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A indicação de hoje é o livro “Um feminismo decolonial”, da cientista política Françoise Vergès. “Quem limpa o mundo?” é...
14/08/2024

A indicação de hoje é o livro “Um feminismo decolonial”, da cientista política Françoise Vergès.

“Quem limpa o mundo?” é o questionamento central do livro que trago, assim como deve ser o questionamento das nossas discussões no tocante a trabalho, gênero, raça e classe. Pois é um trabalho que permanece invisível, mal pago e subqualificado, apesar de ser fundamental para a manutenção do mundo patriarcal, capitalista e branco.

Indico também por tratar de um tema que me toca pessoalmente, a decolonialidade. A decolonialidade representa uma ameaça aos regimes autoritários que apoiam o capitalismo econômico absolutista e todos deveriam se aprofundar em suas teorias. a proposta de Vergès é que o feminismo decolonial seja posto em prática para cumprir seu papel radical no longo processo sócio-histórico de descolonização. À proposta feminista decolonial, voltada à emancipação de mulheres e homens racializadas/os, especialmente no Sul global, de Françoise Vergès me lembra bastante o trabalho de Lélia González em prol de um feminismo afro-latino-americano.

A leitura de “Um feminismo decolonial” destaca perspectivas e práticas de mulheres negras em prol de sua libertação de regimes de opressão ao redor do mundo. Leitura fundamental!

Falar sobre auto-ódio é revisitar a criança que até os dias de hoje tenta se curar das dores a que foi submetida desde c...
28/07/2024

Falar sobre auto-ódio é revisitar a criança que até os dias de hoje tenta se curar das dores a que foi submetida desde cedo.

Pregadores no nariz, alisamento no cabelo, maquiagem três tons abaixo, consumir cultura branca para que um dia pudesse agir de acordo quando me fosse permitido pertencer. Que teve suas dores minimizadas e seus traumas não tratados como tal.

Mas, hoje, aos 24 anos, quero cuidar dessa criança interior que foi machucada pelo racismo e que sobreviveu a todas as misérias da branquidade e dizer a ela que tá tudo bem ser da nossa cor, ter o nosso nariz, que deixar os cachos com os frizz soltos é libertador. Esse sentimento de “não pertencimento”, assim como nos diz Fanon, é consequência direta de processos históricos coloniais, mas a nossa, a minha história não se resume a branquidade e o que ela fez comigo.

É o agora. É a quebra das correntes do colonialismo. É rejeitar a ordem e a posição à margem que nos colocaram. É ser decolonial. Que sejamos, enfim, livres das amarras para nos amar.

Como Nego Bispo diz: a colonialidade é um problema de vocês, brancos”.

05/08/2022

“Seja forte e corajosa” aprendi isso durante a infância e desde então carrego comigo. E hoje, aprendi novamente com Simone.

Biles, referência como atleta, ginasta e acima tudo, como mulher preta. Simone abriu mão de uma competição olímpica onde os olhos do mundo estavam direcionados a ela para cuidar de sua saúde mental. Um recado importante em meio a todo esse período que estamos vivendo: a tua saúde mental é mais importante.

Me lembrei de quantas vezes anulei o que sentia para não demonstrar fraqueza, de quantas vezes carreguei o fardo de ser sempre duas vezes melhor que mulheres brancas, de mesmo cansada e exausta, ir sempre mais além do que podia para manter a excelência e rendimento… Por isso, significa demais uma mulher preta do tamanho e alcance de Simone se dispôr a falar sobre saúde mental, que não é fraqueza assumir nossas fragilidades. Biles mostrou que mulheres pretas não precisam carregar todo mundo nas costas, que está tudo bem não estar bem. Que apesar de sermos fortes, precisamos de acolhimento e cuidado.

Simone, tu és sinônimo de bravura. És forte e corajosa. E contigo aprendemos mais uma vez que não precisamos adoecer para atender as expectativas alheias.

Meu desejo é que mais mulheres pretas aprendam que tá tudo bem precisar de cuidado. Ainda somos fortes e corajosas. ✊🏾

Imagem: LIONEL BONAVENTURE VIA GETTY IMAGES

25/03/2022

sobre feminismo branco e mulheres pretas.

pequeno trecho da fala em um evento que fui convidada para palestrar. obrigada pelo registro, .oliveira_. seguimos pelas e pelos nossos: povo preto.

