24/05/2026
Edegar Motta foi um homem simples, nascido no interior, crioulo lá das Três Vendas, com uma vida marcada por dificuldades desde muito cedo, mas dono de um talento raro e de uma alma gigante.
Aprendeu a ler e escrever somente depois de adulto, mas antes mesmo já ditava seus versos nos escritórios de compra e venda de gado, pedindo que datilografassem, fazendo assim poesias e criando histórias que carregavam a essência mais genuína da cultura popular gaúcha.
Tropeiro, trabalhador rural, corretor de gado, trovador, repentista, poeta e contador de causos, transformou sua própria vida em arte. Com humor, sensibilidade e uma inteligência peculiar, conquistou gerações no rádio, nas rodas de conversa e nos palcos da nossa região.
Obras como “Baile da Bicharada” e “Na Garupa do Petiço” ajudaram a eternizar seu nome e fizeram parte da memória afetiva de muitas famílias pedritenses, inclusive da minha.
Nos 150 anos de Dom Pedrito, tive a honra de escolhê-lo patrono da Feira do Livro. E fiz isso com convicção, porque sempre acreditei que cultura é aquilo que nasce do povo, brota do campo, atravessa gerações e cria pertencimento. A cultura verdadeira não tem donos, nem fórmulas. É aquela que pulsa no coração das pessoas.
Homenagear Edegar Motta foi homenagear a alma da nossa terra.
Hoje nos despedimos da sua presença, mas não da sua história.
A sua arte seguirá viva em cada verso, em cada lembrança e em cada pedacinho do Rio Grande que aprendeu a admirar o homem simples que virou símbolo da nossa cultura. E a voz inconfundível de Edegar Motta, que mesmo de longe a gente já ouvia e identificava, hoje silencia, mas seguirá ecoando pelos galpões, pelos CTGs e pela memória do nosso povo. Não mais nos ouvidos, mas no coração de todos que tiveram o privilégio de conviver com um dos grandes ícones da cultura popular da nossa terra.
Meu carinho e solidariedade à família, aos amigos e a todos que hoje sentem essa perda.