Politics by Nuno

Politics by Nuno Filosofia e história política: ideias, partidos, figuras e o legado que moldou o mundo.

As eleições gerais etíopes de 2026, previstas para maio/junho, representam um teste crucial para a estabilidade do C***o...
05/06/2026

As eleições gerais etíopes de 2026, previstas para maio/junho, representam um teste crucial para a estabilidade do C***o de África. Abiy Ahmed, no poder desde 2018 e Prémio Nobel da Paz em 2019, procura um novo mandato num contexto de frágil paz pós-guerra do Tigray (2020-2022), tensões étnicas persistentes e crescente influência externa.

**Contexto atual (maio 2026):**
- Abiy governa através da Prosperidade Party (PP), formada em 2019 pela fusão de partidos étnicos. A oposição (principalmente Congressistas do Tigray e Oromo) denuncia repressão e falta de espaço político.
- Segurança: Apesar do acordo de paz de Pretória (2022), há confrontos esporádicos em Tigray, Amhara e Oromia. Relatórios da ONU indicam mais de 800 mil deslocados internos em 2025-2026.
- Economia: Crescimento oficial de 7-8% (Banco Mundial), mas inflação acima de 30%, dívida externa elevada e fome no sul do país devido a secas.

**Expectativas para Abiy Ahmed:**
- Provável vitória, dada o controlo do aparelho estatal e fragmentação da oposição. Abiy aposta em narrativa de “modernização” (projeto Grand Ethiopian Renaissance Dam – GERD) e diplomacia regional (mediação na Somália e Sudão).
- Críticas internas: Acusado de autoritarismo (prisão de jornalistas e opositores), centralização excessiva e favoritismo étnico.

**Impacto regional:**
- **Somália**: Tensão alta devido ao acordo Etiópia-Somalilândia (janeiro 2024) que permite acesso etíope ao mar em troca de reconhecimento. Mogadíscio considera ato hostil; risco de conflito direto.
- **Djibouti**: Principal porto etíope. Instabilidade etíope ameaça comércio regional (90% das importações etíopes passam por Djibouti).
- **C***o de África**: A Etiópia (120 milhões de habitantes) é pivô regional. Instabilidade interna pode agravar fluxos migratórios, terrorismo (Al-Shabaab) e disputa por recursos hídricos (Nilo com Egito e Sudão).

Em junho de 2026, as eleições etíopes não são apenas internas: decidem se o C***o de África avança para maior estabilidade ou entra num novo ciclo de conflitos étnicos e fronteiriços. Abiy representa modernização autoritária; a oposição, federalismo mais inclusivo. O resultado terá repercussões diretas na segurança regional e nas dinâmicas China-EUA-Rússia no continente africano.

O Dia da Europa (9 de Maio), que comemora a Declaração Schuman de 1950, chega em 2026 num momento de balanço ambivalente...
31/05/2026

O Dia da Europa (9 de Maio), que comemora a Declaração Schuman de 1950, chega em 2026 num momento de balanço ambivalente para a União Europeia. Após as eleições europeias de 2024 e o alargamento parcial (Ucrânia candidata avançada), a UE enfrenta múltiplos desafios.

Estado da UE em maio 2026:
- **Institucional**: Maioria relativa do PPE (centro-direita), mas fragmentação crescente. Von der Leyen continua à frente da Comissão, mas com oposição mais forte de grupos nacionalistas.
- **Alargamento**: Ucrânia avança lentamente (negociações abertas, mas reformas pendentes). Moldávia e Geórgia estagnadas. Balcãs Ocidentais (Sérvia, Albânia) com pouco progresso.
- **Economia**: Crescimento médio 1,4% (2025), inflação controlada (2,1%), mas divergências Norte-Sul persistem. Green Deal avança, mas com resistência de países do Leste.
- **Segurança**: Apoio à Ucrânia continua (pacote de €50 bi), mas fadiga em alguns países. Debate sobre “autonomia estratégica” vs. dependência NATO.

Papel de Portugal:
- Posição pró-europeia consistente: apoio ao alargamento, Green Deal e coesão. Como país periférico, beneficia de fundos estruturais (€45 bi no quadro 2021-2027).
- Em 2026, Portugal defende “Europa social” e maior coesão territorial, posicionando-se como ponte entre Sul e Norte.