Tenho me perguntando isso repetidas vezes essas últimas semanas. E confesso que ainda não cheguei em uma resposta.Parece...
18/09/2021

Tenho me perguntando isso repetidas vezes essas últimas semanas. E confesso que ainda não cheguei em uma resposta.

Parece que nós, mulheres pretas, temos uma certa obrigação de carregar o mundo inteiro nas costas. Temos que cuidar de tudo e todos.

Mas pera lá. E eu? E a gente? Se eu faço tudo, quem está lá por mim?

Eu não sei.

Tu sabes quem cuida de quem cuida? Quem cuida de ti? 🤔

• LITERAPRETA• Como primeira indicação do LITERAPRETA, eu tinha que trazer Zélia Amador de Deus. Zélia é uma inspiração ...
09/09/2021

• LITERAPRETA•

Como primeira indicação do LITERAPRETA, eu tinha que trazer Zélia Amador de Deus.

Zélia é uma inspiração e referência para mim. Ela nasceu no municipio de Soure, no Marajó, e se criou pela Sacramenta, em Belém. Assim como eu.

Caminhos trilhados na luta antirra***ta é um livro que reune um conjunto de textos onde mostram os caminhos percorridos por Zélia ao longo da sua história - e que história! Zélia amador é uma história viva, que continua pleiteando políticas afirmativas para que vulnerabilizados tenham chance nessa sociedade tão desigual e injusta. Zélia nos faz acreditar junto com ela que vale a pena lutar e produzir contra as desigualdades e racismo dessa sociedade.

Como ela diz em seu livro "se há uma certeza que carrego comigo é que sempre fui, e continuarei sendo, enquanto vida tiver, uma mulher preta com o sonho de consertar o mundo".

Leiam Zélia Amador de Deus. ♥️

Tem dias que eu quero desistir de muita coisa. Seja da universidade, do amor, de sonhos ou desejos pessoais. Tem dias qu...
02/09/2021

Tem dias que eu quero desistir de muita coisa. Seja da universidade, do amor, de sonhos ou desejos pessoais. Tem dias que o cansaço bate mais forte que a vontade de chegar no topo. E essa semana, esse dia tem sido todos os dias.

Estar cansada para mim é quase um inferno. Eu não posso me dar o luxo de cansar porque preciso produzir, trabalhar, dar conta de tudo e carregar pesos nas minhas costas. Eu não posso me dar o luxo de cansar porque preciso cuidar dos meus.

Mas quem cuida de quem cuida?

Por isso, é necessário parar. Dar dois passos para trás para dar vários outros para frente. Em uma sociedade que acordar e ir para a rua todo dia é uma batalha, tá tudo bem cansar. Tá tudo bem não estar bem. Tá tudo bem largar de mão certas coisas e se colocar em primeiro lugar. Nossa mente precisa estar sã para que nosso corpo também esteja.

Sejamos nossa própria prioridade em dias que só de estarmos vivos já é uma vitória. Incrivelmente estamos vivos, mesmo com tudo. Que cuidemos de nós assim como nós cuidamos dos outros.

Tá tudo bem. Você já pode parar e respirar.

Sororidade para quem? Se nunca estivemos no mesmo lugar? 🤔Desde o século 19 mulheres pretas trabalhavam como empregadas ...
29/08/2021

Sororidade para quem? Se nunca estivemos no mesmo lugar? 🤔

Desde o século 19 mulheres pretas trabalhavam como empregadas domésticas, cuidavam dos filhos de mulheres brancas enquanto elas iam a rua pelo direito ao voto. Pouco se fala, até mesmo nos dias de hoje, de como o movimento sufragista era ra***ta. De como o feminismo precisa trazer para seus espaços o antirracismo, incluir também homens pretos em seus debates. O movimento feminista branco precisa entender de uma vez por todas que mulheres brancas carregam privilégios que herdaram da época escravocrata e que sim, também oprimem mulheres pretas.

