21/05/2026
DIP/CC/MPLA — 20 de Maio (Quinta-feira) de 2026 — DISCURSO PROFERIDO PELO CAMARADA GONÇALVES MANUEL MUANDUMBA, SECRETÁRIO DO BUREAU POLÍTICO PARA A ORGANIZAÇÃO, MOBILIZAÇÃO, ORGANIZAÇÕES SOCIAIS E SOCIEDADE CIVIL, NO DIÁLOGO DE ALTO NÍVEL DO PARTIDO COMUNISTA DA CHINA COM OS SECRETÁRIOS-GERAIS DOS PARTIDOS-ANTIGOS MOVIMENTOS DE LIBERTAÇÃO DA ÁFRICA AUSTRAL
KIBAHA, TANZÂNIA – 20 de Maio de 2026.
Camarada Liu Haixing, Membro do Comité Central do Partido Comunista da China e Ministro do Departamento Internacional do PCC;
Camarada Asha-Rose Migiro, Secretária-Geral do CCM e Coordenadora do Secretariado dos Partidos-Antigos Movimentos de Libertação da África Austral;
Camarada Sophia Shaningwa, Secretária-Geral da SWAPO;
Camarada Nomvula Mokonyane,
Secretária-Geral Adjuntado ANC;
Camarada Ludmila Maguni, Secretária do Comitê Central da FRELIMO;
Camarada Machacha Munyaradzi Christopher, Secretária do Comissariado da ZANU-PF;
Camarada Marcelina Chijoriga, Directora Geral da Escola de Liderança Professor Julius Nyerere;
Estimados Convidados;
Minhas Senhoras e meus Senhores;
Foi com honra e gratidão que o Camarada Paulo Pombolo, Secretário-Geral do MPLA, recebeu o convite para estar presente neste evento que reputa de grande importância, num momento em que o mundo se vê confrontado com inovações e guerras que exigem, de todos, o máximo de atenção e escrutíneo.
Enquanto representante do Camarada Secretário-Geral do MPLA, apresento ao Partido Comunista da China e ao Chama Cha Mapinduzi as nossas calorosas saudações e felicitações pela organização deste Diálogo de Alto Nível entre o Partido Comunista da China e os Secretários Gerais dos Partidos-Antigos Movimentos de Libertação da África Austral, que acontece neste belo país a que nos ligam laços históricos de especial importância, país que também alberga as instalações da Escola de Liderança Professor Julius Nyerere.
Não posso deixar de saudar, igualmente, a Camarada Asha-Rose Migiro, Secretária-Geral do Chama Cha Mapinduzi e Coordenadora do Secretariado dos Partidos-Antigos Movimentos de Libertação da África Austral, ao Camarada Liu Haixing, Membro do Comité Central do Partido Comunista da China e Ministro do Departamento Internacional do PCC, bem assim os Camaradas Secretários-Gerais da FRELIMO, da SWAPO, da ZANU-PF e do ANC e a todos os participantes deste evento.
Apresento ao Partido Comunista da China e ao Chama Cha Mapinduzi os nossos profundos agradecimentos pelo gentil convite formulado ao MPLA, para participar neste Diálogo de Alto Nível entre o Partido Comunista da China e os Secretários Gerais dos Partidos-Antigos Movimentos de Libertação da África Austral, que acontece neste país irmão — a Tanzânia — que desempenhou um papel estratégico na Luta de Libertação de Angola, tendo sido além de uma base de retaguarda para os movimentos de libertação, oferecendo apoio logístico, sob a liderança do Presidente Julius Nyerere, constituiu um abrigo seguro para os combatentes angolanos. De destacar que foi em Dar-Es-Salam, onde o Presidente Dr. Agostinho Neto e sua família receberam abrigo e toda a assistência para prosseguir a luta pela independência.