Em maio de 2026, a UE está mais unida face a ameaças externas (Rússia, China), mas internamente dividida entre federalistas, soberanistas e populistas. O Dia da Europa recorda o ideal de paz e cooperação, mas 76 anos após Schuman, a União precisa de renovar o seu projeto para sobreviver às novas crises.

As eleições presidenciais colombianas de 31 de maio de 2026 representam um momento decisivo para a América Latina. Gusta...
29/05/2026

As eleições presidenciais colombianas de 31 de maio de 2026 representam um momento decisivo para a América Latina. Gustavo Petro (esquerda) termina o mandato com aprovação em torno de 35-40%, marcado por avanços na reforma agrária e paz, mas criticado por lentidão económica e aumento da violência (dissidências das FARC e ELN).

Principais candidatos (maio 2026):
- Federico Gutiérrez (direita, ex-prefeito de Medellín) lidera sondagens com discurso de “segurança primeiro” e crítica ao “petrismo”.
- Gustavo Petro ou sucessor (esquerda) defende continuidade da “paz total”.
- Rodolfo Hernández (centro-populista) e outros candidatos independentes.

Ecos no Brasil:
- Polarização similar (Lula vs. bolsonarismo).
- Debate paz vs. segurança: Colômbia testa se esquerda consegue reduzir violência sem perder controlo do território.
- Influência regional: vitória da direita na Colômbia fortaleceria conservadores na América do Sul; vitória de Petro reforçaria “onda rosa” (Lula, Boric, Maduro).

Em 2026, a Colômbia decide entre continuidade progressista (com riscos de instabilidade) ou retorno à direita (com riscos de retrocesso na paz). O resultado terá impacto direto no equilíbrio ideológico da América Latina e no debate brasileiro sobre segurança pública e modelo económico.

O Dia da Terra de 2026 (“Our Power, Our Planet”) destacou a urgência climática num ano marcado por recordes de temperatu...
25/05/2026

O Dia da Terra de 2026 (“Our Power, Our Planet”) destacou a urgência climática num ano marcado por recordes de temperatura (+1,7°C acima da era pré-industrial em 2025) e eventos extremos (inundações na Europa Central, secas severas no C***o de África e sul da Ásia).

As alterações climáticas redefinem geopolítica:
- **Conflitos por recursos hídricos**: Nilo (Etiópia-Egito), Mekong (China-Vietname), Jordão (Israel-Palestina) intensificam tensões. Em 2026, o Nilo regista nova crise diplomática após enchimento da GERD.
- **Artico**: Degelo acelera corrida por rotas comerciais e recursos (Rússia, EUA, China, Canadá). Rússia fortalece presença militar; China investe em “Rota da Seda Polar”.
- **Migrações climáticas**: 1,2 milhões de deslocados internos em África em 2025 (Banco Mundial). Europa enfrenta pressão migratória do Sahel e Médio Oriente.
- **Alianças verdes**: UE reforça Green Deal (meta 55% redução emissões até 2030); China lidera energias renováveis (60% da capacidade solar mundial), mas continua maior emissor de CO₂. EUA sob Trump reduzem compromissos climáticos, priorizando energia fóssil.

Em 2026, as mudanças climáticas criam “geopolítica do clima”: novas alianças (ex.: UE-China em tecnologia verde) e novos conflitos (recursos, migrações). Países vulneráveis como Moçambique, Bangladesh e pequenas ilhas exigem mais financiamento (perdas e danos). O “novo normal” é de instabilidade climática que agrava instabilidades políticas e geopolíticas existentes.

A social-democracia europeia, que dominou a política do pós-guerra com o modelo do Estado-Providência, enfrenta em 2026 ...
20/05/2026

A social-democracia europeia, que dominou a política do pós-guerra com o modelo do Estado-Providência, enfrenta em 2026 uma das crises mais profundas da sua história. Partidos históricos como o SPD alemão, o PS francês, o PSOE espanhol e o PS português lutam para manter relevância num eleitorado fragmentado entre direita populista, esquerda radical e abstencionistas.

Situação atual na Europa:
- **Alemanha**: SPD em mínimos históricos (15-18% nas sondagens 2026), perdendo eleitorado operário para AfD e jovens para Verdes.
- **França**: PS quase desapareceu (menos de 10% em 2022 e 2025), absorvido pela França Insubmissa de Mélenchon.
- **Espanha**: PSOE resiste no governo em coligação com Sumar, mas com forte erosão.
- **Portugal**: PS caiu para 26% nas legislativas de maio de 2025 (85 deputados), perdendo o governo. Sob Pedro Nuno Santos, tenta reposicionar-se como “social-democracia responsável”, mas enfrenta concorrência do Bloco de Esquerda e LIVRE à esquerda e do Chega à direita.

