19/08/2022
Foram grandes tempos, pena que hoje já não se vê isso.
“Nunca foi o tamanho da casa, sempre foi o tamanho do coração”
Nunca foi o tamanho daquela pequena casa, sempre foi tamanho do coração daquela mulher. Sempre havia espaço para mais um, um neto, um sobrinho, um enteado, um vizinho, não importa, sempre havia lugar para mais um.
Quase nada tinha, mas aquele pouco parecia que sempre se multiplicava para alimentar muitas bocas e barrigas. O arroz com feijão não faltava, fazia com mestria na sua velha panela de barro, dizia que a panela de pressão realmente lhe pressionava o coração com aquele som que ela detestava.
Quando chegasse a noite, também chegava a alegria para todas as crianças, sentavam todos no quintal, desde os familiares e os vizinhos, sempre acompanhados da ginguba torrada que ela cultivava na sua pequena lavra. Com brilho nos olhos contava histórias dos seus tempos de mocidade, contava histórias que deixavam a todos curiosos e sedentos por mais e mais.
Nunca houve separação, desde os seus filhos aos filhos das outras pessoas tudo resumia-se numa palavra para aquela mulher “meus filhos”. Muitas daquelas crianças cresceram, alguma morreram e, aquela mulher ficou mais velha que antes.
Antigamente, tinha a sua volta crianças felizes e curiosas por ouvir as suas histórias; nos dias de hoje tem velhos e velhas a sua volta para limparem a suas lágrimas. Ela chora sempre que lembra de cada uma daquelas crianças, que hoje são homens e mulheres. O que mata o seu coração é pensar que nenhuma daquelas crianças se lembra dela hoje, todos os dias ela chora sentada e abandonada num beiral com os seus novos companheiros e companheiras, velhos e velhas que os familiares decidiram abrir mão .
18.08.2022
[Por: Luis da Silva Ubuntu]