Foi também aqui, nesta terra irmã da Tanzânia, e particularmente em Dar-Es-Salaam, que o Presidente Dr. António Agostinho Neto, em 7 de Fevereiro de 1974, na Universidade de Dar es Salaam, proferiu a histórica conferência intitulada “Quem é o Inimigo… Qual é o Nosso Objectivo?”, uma das mais profundas formulações políticas, ideológicas e estratégicas da luta de libertação nacional. Nessa intervenção, o Fundador da Nação Angolana ensinou-nos que o inimigo não era um povo, uma raça ou uma nacionalidade; o inimigo era o sistema colonial-imperialista, assente na exploração económica, na dominação política, na alienação cultural, no racismo como instrumento de opressão e no neocolonialismo como forma subtil de perpetuar a dependência dos povos.
Nesse discurso, Agostinho Neto deixou-nos igualmente uma lição de grande actualidade: a independência política, sendo indispensável, não bastaria se não fosse acompanhada pela independência económica, pela libertação cultural, pela justiça social e pela verdadeira emancipação do homem. Para Neto, a luta de libertação não devia transformar-se em vingança, nem substituir uma opressão por outra; devia abrir caminho à construção de uma sociedade nova, soberana, justa, solidária e orientada para o bem-estar das massas mais exploradas. É por isso que, cinquenta anos depois, a pergunta por ele colocada continua viva na consciência dos nossos povos: quem é o inimigo e qual é o nosso objectivo? E a resposta permanece ligada ao dever histórico de libertar os nossos países de todas as formas de dominação, dependência, pobreza e atraso.
Esse seu lugar congregador de reserva histórica legitima a sua escolha para albergar as instalações da Escola Julius Nyerere.
Camarada Ministro do Departamento Internacional;
Camaradas Secretários-Gerais;
Caros Camaradas;
Aproveito o ensejo para felicitar a Direcção do Chama Cha Mapinduzi, pela recepção de irmandade e hospitalidade, assim como pelas excelentes condições criadas para a realização deste certame.
A Escola de Liderança Professor Julius Nyerere, mais do que uma bela, moderna e imponente obra de arte no mundo da engenharia e da construção civil, representa a luta contra o colonialismo e todas as formas de opressão, a luta pela liberdade e o espírito que a guiou, fazendo jus ao seu patrono, o grande combatente e Presidente Julius Nyerere. É esta luta que tem hoje nova indumentária que aqui nos traz, é esta luta que Angola continua a ter como sua e que tem o nosso continente e o partido comunista da China como referência incontornável dos desafios de ontem e de hoje.
Caros Camaradas;
E porque para o nosso país se trata de uma luta por justiça e paz, que no período de Fevereiro de 2025 a Fevereiro de 2026, a República de Angola, na pessoa do seu Presidente, camarada João Lourenço, liderou a Presidência em Exercício da União Africana, com a firme convicção de desenvolver iniciativas que contribuíssem para o cumprimento dos grandes objectivos constantes da Agenda 2063 da União Africana. Esta missão, confiada pela primeira vez ao nosso país, permitiu-nos prestar o nosso singelo contributo para o progresso da nossa causa comum, na base dos valores partilhados inspirados nos pais fundadores do Pan-africanismo.
Durante este mandato, Angola procurou reforçar o papel da União Africana como plataforma de concertação política e de acção concreta, promovendo uma maior articulação entre os Estados-Membros e as Comunidades Económicas Regionais, o fortalecimento da abordagem preventiva, face aos impactos das alterações climáticas e a mobilização de parcerias estratégicas para o financiamento de infraestruturas resilientes.
A actual instabilidade geopolítica global, impulsionada por uma desenfreada corrida armamentista baseada em tecnologias de alta letalidade e sistemas autónomos, representa uma ameaça à paz mundial e à coexistência pacífica entre os povos. Este cenário amplia o risco de conflitos, gera impactos geopolíticos, sociais, humanitários e globais catastróficos ao fazer «letra morta» aos acordos e tratados de desarmamento, minam a confiança e afundam o multilateralismo.
Ao dar prioridade ao poder militar, e não ao diálogo, ao peso e importância da diplomacia e enquanto os orçamentos de defesa atingem recordes históricos, o mundo falha em financiar o combate à fome e à pobreza e à crise ambiental, sacrificando o bem-estar das gerações actuais e futuras em nome de uma falsa sensação de segurança, de poder.
