Mário Cinco

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11/06/2020

NA FOTO: LOPO DO NASCIMENTO, ERNESTO BARTOLOMEU E DR. JONAS SAVIMBI, NA JAMBA.
LOPO DO NASCIMENTO: O EX-PM QUE AGOSTINHO NETO INDICAVA PARA O SUBSTITUIR
Lopo Fortunato Ferreira do Nascimento, é uma das mais emblemáticas figura viva da política angolana dentro do MPLA, diz-se que foi sempre considerado a quarta figura no seio do partido, isto depois da Independência. A nível externo, é da consideração do ex- SG da ONU, Kofi Annan e era da estima do falecido líder sul africano, Nelson Mandela.
O único que ofusca o brilho do chefe
Quando jovem foi muito activo, em Luanda, onde fez os primeiros estudos e o curso geral de comercio e o curso suplementar da então escola Comercial de Vicente Ferreira, revelou-se irreverente quanto as injustiças na era colonial, o que lhe motivou a militar nas células juvenis do antigo partido comunista angolano para de seguida participar nas actividades clandestinas de grupos de acção do MPLA, em Angola.
A sua saída do partido Comunista, em 1955, foi em consequência da decisão consensual dos seus mentores que notaram que não havia condições para a sobrevivência do partido achando por bem, passarem para outra organização que seria o movimento interno, de luta para a independência, o Mina, e subsequentemente ao MPLA. Com ele estavam figuras como António Jacinto , Mário António Fernandes de Oliveira, Ilídio Machado , e outros.
Em Luanda, Lopo foi preso, por duas ocasiões pelo regime colonial. A primeira vez seria em 1956, e posteriormente, em 1963, pela PIDE-DGS acabando por conhecer a liberdade em 1968. Na altura, era trabalhador das Empresas de Cervejas de Angola (ECA), ao qual notabilizou-se como Presidente da Comissão Sindical dos Trabalhadores.
A fuga para o exterior
Em 1973, recebeu uma indicação de um alto responsável do MPLA, na Suíça, Saidi Vieira Dias Mingas para abandonar Angola, com a sua família e se juntar a direção do movimento no exterior para reforçar o apoio ao Presidente Agostinho Neto que se encontrava abalado com os problemas internos relacionados a “revolta activa” e a “revolta do leste”.
A época, a ECA, onde Lopo do Nascimento trabalhava oferecia aos seus quadros uma licença anual para visitarem Portugal. Lopo, entretanto, aproveitaria esta licença de viagem para junto com a esposa Maria do Carmo Assis do Nascimento e dois filhos, partirem para Lisboa, no inicio de 1974. Através da ajuda de padres, em Lisboa, este político e a família seguiram clandestinamente para Madrid, Espanha, onde permaneceram por duas semanas a viver num lar de seminaristas católicos até obterem documentos, que os habilitou a saírem para Argel, onde lhes apanha o 25 de Abril (Golpe militar ocorrido em Portugal) e por final para Brazzaville, onde se encontrava a direção do MPLA.
Lopo faria, então parte da primeira delegação do MPLA, que reforçou a Frente Norte para apoiar o líder do movimento, António Agostinho Neto. Com ele, fizeram-se presentes Hermínio Escórcio, Mendes de Carvalho, Noé Saúde entre outros nacionalistas.
Na Frente Norte, Lopo do Nascimento é colocado no departamento de informação e propaganda do MPLA, e neste mesmo ano participa na conferencia Inter- Regional de quadros e Militantes, onde é eleito para o Comité Central e designado para Secretário do Bureau Político, funções que exerceu até inicio de 1975. É nesta posição que o mesmo faz parte da delegação do MPLA, as conversações de Mombaça (Quénia) e de Alvor (Portugal).
No seguimento das conversações dos acordos de Alvor, em Portugal, ele seria indicado para Primeiro Ministro do Colégio presidencial do governo de transição, em 1975.