Causas da crise:
- Globalização e automação reduziram a classe operária tradicional.
- Ascensão de temas identitários (imigração, género, clima) dividem o eleitorado.
- Concorrência da direita populista (Chega, AfD, RN) nos temas de segurança e identidade.
- Concorrência da esquerda radical (Podemos, LFI, BE) nos temas sociais e ecológicos.

Sinais de renovação:
- Alguns partidos adotam agendas “verdes” e feministas (ex.: PS português com maior paridade).
- Experiências de “geringonça” ou coligações progressistas (Espanha, Portugal 2015-2024).
- Renovação geracional: líderes mais jovens e pragmáticos.

Em 2026, a social-democracia europeia está em transição: de partido de massas operárias para partido de centro-esquerda progressista, urbano e ambientalista. Em Portugal, o PS mantém-se como principal partido de centro-esquerda, mas precisa de reconquistar o interior e responder à fragmentação. A questão central é se conseguirá renovar-se ou se continuará a encolher perante a polarização direita-radical/esquerda-radical.

Passados cinco meses de 2026, o panorama geopolítico global mantém um padrão de “tensões controladas”: conflitos congela...
16/05/2026

Passados cinco meses de 2026, o panorama geopolítico global mantém um padrão de “tensões controladas”: conflitos congelados mas não resolvidos e rivalidade económica estrutural entre grandes potências.

**Ucrânia**: O cessar-fogo mediado por Trump (outubro 2025) mantém-se frágil. Linhas de frente estabilizadas, mas Rússia controla 19% do território ucraniano. Negociações para paz definitiva avançam lentamente em Istambul (março-maio 2026). Ucrânia exige garantias de segurança (adesão NATO adiada); Rússia exige neutralidade e reconhecimento de anexações. A UE comprometeu €50 bilhões adicionais para reconstrução até 2028.

**Médio Oriente**: Após intensos combates em 2025, Gaza vive um “pós-guerra” precário. Israel mantém controlo de segurança na faixa, enquanto a Autoridade Palestiniana tenta governar com apoio árabe (Emirados, Arábia Saudita). Tensões persistem no Líbano (Hezbollah) e no Mar Vermelho (Houthi). Acordo nuclear com o Irão continua suspenso; Israel mantém capacidade de ataque preventivo.

**China vs. EUA – O ‘novo normal’ do comércio**:
- Trégua tarifária Trump-Xi (novembro 2025) reduziu tarifas médias, mas EUA mantêm restrições tecnológicas severas (chips avançados e IA).
- China acelera autossuficiência tecnológica (SMIC produz chips 5nm em 2026) e diversifica mercados (Ásia, África, América Latina).
- Comércio bilateral estabilizou em US$ 620 bilhões (2025), mas EUA aumentaram importações de Vietname, México e Índia (+28%).
- Investimento chinês em infraestruturas globais (Belt and Road) ultrapassa US$ 1,8 triliões acumulados.

Em maio de 2026, o mundo vive um “novo normal” de rivalidade gerida: conflitos congelados, comércio fragmentado (“friend-shoring”) e corrida tecnológica acelerada. A diplomacia de Trump privilegia deals bilaterais em detrimento de instituições multilaterais, enquanto a China consolida influência no Sul Global. O risco de escalada permanece alto, especialmente em Taiwan e no Mar do Sul da China. A estabilidade atual é frágil e depende de equilíbrio entre dissuasão e negociação.

As eleições presidenciais e legislativas realizadas em vários países africanos em abril de 2026 confirmaram uma tendênci...
14/05/2026

As eleições presidenciais e legislativas realizadas em vários países africanos em abril de 2026 confirmaram uma tendência preocupante: estabilidade formal, mas pouca alternância real de poder e forte influência externa. Dois casos ilustrativos são Benin e Djibouti.

**Benin**: Patrice Talon foi reeleito com 58,7% dos votos para um segundo mandato (a Constituição permite apenas dois). A oposição denunciou fraude e intimidação, mas a União Africana considerou o processo “globalmente aceitável”. Talon, empresário rico, consolidou um regime autoritário suave: controle da justiça, restrições à imprensa e exclusão de candidatos da oposição. Influência externa: França mantém base militar, China financia porto de Cotonou e infraestrutura.

