08/09/2026
English Version:
Participation of Timor-Leste in the 3rd Edition of the Hili Forum.
Abu Dhabi, 7 September 2026 – His Excellency Rui Manuel Hanjam, Ambassador of the Democratic Republic of Timor-Leste to the United Arab Emirates, accompanied by Ms. Sujiana de Araújo, Third Secretary, participated in the 3rd Hili Forum, held at the Regis Saadiyat Resort, Abu Dhabi, under the theme “Gulf at Crossroads: Conflicts, Consequences and Course Correction.”
The high-level forum brought together senior government officials, diplomats, policymakers, and strategic affairs experts to discuss pressing regional and international issues, including Gulf security, maritime navigation, trade, energy security, Gaza, and the evolving international order.
A principal Speaker of the event, Dr. Anwar Bint Mohammed Gargash, highlighted the resilience, strategic autonomy, and economic strength of the UAE following the unprecedented regional crisis over the past six months, such as:
• UAE resilience: He noted that Iran launched approximately 3,300 missiles and drones toward the UAE, with most attacks directed at civilian infrastructure. While praising the UAE’s air-defence capabilities, he stressed that the greater achievement was the country’s national resilience, unity, and continued development.
• Economic continuity: Despite the conflict, the UAE economy remained resilient, with non-oil foreign trade increasing by around 13% in the first half of the year. The crisis has accelerated existing plans to diversify infrastructure, trade routes and energy-export channels.
• Strategic autonomy: He argued that strategic autonomy is now a rational policy necessity, meaning the UAE must have the capacity to protect its economy, population and national decision-making. However, this does not mean isolation; partnerships, particularly with the United States, remain important.
• Relations with Iran: Dr Gargash emphasized that Iran remains a geographical neighbor and that eventually a functional relationship with Iran must be restored. However, he distinguished between restoring relations and rebuilding trust, arguing that trust has been severely damaged and may take many years to recover.
• Regional cooperation: He expressed concern that the collective Gulf and international response to the crisis was less effective than the individual national responses**. The region needs a more unified and strategic approach to security challenges.
• Strait of Hormuz: He strongly emphasized that the Strait of Hormuz is an international waterway of global importance. Freedom of navigation, maritime security, and energy security must not be subject to coercion. Disruption of the Strait would affect not only the Gulf but also global energy, trade and food security, including fertilizer supplies.
• International order: He criticized the limitations of the international system, particularly the difficulty of the United Nations and other mechanisms in preventing escalation and protecting international law.
For future regional order, Dr Anwar Gargash emphasized:
• Sustained diplomatic engagement and de-escalation
• Protection of freedom of navigation through the Strait of Hormuz
• A long-term diplomatic framework addressing regional security threats
• Respect for sovereignty and non-interference
• Reducing the role of militias and non-state armed actors;
• A clear and verifiable framework for Iran’s nuclear programme; and
• Credible deterrence combined with diplomacy.
Discussions emphasized the importance of regional cooperation, freedom of navigation, respect for international law, resilient trade and energy supply chains, strategic autonomy, and sustained diplomacy and dialogue as essential elements for long-term regional stability.
The Forum also explored Gaza’s recovery and the prospects for reviving the Two-State Solution, highlighting the importance of stabilization, reconstruction, and restoring a credible political pathway toward a lasting and peaceful settlement.
Timor-Leste's participation reaffirmed its commitment to constructive dialogue, multilateral cooperation, respect for international law, and peaceful approaches to addressing regional and global challenges. It also underscored Timor-Leste’s interest in strengthening partnerships and contributing to international efforts that promote peace, stability, and sustainable development.
Versão em Português:
Participação de Timor-Leste na 3.ª Edição do Fórum Hili
Abu Dhabi, 7 de setembro de 2026 – Sua Excelência Rui Manuel Hanjam, Embaixador da República Democrática de Timor-Leste nos Emirados Árabes Unidos, acompanhado pela Senhora Sujiana de Araújo, Terceira Secretária, participou na 3.ª edição do Fórum Hili, realizada no Regis Saadiyat Resort, em Abu Dhabi, sob o tema “Golfo numa Encruzilhada: Conflitos, Consequências e Correção de Rumo”.
O fórum de alto nível reuniu altos funcionários governamentais, diplomatas, responsáveis pela formulação de políticas e especialistas em assuntos estratégicos para discutir questões regionais e internacionais prementes, incluindo a segurança do Golfo, a navegação marítima, o comércio, a segurança energética, Gaza e a evolução da ordem internacional.