Caros Camaradas,
As agendas dos nossos partidos, alicerçados na história da luta comum, do passado pela independência e a actual pela libertação económica e desenvolvimento, estão projectadas para a criação de condições — infra-estruturas, sociais e económicas — para promover o bem-estar das populações. Esse é o nosso legado e dever histórico que não pode ser destruído.
Nesta caminhada, o cenário internacional oferece exemplos inspiradores, destacando-se o modelo da República Popular da China. Ao focar firmemente na estabilidade e no desenvolvimento do Socialismo com características chinesas, a República Popular da China demonstra ao mundo que o progresso social se constrói com identidade própria, oferecendo, ao sul global uma experiência valiosa de desenvolvimento soberano e partilhado, uma experiência transformadora de desenvolvimento.
É precisamente, para honrar esse compromisso que a abertura do Centro de Estudos do Pensamento do Socialismo com características Chinesas na era do Presidente Xi Jinping, na Escola de Liderança Julius Nyerere ganha uma importância estratégica, fundamental. Transforma este espaço académico numa incubadora de soluções práticas, que permitirá aos nossos quadros estudar de perto o modelo, capacitando-os para adaptar essa experiência de sucesso às respectivas realidades, sempre com o foco no bem-estar do povo, isto é, dotar os nossos formandos das ferramentas científicas necessárias para transformar as aspirações das nossas populações em desenvolvimento concreto. Como dizia o Presidente Agostinho Neto, fundador da Nação angolana “o mais importante é resolver os problemas do povo.”
Saudamos, pois, esta iniciativa que vai permitir olhar o futuro com esperança, pois, como o demonstra o pensamento estratégico de desenvolvimento da República Popular da China «é possível trilhar caminhos próprios de desenvolvimento, colocando o ser humano no centro das políticas públicas e promovendo o crescimento económico, estabilidade social e erradicação da pobreza».
Camaradas;
A nossa estadia na Tanzânia vai permitir-nos também analisar, propondo neste as questões relacionadas com a organização e funcionamento da Escola de Liderança Julius Nyerere, nossa responsabilidade comum, cuja eficiência e eficácia deve constituir um desafio colectivo permanente.
Este evento decorre num momento em que termina mais um curso de formação de quadros dos nossos Partidos, dos quais 20 são angolanos, militantes e quadros do MPLA e das suas organizações, uma aposta no conhecimento para o fortalecimento das nossas estruturas partidárias.
O Comité Central do MPLA reunido a 12 de Março de 2026, na sua X Sessão Ordinária, convocou o IX Congresso Ordinário do Partido para o período de 9 a 10 de Dezembro de 2026, em Luanda, certame que dentre os vários objectivos balanceará o trabalho político-partidário levado a cabo de 2021 a 2026, assim preparará o MPLA para participar e vencer as próximas eleições gerais de 2027, para poder continuar a implementar o seu Programa de Governação, que visa, fundamentalmente assegurar o progresso socioeconómico e o desenvolvimento sustentável do país e ao mesmo tempo, em Dezembro celebra o 70º aniversário da sua Fundação, evento que mobilizará a massa militante e todo o Povo em torno da nossa bandeira.
Termino augurando a todos nós, um Diálogo profícuo e produtivo e que sirva de elemento catalisador para o reforço das históricas e excelentes relações de amizade, de solidariedade e de cooperação existentes entre os nossos partidos e governos, tendo em vista o bem-estar dos nossos povos e países.
Viva o PCC;
Viva o CCM;
Viva a FRELIMO;
Viva a SWAPO;
Viva o ANC;
Viva a ZANU-PF;
Viva o MPLA.
Lutamos Juntos;
Libertamo-nos Juntos;
Crescemos Juntos;
Resistimos juntos;
E Venceremos Juntos.
A luta continua
A vitória é certa
Muito obrigado pela vossa especial atenção.