**Djibouti**: Ismail Omar Guelleh (no poder desde 1999) garantiu o seu quinto mandato com 82% dos votos. O país estratégico (base militar americana, chinesa e francesa) continua como hub logístico no C***o de África. A oposição é praticamente inexistente. China domina o porto de Doraleh (90% da dívida externa djibutiana é chinesa).

O que mudou (ou não) em 2026:
- **Estabilidade**: Ambos os regimes garantem estabilidade autoritária, mas com crescente descontentamento jovem (desemprego acima de 35% em ambos).
- **Influência externa**: China avança em portos e dívida; França mantém presença militar tradicional; Rússia cresce em influência militar via Wagner/Africa Corps (Djibouti assinou acordo em 2025).
- **Democracia**: Índice de Democracia (The Economist 2026) classifica ambos como “regimes autoritários híbridos”.

**Lições para Moçambique e África Austral**:
- Eleições sem alternância real não resolvem problemas estruturais (pobreza, corrupção, insurgência).
- Dependência de potências externas (China em portos e dívida) limita soberania.
- O modelo “democracia formal + autoritarismo real” (Benin/Djibouti) pode inspirar FRELIMO em Moçambique se a oposição continuar fragmentada.
- Em 2026, a estabilidade autoritária parece mais viável que transições democráticas arriscadas, mas acumula tensões sociais que podem explodir (ex.: protestos em Cabo Delgado).

O follow-up de abril de 2026 mostra que a “terceira onda” de democratização em África estagnou. Estabilidade predomina, mas a custo da qualidade democrática e da soberania real.

A 8 de maio de 1945, a Alemanha n**ista assinou a rendição incondicional, marcando o fim da II Guerra Mundial na Europa....
09/05/2026

A 8 de maio de 1945, a Alemanha n**ista assinou a rendição incondicional, marcando o fim da II Guerra Mundial na Europa. Em 2026, celebram-se 81 anos da Vitória, mas o legado da guerra continua a moldar profundamente as divisões políticas no continente: entre memória antifascista e nacionalismo, entre integração europeia e soberania nacional.

Na União Europeia, o Dia da Vitória (Dia da Europa em alguns países) é celebrado de forma desigual:
- **Hungria (Viktor Orbán)**: O governo Fidesz promove uma narrativa nacionalista que minimiza colaboração com o Eixo e enfatiza “vítimas húngaras” do comunismo soviético (Tratado de Trianon e ocupação 1945-1989). Orbán usa o Dia da Vitória para criticar “Bruxelas como nova Moscovo” e defender “democracia iliberal”. Em 2026, o governo organizou eventos com tom anti-UE, enquanto a oposição liberal recorda o Holocausto húngaro (mais de 500 mil judeus mortos).
- **Bulgária**: Como aliada da Alemanha n**i até 1944, a Bulgária tem memória complexa. O governo atual (centro-direita) equilibra comemoração da vitória soviética com orgulho nacional (salvamento de judeus búlgaros). Em 2026, o debate gira em torno da adesão à UE vs. laços históricos com Rússia (energia, influência cultural).
- **Portugal**: País neutro durante a guerra, Portugal celebra o 8 de Maio como vitória da liberdade contra o n**ismo. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o Governo destacam o papel da resistência antifascista portuguesa e a integração na UE como “garantia de paz”. Em 2026, o discurso oficial liga o fim da II Guerra ao 25 de Abril de 1974, reforçando a narrativa de Portugal como nação europeia e democrática.

81 anos depois, o legado da II Guerra ainda divide:
- Nacionalistas (Orbán, AfD, Chega) usam a memória para defender fronteiras fechadas e soberania contra “Bruxelas”.
- Federalistas e liberais defendem mais integração como antídoto contra nacionalismo agressivo.
- A guerra na Ucrânia (2022-2025) reatualizou o debate: para uns, prova de que a Rússia continua ameaça expansionista; para outros, exemplo de como o Ocidente provoca conflitos.

Em 2026, o 8 de Maio não é apenas memória histórica: é batalha ideológica sobre o futuro da Europa. A lição permanece: o nacionalismo descontrolado levou à catástrofe; a integração, apesar de imperfeita, trouxe 80 anos de paz relativa. O equilíbrio entre identidade nacional e solidariedade europeia continua o grande desafio.

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