Intervenção Principal do Dr. Anwar bin Mohammed Gargash
O principal orador do evento, Dr. Anwar bin Mohammed Gargash, destacou a resiliência, a autonomia estratégica e a força económica dos Emirados Árabes Unidos na sequência da crise regional sem precedentes registada nos últimos seis meses como:.
• Resiliência dos EAU: Sublinhou que o Irão lançou aproximadamente 3.300 mísseis e drones contra os Emirados Árabes Unidos, tendo a maioria dos ataques sido dirigida contra infraestruturas civis. Embora tenha elogiado as capacidades de defesa aérea dos EAU, salientou que a maior conquista foi a resiliência nacional, a unidade e a continuidade do desenvolvimento do país.
• Continuidade económica: Apesar do conflito, a economia dos EAU manteve-se resiliente, com o comércio externo não petrolífero a aumentar cerca de 13% durante o primeiro semestre do ano. A crise acelerou os planos já existentes para diversificar as infraestruturas, as rotas comerciais e os canais de exportação de energia.
• Autonomia estratégica: Argumentou que a autonomia estratégica constitui atualmente uma necessidade racional de política nacional, significando que os EAU devem dispor da capacidade necessária para proteger a sua economia, a sua população e a sua capacidade de tomar decisões nacionais. Sublinhou, contudo, que isto não significa isolamento, uma vez que as parcerias internacionais, particularmente com os Estados Unidos, continuam a ser importantes.
• Relações com o Irão: O Dr. Gargash salientou que o Irão continua a ser um país vizinho dos EAU e que, no futuro, será necessário restabelecer uma relação funcional com o Irão. Contudo, distinguiu entre o restabelecimento das relações e a reconstrução da confiança, argumentando que a confiança foi gravemente afetada e poderá levar muitos anos a ser recuperada.
• Cooperação regional: Manifestou preocupação pelo facto de a resposta coletiva do Golfo e da comunidade internacional à crise ter sido menos eficaz do que as respostas individuais de cada Estado. Sublinhou a necessidade de a região adotar uma abordagem mais unificada, coordenada e estratégica perante os desafios de segurança.
• Estreito de Ormuz: Sublinhou fortemente que o Estreito de Ormuz é uma via marítima internacional de importância global. A liberdade de navegação, a segurança marítima e a segurança energética não devem estar sujeitas a qualquer forma de coerção. Qualquer perturbação da navegação no Estreito afetaria não apenas os países do Golfo, mas também a segurança energética, o comércio e a segurança alimentar a nível mundial, incluindo o fornecimento de fertilizantes.
• Ordem internacional: Criticou as limitações do atual sistema internacional, particularmente as dificuldades enfrentadas pelas Nações Unidas e por outros mecanismos internacionais na prevenção da escalada dos conflitos e na proteção do direito internacional.
Para uma futura ordem regional, o Dr. Anwar Gargash destacou a necessidade de:
• Manter um envolvimento diplomático contínuo e promover a desescalada;
• Proteger a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz;
• Estabelecer um quadro diplomático de longo prazo para fazer face às ameaças à segurança regional;
• Respeitar a soberania e o princípio da não ingerência;
• Reduzir o papel das milícias e dos grupos armados não estatais;
• Estabelecer um quadro claro e verificável para o programa nuclear do Irão; e
• Assegurar uma dissuasão credível combinada com a diplomacia.
As discussões destacaram a importância da cooperação regional, da liberdade de navegação, do respeito pelo direito internacional, de cadeias de abastecimento comerciais e energéticas resilientes, da autonomia estratégica, bem como da diplomacia e do diálogo contínuos como elementos essenciais para a estabilidade regional a longo prazo.
O Fórum abordou igualmente a recuperação de Gaza e as perspetivas de revitalização da Solução de Dois Estados, destacando a importância da estabilização, da reconstrução e da recuperação de uma via política credível para alcançar uma solução duradoura e pacífica.
A participação de Timor-Leste reafirmou o compromisso do país com o diálogo construtivo, a cooperação multilateral, o respeito pelo direito internacional e as abordagens pacíficas para fazer face aos desafios regionais e globais. Reforçou igualmente o interesse de Timor-Leste em fortalecer parcerias e contribuir para os esforços internacionais destinados a promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável.