23/02/2022
Intervenção da Liga Feminista no Porto na Sessão Ordinária da Assembleia Municipal do Porto de 21 de fevereiro.
Não seremos silenciadas, ignoradas ou menosprezadas! Levaremos o programa das mulheres a todas as ruas, em todos os bairros, a todas as escolas e universidades, a todas as fábricas, a quem nos afirma representar e a quem trai os nossos interesses.
Relegar para último ponto da ordem de trabalhos o período de intervenção dos cidadãos, ao contrário da atuação da maioria das Assembleias Municipais do distrito, onde este ponto por norma lidera os trabalhos, representa nada mais do que uma ferramenta de silenciamento e de afastamento de quem vive e trabalha na nossa cidade dos processos de participação e construção política. Obrigar uma mãe que trabalha doze horas por dia, entre trabalho pago e não pago, que cuida da casa e dos filhos, a esperar quatro horas e meia, do lado de fora deste auditório onde não lhe é permitida a entrada, para ter a oportunidade de partilhar por dez minutos com os “excelentíssimo integrantes desta Assembleia” o seu direito à palavra e à reivindicação, parece-nos a nós um claro atropelo aos direitos democráticos.
De uma forma ou de outra, não arredamos pé.
O crescimento das forças fascistas e reacionárias, que ganharam calo nas últimas eleições legislativas de 30 de janeiro, exige uma resposta célere e irrefutável. Às ameaças de retrocessos nos direitos laborais, de ataques aos nossos direitos reprodutivos, à sua propaganda misógina, xenófoba e ra***ta, às suas ofensivas contra a comunidade LGBTQIA+ e às suas promessas de desmantelamento do Estado Social, cujos apoios (insuficientes) são frequentemente a última barreira entre tantas de nós e a miséria; as mulheres responderão intransigentemente: ocuparemos todas as ruas, travaremos todas as batalhas. Contra a ascensão fascista, resistência feminista!
Avançamos juntas, na construção do movimento feminista, e rumo à Grande Manifestação do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora.