativa de imitar a bipolaridade norte-americana, democratas versus republicanos. A diferença, que se evidenciou antes mesmo do registro d
o MDB, é que o papel destinado pelos militares à oposição se resumia a isto: o de opositor, mas inofensivo ao poder. Na verdade, o Movimento Democrático Brasileiro constitui-se informalmente em 4 de dezembro de 1965, como oposição a Arena. Quem o batizou foi Tancredo Neves. Venceu ali a primeira queda de braço com o “prosador da arcadas” do Largo de São Francisco, deputado Ulysses Guimarães, um pessedista que preferia o termo Ação a Movimento. Nesse mesmo ano, quando ocorreram eleições diretas para governador em onze estados, os militares já haviam demonstrado quais eram os limites da oposição evitando, através de “oportunas” mudanças nas regras do jogo, que dois oposicionistas – Hélio de Almeida, ex-ministro de Goulart, e Sebastião Pais de Almeida, ex-ministro de JK – disputassem os governos da Guanabara e de Minas Gerais. Eram francos favoritos. JK e Goulart estavam no exílio. Permitiram Negrão de Lima, ligado ao PSP de Adhemar de Barros, e Israel Pinheiro, pessedista próximo a JK. Dois oposicionistas pouco ortodoxos que rapidamente aderiram ao poder central. Mesmo assim, essas duas vitórias provocaram sobressaltos nos meios militares que desaguariam no AI-2. Além de obrigar o País ao bipartidarismo, tornaram as eleições indiretas nos onze estados restantes. De qualquer maneira, o então presidente Castelo Branco garantiu a posse dos eleitos, o que lhe valeu um desgaste definitivo entre os colegas de caserna. Ele não faria o sucessor.