09/05/2026
𝐂𝐎𝐌𝐔𝐍𝐈𝐂𝐀𝐃𝐎 𝐄𝐌 𝐂𝐎𝐍𝐅𝐄𝐑Ê𝐍𝐂𝐈𝐀 𝐃𝐄 𝐈𝐌𝐏𝐑𝐄𝐍𝐒𝐀
Vivemos por estes dias um dos momentos mais delicados da democracia em Vila do Conde. Estamos a assistir a um dos episódios mais negros do nosso poder autárquico local.
Convém, desde logo, afirmar a nossa posição de que sobre eventual matéria criminal não nos pronunciaremos, pois compete à justiça fazer o seu caminho. À justiça o que é da justiça!
Por outro lado, cumpre parabenizar o excelente trabalho de oposição desenvolvido pelos nossos eleitos na Assembleia de Freguesia de Vila do Conde, nomeadamente, ao Rui Saavedra, que com escrutínio e responsabilidade fizeram um trabalho sério e rigoroso de fiscalização ao executivo da Junta de Freguesia.
Politicamente há vários factos relevantes a frisar, a saber:
A suspeição que recai sobre o atual presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde e sobre o Partido Socialista é grave, porque coloca em causa o que é mais elementar na política - a relação de confiança entre eleitos e eleitores. E este é um acontecimento que contribui para agravar ainda mais a fragilidade da democracia de quem está no poder em Vila do Conde.
E apesar das tentativas que já começamos a assistir por parte do Partido Socialista para se demarcar desta situação, não pode este sacudir a água do capote.
Senão vejamos:
Vitor Costa escolheu duas vezes Isaac Braga para seu candidato à Junta de freguesia de Vila do Conde.
As datas dos factos que vieram a notícia reportam-se a abril 2024 a outubro 2025.
Ora, Vitor Costa escolheu em outubro de 2025 recandidatar Isaac Braga a Presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde.
Vitor Costa apoiou-o e andaram juntos a pedir confiança ao povo para, assim, alavancar o seu resultado eleitoral.
Passadas as eleições e após o apoio e o voto favorável do Partido Socialista ao Orçamento para 2026, a maioria dos seus eleitos absteve-se das contas de 2025, permitindo assim o seu chumbo.
Porém, só com o conhecimento efetivo da reportagem da RTP é que os membros do Partido Socialista da Assembleia de Freguesia fizeram um comunicado, que nada diz e que se escusa atrás da autonomia dos autarcas de freguesia.
Isto, enquanto a Distrital do Partido Socialista, em claro distanciamento da concelhia de Vila do Conde, se apressou na retirada de confiança política ao Presidente da Junta da Freguesia de Vila do Conde.
Mas o que é verdadeiramente estranho e inaceitável é o silêncio ensurdecedor até ao momento de Vitor Costa, Presidente do Partido Socialista de Vila do Conde. Silêncio quando se assola uma enorme tempestade em Vila do Conde sobre a Junta de Freguesia da sede do concelho, a maior de todas as freguesias.
Sendo a maioria das verbas da Junta oriundas dos orçamentos municipais e do Governo Central, como é possível que Vitor Costa não tivesse conhecimento desta situação?
É sabido que o líder do Partido Socialista não é alheio, nem pode ser, ao que se passa com os seus representantes, eleitos com poder executivo.
Depois de assistirmos ao permanente desrespeito de Vitor Costa para com a oposição, assistimos agora à desagregação das equipas e do projeto político do Partido Socialista na Junta de Vila do Conde.
As pessoas não servem apenas para ganhar as eleições.
Lamentamos profundamente que Vila do Conde continue a ser notícia sempre por maus motivos.
O PS quer demarcar-se do problema e desresponsabilizar-se, vindo agora com manobras higiénicas, mas o Partido Socialista de Vila do conde é corresponsável por estes factos.
Aliás, aqui chegados colocam-se duas questões:
A ser tudo isto verdade, como foi possível chegar aqui? E como poderemos saber que não existem mais casos destes?
Para nós, PSD, é claro: o PS não é a solução, mas sim a causa do problema.
Perante todos estes factos, o PSD Vila do Conde exige uma auditoria ao exercício dos mandatos da Junta de Freguesia do Partido Socialista, assim como exigimos uma Assembleia Extraordinária para cabal esclarecimento da posição dos eleitos do Partido Socialista.
Ao Presidente do Partido Socialista de Vila do Conde e Presidente da Câmara, Dr. Vitor Costa, exigimos que retire todas as consequências deste caso e se responsabilize pela instabilidade política que está a causar na maior freguesia do concelho.