A esta altura, revelava-se delfim de António Agostinho Neto. A dado momento, Lopo, e outros camaradas como José Eduardo dos Santos eram os quadros a quem a direção do MPLA, planeava coloca-los, em Campala, Uganda, para a partir deste país proclamarem a independência de Angola caso a FNLA que contava com apoio de tropas zairense estivesse em Luanda.
O plano foi desnecessário porque o MPLA ganhou terreno em Luanda, pondo de parte os outros dois movimentos de libertação nacional. Face as confrontações violentas que se verif**avam no país, em Julho de 1975, Lopo do Nascimento entrou em negociações com a FNLA, através de Ngola Kabangu para preparar a saída de Luanda, dos dirigentes daquele partido que integravam o governo de transição.
Desentendimentos com Agostinho Neto e a saída do país
Logo após a proclamação da Independência, Lopo do Nascimento ficou durante um ano como Ministro do Comercio Interno e posteriormente Ministro do Comercio Externo. Deixou o governo no decorrer de desentendimentos com o Presidente Agostinho Neto que lhe acusara de “tendências burguesas”.
Durante o período de desentendimento com o Presidente Neto, Lopo do Nascimento mudou-se para Adis Abeba, onde estava colocado como Secretário Geral Adjunto da Comissão Económica da Organização de Unidade de África (OUA). Lopo do Nascimento, segundo considerações plausíveis, se tornaria assim no primeiro e até agora o único angolano que chegou mais longe na chefia de uma missão internacional.
Com a morte de Agostinho Neto, ele regressaria ao país, a pedido do então Presidente José Eduardo dos Santos que o convida para fazer parte do seu governo como ministro do plano, cargo que exerceu até 1986. Depois foi nomeado governador provincial da Huíla e posteriormente Ministro da Administração do Território.
O governador que introduziu reformas na Huíla
Lopo do Nascimento ficou com a reputação de ter sido o primeiro governador provincial da Huíla que introduziu reformas econômicas naquela província enquanto que o regime de Luanda persistia com o socialismo de Estado. A sua governação foi marcada com excedentes de produção que não se conseguiu comercializar. Ele estimulou a agricultura familiar e a tração animal que revolucionou a produção na província da Huíla.
Ainda no seu consulado, o então governador criou o Gabinete Regional de Planif**ação no Sul de Angola que fez imensos inquéritos/estudo e estabeleceu relações com ONGs ainda em finais dos anos 80.
De acordo com considerações competentes, Lopo do Nascimento terá posto em prática algumas das suas concepções de desenvolvimento baseadas num pragmatismo entre o socialismo e a economia de mercado.
Em Novembro de 1990, ele foi demitido do cargo de governador provincial, e seria automaticamente nomeado para, em comissão ordinária de serviço, exercer o cargo de assistente especial do Presidente da República para os assuntos políticos.
A Huíla, denota ser a localidade que lhe causam boas lembranças. Nos dias de hoje quando o mesmo se cruza com entidades daquela província procura saber como estão as instituições comunitárias, o poder tradicional, e as famílias que fabricam o chouriço caseiros, se está a chover, etc.
Papel como mediador dos acordos de paz com a UNITA
No inicio de 1991, Lopo do Nascimento seria a figura indicada por José Eduardo dos Santos para procurar entendimento de paz, naquelas que foram as primeiras rondas negociais com a UNITA em Portugal. O seu interlocutor foi Geremias Chitunda, a época Vice - Presidente da UNITA.
Com o calar das armas em Angola, Lopo do Nascimento, tornou-se no primeiro dirigente do MPLA, a visitar a Jamba, antigo bastião da UNITA. Desde então Jonas Savimbi passou a expressar estima por ele. A certa altura, os homens de Jonas Savimbi queixavam-se de incumprimentos na aplicação dos acordos de Bicesse e ao mesmo tempo, o regime havia colocado o general António França “Ndalu”, em substituição de Lopo. A substituição irritaria completamente a UNITA.
Em Setembro de 1991, o “Galo Negro”, reagiria dizendo que “A UNITA está disposta a enviar para a CCPM o seu Vice-Presidente ENG. JEREMIAS KALANDULA CHITUNDA, desde que o Ministro LOPO FORTUNATO FERREIRA DO NASCIMENTO, ambos hábeis negociadores dos Acordos de Estoril, reapareça como dirigente da Delegação do Governo da RPA na CCPM. De contrário, a UNITA vai reconsiderar imediatamente a sua participação nos trabalhos da CCPM.”
A aceitação interna e externa que Lopo de Nascimento passou a ter, naquela época eleitoral, seriam, reconfirmadas em sondagens de especialistas brasileiros que se encontravam em Luanda a assessorar a campanha eleitoral do MPLA. Os brasileiros, viam em Lopo uma figura que reunia consenso de todos os lados políticos e com uma positiva dimensão internacional, razão pelo qual sugeriram a dada altura que fosse ele a conduzir o processo de transição em Angola mas na condição de não poder ser também candidato presidencial para não tomar vantagem. A proposta seria automaticamente rejeitada por JES.
Divergências com JES e o afastamento do Comité Central
Lopo do Nascimento seria mais tarde o Secretário Geral do partido que substituiu Marcolino José Carlos Moco, na década de 90.
Como numero “dois”, do partido, a época, Lopo conservou o seu carisma e ao mesmo tempo os militantes passaram a ver nele como alguém com habilidades para se tornar num possível substituto de José Eduardo dos Santos, seu virtual opositor interno.
Ele seria afastado do cargo partidário no chamado “congresso da Batota”, conforme designou a imprensa privada angolana. A expressão “congresso da batota”, surgiu por ter sido ele (Lopo) a organizar o congresso mas paralelamente, havia um outro grupo sombra, a época conduzido pela então directora dos Serviços de Informações (SINFO), Mariana Lisboa.
Na justif**ação, apresentada na altura, por entidades do circulo presidencial, dizia-se que JES via lacunas no trabalho de Lopo de Nascimento achando que o seu trabalho estaria a enfraquecer o partido e que havia um “vacum”, muito grande entre a direção do MPLA e os seus militantes. JES, conforme leitura dos seus colaboradores, achava que Lopo não se empenhava o suficiente. Ao mesmo tempo foi dissertando, sobre a sua posição em varias reuniões do Comité Central e do Bureau Político até ter chegado o congresso preparado por Lopo como lhe cabia organizar como SG. Através da estrutura paralela conduzida pelo SINFO, JES expulsou do Bureau Político e do Comité Central, Lopo do Nascimento, Lúcio Lara, Marcolino Moco e outros.
Antes de Lopo do Nascimento ser afastado, dos órgãos do partido, o então líder do ANC, Nelson Mandela que tinha estima sobre a sua pessoa, despachou discretamente um emissário a Luanda, a fim de alertar ao então SG do MPLA que estava em curso o processo do seu isolamento político. De inicio, Lopo não acreditou julgando ter tido boa parte dos congressistas consigo, uma vez que foi ele quem organizou o conclave. O “congresso da batota” ficou também notabilizado com o único em que se fez recurso a contagem paralela dos votos.
Retirada para paris e o convite de Kofi Annan
Após ter sido afastado dos órgãos do partido, Lopo decidiu partir para França, onde estudou relações internacional, na Escola de Altos Estudos Internacionais de Paris. Foi colega de Isaías Samakuva, a época representante da UNITA, em França.
Enquanto esteve em paris, Lopo do Nascimento declinou, em 2000, um convite de Kofi Annan que o queria como mediador do conflito no Burundi. Como alternativa, o ex- SG da ONU, endereçou o convite a um outro renomado africano, o ex- Presidente Sul africano, Nelson Mandela, ao qual aceitou. De realçar que Lopo e Kofi Annan, são amigos de longa data desde o tempo, em que um era funcionário das Nações Unidas e o outro na Organização da Unidade Africana (OUA).
