04/10/2017
No último dia 26 de setembro, uma mulher conseguiu reunir forças e denunciar um estupro de vulnerável, do qual foi vítima.
De início, reconhecemos a grandeza e importância dessa ação de denúncia. Desde a tomada de consciência do abuso sofrido até a coragem e a decisão de denunciar muitos esforços custam a todas nós, mulheres: custa tempo, sanidade mental, custa o isolamento de alguém que traz a tona um problema que ninguém quer enfrentar.
Prosseguindo, nós, das Brigadas Populares, por meio desta nota, queremos deixar claro que:
1) Nos solidarizamos e prestamos aqui e dos outros modos disponíveis, todo o apoio e solidariedade à mulher, vítima do estupro. Entendemos que a mulher, mais do que ninguém e mais do que qualquer testemunha que estava no local, sabe dizer se ela estava consciente ou não para consentir a relação sexual.
2) Repudiamos a exposição da vítima e das demais mulheres por parte da organização MAIS (Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista): a vítima teve seu nome exposto, seu relato de violência criticado e questionado, o que representou para ela uma segunda forma de violência. As mulheres da organização, responsáveis pela nota, f**aram com o fardo de carregar as críticas das outras mulheres. Por outro lado, não se divulgou o nome do abusador.
3) O patriarcado mata, oprime, violenta, abusa. É imprescindível que combatamos o machismo e todas as suas expressões, principalmente nas organizações de esquerda, que lutam pelo fim das opressões. Encerramos essa nota declarando nosso total apoio e solidariedade à mulher vítima desse caso e declarando nosso repúdio à toda e qualquer forma de violência contra a mulher, incluindo aquela velada, em forma de descrédito da palavra da mulher que denuncia e de silenciamento.