29/03/2021
Na semana passada, a Secretaria de Meio Ambiente em parceria com a Secretaria de Infraestrutura, realizou a poda das árvores na Praça Três de Maio, em Frente a Prefeitura Municipal.
Ficus benjamina é uma espécie nativa da Ásia e se tornou uma árvore muito popular e em condições naturais, chega a 30 metros de altura. Infelizmente, com o desenvolvimento da árvore, as raízes agressivas provocam danos às estruturas e tubulações subterrâneas, a espécie também possui raízes superficiais que se aglomeram formando pseudocaules de sustentação e condução da seiva, além disso o tamanho não se concentra apenas na projeção da copa e pode se estender por duas ou três vezes a sua largura, por isso já é proibido o seu plantio em diversas cidades, pois as árvores necessitam de espaço para o desenvolvimento adequado do sistema radicular.
Antes da execução da poda, foi realizado uma vistoria que identificou e analisou os riscos e danos causados pela espécie ao patrimônio público/privado e consequentemente a população.
A primeira iniciativa foi verificar a existência de ninhos de aves, presença de vespas, abelhas, marimbondos, insetos nocivos e assemelhados, além disso foi feita uma avaliação criteriosa das condições do local (trânsito de pedestres e veículos, componentes ativos da rede, patrimônio público/privado, etc.) sempre tendo em vista à obediência a Lei de crimes ambientais e das condições de segurança.
Durante a vistoria, não foi constatada a existência de nenhum ninho de aves ou animais invertebrados. É importante lembrar que pela Lei de Crimes Ambientais (lei 9605/98), tanto as aves silvestres como os seus ninhos estão protegidos e, portanto, não podem ser removidos. Foi verificada a existência de alguns morcegos, no entanto não haviam ninhos no local.
Após a vistoria, constatamos que a espécie em questão estava com altura aproximada de 11 metros, com ramos apresentando ramificações típicas da espécie com indícios de poda irregular originando ramos epicórmicos que cresciam em direção a áreas edificadas, rede de fiação aérea, sinalização de trânsito e iluminação pública, alguns ramos apresentavam também risco de ruptura. De maneira geral a estrutura da copa das árvores estava comprometendo a segurança pública e causando danos ao patrimônio público e particular.
Foi realizada uma poda drástica na copa das árvores em questão, visando corrigir e adequar a estrutura para evitar que no futuro problemas relacionados a segurança e depredação do patrimônio público e particular voltem a ocorrer no local, visto que:
A poda de correção: visa eliminar problemas estruturais, removendo partes da árvore em desarmonia ou que comprometam a estabilidade do indivíduo, como ramos cruzados, codominantes e aqueles com bifurcação em V, que mantém a casca inclusa e formam pontos de ruptura. Também é realizada com o objetivo de equilibrar a copa.
A poda de adequação: é empregada para solucionar ou amenizar conflitos entre equipamentos urbanos e a arborização, como por exemplo, rede de fiação aérea, sinalização de trânsito e iluminação pública.
Estabelecemos um cronograma de poda trimestral, afim de conduzir e limpar a copa, moldando-a para adequação ao local. Iremos utilizar podas de condução e quando necessário limpeza, direcionando o desenvolvimento da copa para os espaços disponíveis, sempre levando em consideração o modelo arquitetônico da espécie.
É notório o impacto visual causado pela poda drástica, em contrapartida a falta de planejamento da arborização, resultando num visual sem identidade, inadequado e sem contemplar aspectos recomendados de arborização urbana e paisagismo.
No entanto, os prejuízos ecológicos causados pela poda, quando comparados aos danos estruturais promovidos pelas árvores em questão eram mínimos, já que a poda não afetou fauna e flora nativas, animais silvestres ou em risco de extinção, ou populações tradicionais que poderiam ter a espécie como meio de sobrevivência ou patrimônio cultural, sendo as mesmas consideradas árvores de risco.