É mais do que necessário debater as relações de poder entre mulheres brancas e negras. A ideia do feminismo que obriga mulheres negras a serem empáticas com suas opressoras por conta de uma “sororidade” que nunca existiu precisa acabar.

• MAS TU JÁ OUVISTE? •Agora o Mano Brown tem o próprio podcast! O Mano a Mano estreou ontem no Spotify e vai ficar dispo...
27/08/2021

• MAS TU JÁ OUVISTE? •

Agora o Mano Brown tem o próprio podcast! O Mano a Mano estreou ontem no Spotify e vai ficar disponível de forma gratuita, com o intuito de democratizar as discussões e tornar o conteúdo mais acessível.

O Podcast Mano a Mano vai receber diversas personalidades para conversar sobre vários temas, como saúde, música e política. A primeira convidada foi a cantora Karol Conká, que pelas palavras de Mano “Eu enxerguei a minha mãe nela, em alguns momentos eu comparava ela com a minha mãe. Esse olhar fez o diálogo fluir melhor”.

Bora escutar esse Podcast? Me conta o que tu achaste! 🔥

Antes d’eu ser uma mulher, eu sou uma pessoa preta. A minha cor sempre chegou primeiro nos lugares muito antes do meu gê...
19/08/2021

Antes d’eu ser uma mulher, eu sou uma pessoa preta. A minha cor sempre chegou primeiro nos lugares muito antes do meu gênero e classe. Depois de ser preta, sou mulher e periférica.

Cresci escutando que não podia ter medo, mas ao mesmo tempo, cresci com medo e ainda vivo com ele. Eu, preta, mulher e periférica, tenho muitos medos. Mesmo sabendo que eles não podem me dominar ou aprisionar.

Tenho medo de ser confundida e acabar levando alguns tiros de advertência. Tenho medo de não conseguir voltar pra casa. Tenho medo de não estar vestida adequada para meu local de trabalho ou na faculdade. Tenho medo de não ser inteligente o bastante. Tenho medo de não ser boa o suficiente. Eu tenho medo de nunca ser assumida e valorizada. Eu tenho medo de ser mãe (mesmo sendo meu sonho). Como colocar uma criança preta nesse mundo se ela vai sentir os mesmos medos que eu?

Eu tenho muito medos. Mas todos os dias pela manhã, assim que saio de casa, coloco eles no meu bolso e sigo caminhando com meus ancestrais me guiando. Eles também tinham medos. Outros medos.

E tu, preto? Tu tens medo de que?

Foi somente na 3º Olimpíada, em St. Louis-1904, que os Jogos Olímpicos registraram a presença dos primeiros atletas negr...
08/08/2021

Foi somente na 3º Olimpíada, em St. Louis-1904, que os Jogos Olímpicos registraram a presença dos primeiros atletas negros. Dois zulus, Len Taunyane e Jan Mashiari, estavam na cidade para participar de uma exposição sobre a Guerra dos Bôeres, confronto armado que aconteceu na Cidade do Cabo, na África do Sul, e acabaram sendo colocados para correr a maratona. Len e Jan disputaram a prova descalços, usando chapéus de palha, provocando risos do público americano. Afinal, o que esperar de supremacistas? Nada.

117 anos depois, nas Olimpíadas de Tokyo 2020, conseguimos continuar testemunhando o que sempre soubemos: Somos potências. E não é coisa de hoje, viu? Esportistas negros fazem contribuições históricas e reivindicam igualdade desde o início dos Jogos na era moderna. Nomes como Jesse Owens, Aída dos Santos, Tommie Smith, John Carlos, Servilio de Oliveira, Kobe Bryant, Serena Williams, Rafaela Silva, Daiane dos Santos, entre muitos outros, estão presentes na nossa história olímpica.

É o nosso legado. Nossa história viva.

Os talentos sempre estiveram aqui, vivos, incrivelmente vivos, resistindo e fazendo história, caminhando para que chegássemos hoje, em 2021, e conseguíssemos continuar trilhando esse caminho. Na falta de condições e oportunidades, o povo negro continua se reiventando e provando para todos que podemos ser os melhores. Que somos fenomenais. Que somos potências.

Endereço

Belém
Ananindeua, PA

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