O lado presidenciavél
Apesar de ter estado afastado da política e do país, Lopo continuava a galvanizar aceitação em Angola. Em 2000, o extinto Partido de Apoio e Desenvolvimento de Angola (PADEPA), uma formação política formada por jovens veio publicamente manifestar que teria gosto de apoiar uma eventual candidatura de Lopo ao cargo de Presidente da República. Meses depois, Lopo que se encontrava a fazer a formação em paris, deslocou-se a Luanda tendo recebido a direção do PADEPA, no seu escritório, algures na Maianga. No decorrer da audiência, o ex- Primeiro Ministro transmitiu aos seus interlocutores que os seus compromissos e ambições se enquadravam apenas dentro das politicas do seu, partido o MPLA.
Dois anos depois, Lopo deslocou-se a Cabo Verde, e a partir desde pais, anunciou a sua predisposição para candidatar-se à Presidência angolana se essa fosse a vontade das «bases» do MPLA.
Na verdade, o lado presidenciavel de Lopo, começou a surgir já desde a época de Agostinho Neto que dava sinais de o ter como seu “delfim”. Sempre que Neto se ausenta-se do país indicava Lopo como Presidente em exercício, conforme se pode ler na integra do Despacho DR 62/76, assinado em Março de 1976, pelo então Presidente da República, António Agostinho Neto: “Ausentando-me para as Repúblicas da Guiné-Konacry, Guiné-Bissau, Cabo-Verde e S. Tomé, em visita oficial, nomeio para substituir-me, durante a minha ausência, o camarada Lopo Fortunato Ferreira do Nascimento, Primeiro-Ministro da República de Angola.”
Reaproximação com Eduardo dos Santos
Diante da sua aceitação junto dos militantes e da sociedade em geral que o desejavam ver a dirigir um dia os destinos de Angola, Lopo ganhou o estatuto de adversário interno de José Eduardo dos Santos. Mas nos últimos anos começaram a ser verif**ados sinais de reaproximação entre ambos.
Em Setembro de 2011, após ter negado varias vezes, Lopo ficou sem saída e acabou por reconsiderar um convite do Movimento Nacional Espontâneo que o desejava ter numa jornada como orador para falar sobre a Vida e Obra de JES.
Antes de anunciar abandono a vida política activa teve encontros privados com JES que o tentou persuadir a aguentar mais um pouco no parlamento.
A reaproximação que passou a ter com JES é também reflectida na forma respeitosa com que membros do circulo presidencial passaram a ter em si. Num certo dia, Lopo do Nascimento manifestou interesse de ir ter com o general Leopoldino do Nascimento “Dino” que se encontrava no seu gabinete no 25 andar do edifício CIF- China International Fund, em Luanda. Ao telefone, o general Dino transmitiu-lhe que por respeito e por ser mais novo, seria ele a ir aos escritório de Lopo, para ouvir as preocupações deste veterano político e não o contrario.
Os negócios particulares
A semelhança dos membros do regime, este antigo Primeiro Ministro também esta no mundo dos negócios em Angola. Em 2010, Lopo do Nascimento formou um consórcio empresarial com a empresa pública Sonangol, que adquiriu 49 porcento da Coba, ao mesmo tempo que era deputado na Assembleia Nacional.
Em 2011, assumiu o cargo de presidente do Conselho-Geral e de Supervisão da Coba, uma das maiores empresas portuguesas de consultoria em engenharia civil e ambiental.
É também apresentado como acionista do Banco Comercial de Angola (BCA), ao lado de Augusto Tomas, Marcolino José Carlos Moco e França Van-Dunem.
Retirado que está da política activa, Lopo do Nascimento esta no activismo cívico como Presidente do Conselho Fiscal da Associação Liga Nacional Africana. Ao mesmo tempo diz-se que é presentemente o único dirigente que consegue brilhar tanto fora como dentro do partido. Geralmente os membros do regime deixam de brilhar quando caem em desgraça política.

