24/12/2021
O sistema PTucano
A classe dominante descansa tranquila, na certeza de que seus interesses, seja com Bolsonaro ou Lula na chefia do Executivo, permanecem intocados.
Ao contrário do que afirma um político como Ciro, não é a ausência ou a falência de um projeto de país que, hoje, revela as vísceras da República aos olhos de milhões de brasileiros; antes, é a existência cirurgicamente exitosa de um projeto dependente de nação que, após a cômoda alternância de petistas e tucanos, atinge seu apogeu sob o governo do proto-fascista Bolsonaro.
Sempre que o sistema de dominação da burguesia se revela insuperável nos marcos da ordem burguesa e incapaz de remediar as questões mais elementares da vida do nosso povo, Lula é convocado para garantir a estabilidade política e a domesticação das massas que a classe dirigente carece para continuar avançando no seu projeto de mutilação da nação. Foi assim ao final da década de 90, quando o entreguismo de FHC alienava a soberania nacional e abria as avenidas do monumental processo de internacionalização do país que daria, ao final, a moldura do desenvolvimento ulterior do capitalismo brasileiro, marcado, de um lado, pelo caráter rentista da acumulação e, de outro, pela profunda regressão do país na divisão internacional do trabalho, consolidado hoje como mero celeiro agrícola e mineral do mundo. Querem que seja assim hoje, no momento em que patriotismo postiço do capitão degenerado e seu comboio de generais aprofunda aquele mesmo processo de alienação das nossas riquezas, novamente condenando milhões ao martírio completo.
A questão a ser colocada é: o terceiro mandato do carpinteiro das ilusões, costurado em alianças com liberais e conservadores que não permitem mais ocultar a cínica comunhão entre tucanos e petistas, será suficiente para conter a ira popular que se avizinha?
Os últimos anos em que o sistema Petucano esteve no poder representou enorme retrocesso político e organizativo para a maioria da população brasileira. O povo, orientado por suas necessidades imediatas, embarcou na narrativa oficial de que os ganhos reais no salário mínimo, a expansão do ensino superior (predominantemente privado), as modestas taxas de crescimento do PIB e uma pretensa respeitabilidade internacional teriam caráter permanente. Subitamente, o Brasil se transformara num “país de classe média”. Uma combinação ideológica que inflou a autoestima do Brasil e dos brasileiros, permitindo a “paz social” que tanto encanta os capitalistas no país.
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