10/06/2020

A história em si ela vem atona, mesmo que alguns oponentes assim o quizerem priva-los.

Mimorias
08/06/2020

Mimorias

Há 28 anos durante a visita do Papa João Paulo II, a Angola. Memórias do tempo longo da história. Dr. Jonas Malheiro Savimbi e o Eng. José Eduardo dos Santos

Grande desafio, de um verdadeiro Patriota.
13/05/2020

Grande desafio, de um verdadeiro Patriota.

ENTREVISTA DO PRESIDENTE DR. JONAS SAVIMBI AO JORNALISTA FRANÇOIS SOUDAN DA REVISTA "JEUNE AFRIQUE"
Parte: I
François Soudan(FS): Senhor Dr.: não cessa de proclamar o caracter africano do vosso combate, fazendo da Negritude a vossa divisa; o seu nome foi, no entanto, associado a todos os poderes Brancos que fizeram de Angola a sua coutada: Portugueses, americanos, Sul Africanos... Reconheça que isso é contraditório!
Jonas Savimbi(JS): O senhor esquece os soviéticos e os Cubanos... As primeiras horas do meu combate foram inspiradas por NKRUMAH e NASSER e Eu permaneci fiel a este Engajamento nacionalista. Isso signif**a que Eu não sou nem pró-ocidental nem pró-socialista, mas Pró-Angolano. É verdade que a máquina de propaganda e de intoxicação orquestrada pelos meus inimigos é realmente ef**az. É também verdade que a vizinhança com a África do sul levanta um problema que os homens de Luanda muito trataram de tirar partido para me desacreditar junto da opinião internacional. Mas os Angolanos conhecem eles próprios a sua história e sabem aquilatar o que não é verdade.
FS: De quando data o seu Engajamento nacionalista? Os que o conheceram como estudante em Portugal e na Suíça dizem que o senhor era um jovem despreocupado e apolitico...
JS: Isso não é verdade. Muito antes de deixa Angola, o meu pai, Loth Malheiro Savimbi, que era chefe de estação do Caminho-de-ferro de Benguela (CFB), tinha-me ensinado que o colonialismo português, como todos os Comunismos, era mortal e era preciso lutar para que o colonialismo morresse. O meu pai queria que Eu adquirisse as armas intelectuais necessária para este combate. É por isso que me enviou a Lisboa, com um pequeno pecúlio no bolço. Inscrevi-me na faculdade de medicina e, em seguida, pus-me em contacto com os estudantes nacionalistas, dentre eles Graça Tavares, Agostinho Neto, e Amilcar Cabral. Juntos distribuimos folhetos e panfletos. Por 3 vezes fui incomodado pela polícia política,
a PIDE, o que me valeu três breves estadas na prisão. Era constantemente perseguido. Cabral aconselhou-me a mudar de área. Fui para a Suíça, para Lausanne.
FS: O senhor doutor inscreve-se então em ciências Políticas e adere á UPA (UNIÃO DOS POVOS DE ANGOLA) de Holden Roberto. Como explica que os seus contactos em Portugal não o tivessem orientado Para o MPLA?
JS: É muito simples. O MPLA, na altura, tinha estrutura ultra-clandestina de que Eu ignorava a existência. Eu militava com Neto, mas Eu não sabia que ele era membro de um movimento organizado. Só quando cheguei à Suíça, nos fins de 1959, me apercebi, ao ler um panfleto, da Existência do MPLA. Escrevi de imediato para Conakry, onde se encontravam Lúcio Lara, Viriato da Cruz e a maior parte dos dirigentes deste movimento. Pedi-lhes informações sobre o seu programa e, se o achassem útil, que me enviassem alguém para me contactar. Passado um ano, não obtive mas do que meias Respostas e ninguém me veio ver.
Em contra partida, Holden Roberto, a quem tinha também escrito, veio ao meu encontro em Lausanne. Tivemos uma discussão de 3 horas. Eu apercebi-me que ele não tinha nenhum programa. Abstive-me, pois de responder. Foi então que, no início de 1960, fui mandatado pela União Geral dos Estudantes Angolanos, organismo próximo ao MPLA e dirigido na época por Luís de Almeida, actual embaixador de Luanda em Paris, para representá-la na conferência dos estudantes Africanos, em Kampala. Encontrei ali TOM M'BOYA, que me levou para Nairobi e apresentou-me a JOMO KENYATTA. O "MZEE" estava em residência vigiada. Encontrar o homem que acabava de escrever o livro intitulado "Ao pé do Monte Kenya" era Para mim um acontecimento de importância determinante. "Não vá para o MPLA" disse-me ele - "São comunistas". "Ingresse antes na UPA e faça tudo para lhe proporcionar um programa. Eis aqui papel: escreve a Roberto". Foi assim que aderi ao que ia tornar-se FNLA.
FS: Logo o senhor doutor seguiu para Leopoldville, a futura Kinshasa, onde Holden Roberto tinha o seu quartel g-General.
JS: Em setembro de 1960, três mêses depois da independência do Congo, Roberto nomeiou-me secretário Geral. Esta nomeação não era seria e, primeiro, Eu recusei. Holden insistiu. Acabei por aceitar, exigindo poder voltar a Lausanne, para aí defender a minha tese de licenciatura sobre "Yalta e a Descolonização".
FS: Imediatamente após começaram a surgir problemas entre o senhor doutor e Holden Roberto. Será que o sr. Dr. Queria tomar o lugar dele?
JS: Precisamente o contrário. Até porque quando alguns elementos, descontentes da desorganização e do etnocentrismo da FNLA quiseram fazer um golpe de estado contra Roberto, opus-me determinantemente. Bem vistas as coisas serias, um suicídio, porque Roberto beneficiava do apoio das autoridades de Leopoldville. E nós teríamos feito o jogo dos Portugueses. Eu preferi, pois, deixar o movimento e fundar uma outra organização. Em Abril de 1964, voltei para a Suíça.
FS: Esta Ruptura foi consumada a quando da cimeira da OUA, no Cairo, três mêses mais tarde.
JS: Efectivamente. Em julho de 1964 fui ao Cairo para explicar a minha Posição aos chefes de estado do Continente. Esta minha tomada de Posição caiu muito mal a Roberto. Contudo, NASSER, NKRUMAH, SEKOU TOURÉ, BEN-BELA e outros chefes de estado apoiaram-me e encorajaram-me a proceguir com a minha iniciativa. Eles estavam desiludido com a ineficiência do MPLA e hostis ao caracter reaccionário da FNLA.
SEKOU TOURÉ disse-me: "Holden Roberto é um agente da CIA". NASSER fez difundir na rádio a minha carta de demissão. Alias, NASSER apoiou-me até a sua morte, em 1970, com uma fidelidade exemplar.
FS: Em setembro de 1964, o Sr. Dr. foi à União Soviética e aos socialistas europeus, o que é que lá foi Procurar?
JS: Fiz essa digressão a conselho de NASSER. Foi ele que encetou os contactos para as minhas visitas a Moscovo, Berlim, Praga, Budapeste e Varsóvia. NASSER sustentava que, sem o apoio duma grande potência progressista como a URSS, eu nunca poderia levar a cabo um combate verdadeiramente revolucionário. Os Soviéticos disseram-me: "Junta-te ao MPLA e serás Vice Presidente". Eu respondi que esta medida não serviria Para nada enquanto este movimento persistisse em Permanecer no exterior de Angola. Era preciso deixar Brazzaville para a mata. Os meus interlocutores responderam-me que tal não era a sua concepção da luta e f**amos por ai. Regressei, pois, ao Cairo, com as mãos vazias. Logo, até 1966, por intermedio de NASSER, Eu mantive contactos com os soviéticos.
FS: No início de 1965, o Sr. Dr. foi á China. Foi por sua própria iniciativa?
JS: Sim e Não. Eu fui de novo ter com NASSER: "Os Soviéticos não nos ajudam, Cuba hesita: o que é preciso fazer?". Ele disse: "Podes escolher entre SUKARNO e MAO, mas eu aconselho o segundo porque os chineses têm uma experiência de guerra de guerrilha superior à da Indonésia". Dirigi-me assim a Pequim, onde fui bem recebido. Contrariamente aos Soviéticos, os Chineses deixaram-me expor as minhas ideias, corrigiram-me algumas e depois disseram-me o seguinte: "Nós Poderíamos dar-lhe dinheiro, mas o senhor iria gastá-lo. Vá, antes, Procurar uma dezena de companheiros seus e regresse aqui, para serem submetidos a um treino militar e, tanto para nós como Para vós, será melhor investimento". Eu penso que eles queriam também testar a minha seriedade. Os chineses deram-me 30 mil dólares e eu fui a Brazzaville, Lusaka e Dar-Es-Salaam, Para ali persuadir 11 dos meus compatriotas a acompanharem-me à Academia Militar de Nanquim. Nós Permanecemos ali 4 mêses, de Abril a Julho de 1965.
FS: Quem era o vosso principal interlocutor chinês?
JS: CHU-EN-LAI, que na altura era primeiro ministro. Ele preocupava-se da ajuda aos Movimentos de Libertação. Encontrei MAO uma única vez em 1967. Eu tinha acabado de assentar as bases para a Luta Armada. Ele fez-me uma pergunta acerca do encaminhamento até ao "maquis" das armas que a China facultava. Respondi-lhe que tinha o acordo dos Presidentes NYERERE e KAUNDA para que esse material transitasse pela Tanzânia e Zâmbia. Ele disse-me então num tom sibilino: "A Revolução Africana é muito jovem e que um desses chefes de Estado se apodere do material. Não fiqueis desencorajados. Sede pacientes".
FS: A China reconheceu oficialmente o governo do MPLA e convidou o presidente dos Santos. Os vossos amigos de ontem abandonaram-vos...
JS: Eu Conheço os Chineses. Esta aproximação entre Pequim e Luanda não me inquieta. Entre eles e Nós não haverá nunca e não hà Ruptura.
Fonte: Livro do General Kamy [Título: Primeiro o Angolano e o Angolano Sempre(Pag:144/147]

Cerebros africanos...
12/05/2020

Cerebros africanos...

DONALD TRUMP INSULTA NOVAMENTE OS AFRICANOS DIZENDO QUE AFRICANOS SÃO ANIMAIS SELVAGENS, NÃO SÃO HUMANOS Numa conferência de imprensa realizada recentemente em Washinton na Casa Branca, Trump, fez declarações ofensivas contra os líderes africanos e o seu povo. Donald Trump explica as suas declarações contra os africanos: Se depois de 50 anos de independencia vc não construiu a infra – estrutura necessária para o seu povo vc é humano? Se vc se senta em ouro, diamantes, petróleo, urânio, ferro, cobre, prata, magnêsio, olélio bruto, gás, se seu povo morre a fome, sem saúde e sem nada para viver, com péssima educação, vc assim se sente humano? Se f**as no poder, vc compra armas no estrangeiro para matar seus próprios cidadãos vc é humano? Se vc despreza e dispara em seus próprios cidadãos como nada, quem os vai respeitar? Se vc se torna um gatuno de seu próprio país roubando todos os recursos destinados ao seu país, enquanto a maioria dos seus irmãos são miseráves, morrem a fome e vivem muito mal, dinheiro este destinado ao desenvolvimento do seu país vc usa para fins próprio, assim vc se sente humano? Se vc prefere ter muitas mulheres, e muitos filhos, vc é humano? Se o seu único projecto social é f**ar no poder até morrer vc é humano? Se vc deixa os cuidados de seu país sem vigilância, enquanto o seu hospital f**a no exterior, quando vc está doente vai no estrangeiro enquanto seu sistema de saúde é a pior vergonha, assim vc é humano? Até que seus líder pensem menos de si mesmo e mais sobre seu povo. Vc não é humano, porque quem de determina ser humano ou não são os seus líderes, se eles não são humanos vc não é humano. Vc africanos vcs são animais selvagens, não são humanos, concluiu Trump, na conferência sobre África.. Vamos colocar isso viral...PARTILHA QUATAS VEZES VC ACHAR MELHOR Manos assim não curtem au menos a pagina ... Se essa noticia não agrada certas pessoas vão me perdoar pois eu também só um africano eu vivo na m***a como muitos ..... Só Deus sab até quando isso vai terminar.... Desculpem me por publicar essas coisas

11/05/2020

Funções Psicológicas de Ideologia- em política os homens raramente admitem motivos egoístas, mas elaboram ideologias para objetif**ar e racionalizar aqueles motivos; frequentemente criam bodes expiatórios para permitir a descarga de impulso agressivos, com ideologia revisadas para justif**ar a crueldade; e projetam a culpa sobre outros , desenvolvendo ideologias aqui atribuem seu infortúnio à opressão e que justif**a justif**arm suas ações como injustiça "corretiva"

10/05/2020

Platão, em a República , atribui essa opinião a Trasímaco, o qual afirmava que a natureza do homem é governada por egoísmo e que justiça é Meramente o "interesse do mais forte "...

08/05/2020

"Socialismo é um sistema de propriedade comunal(ou social )estabelecido para propósito de de fazer (ou conservar)a distribuição de renda, riqueza,oportunidade e poder econômico o mais próximo possível da igualdade "

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