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Politics by Nuno Filosofia e história política: ideias, partidos, figuras e o legado que moldou o mundo.

ONU e multipolaridade: UNGA 2026 e reformas em testeSetembro de 2026 coloca as Nações Unidas perante um dos momentos mai...
07/09/2026

ONU e multipolaridade: UNGA 2026 e reformas em teste

Setembro de 2026 coloca as Nações Unidas perante um dos momentos mais importantes do atual processo de transformação da ordem internacional. A 81.ª Assembleia Geral da ONU surge num contexto marcado pela crescente multipolaridade, pela competição entre grandes potências, pela afirmação política do Sul Global e pela pressão para reformar instituições concebidas para uma realidade internacional muito diferente da atual.

A UNGA 2026 será, por isso, mais do que uma sucessão de discursos diplomáticos. Será um teste à capacidade da ONU para continuar a funcionar como espaço de negociação num sistema internacional cada vez menos dominado pelo eixo euro-atlântico.

1. África e América Latina no centro do debate

A crescente importância de África e da América Latina deverá ser uma das características mais relevantes da Assembleia Geral. Países destas regiões procuram maior autonomia diplomática, maior representação nas instituições internacionais e uma participação mais significativa nas decisões sobre segurança, financiamento do desenvolvimento, comércio e clima.

África deverá voltar a colocar sobre a mesa a reforma do Conselho de Segurança, defendendo uma representação permanente mais adequada ao peso demográfico e político do continente. A América Latina, por sua vez, enfrenta o desafio de transformar a sua crescente margem de manobra diplomática numa estratégia coordenada perante Estados Unidos, China, Europa e restantes polos de poder.

O Sul Global já não aceita facilmente ocupar apenas o papel de espectador nas grandes decisões internacionais.

2. Uma ONU pressionada pela multipolaridade

A multipolaridade aumenta a diversidade de interesses dentro da ONU, mas também torna mais difícil alcançar consensos. A competição entre Washington e Pequim, a guerra na Europa, as crises no Médio Oriente e as disputas regionais demonstram os limites de um sistema baseado na capacidade de negociação entre Estados com interesses cada vez mais divergentes.

A questão central deixa de ser apenas se a ONU consegue manter o diálogo, mas se consegue adaptar as suas instituições à distribuição de poder do século XXI.

3. Reformar ou preservar?

A reforma do Conselho de Segurança continuará a ser uma das questões estruturais. A discussão envolve não apenas o número de membros, mas também o poder de veto, a representação regional e a legitimidade das decisões.

Ao mesmo tempo, existe uma tensão entre aqueles que defendem uma reforma profunda e os que receiam que alterações institucionais possam tornar o sistema ainda mais difícil de governar.

A ONU enfrenta, assim, um dilema clássico: reformar-se para recuperar legitimidade ou preservar estruturas que, apesar das suas limitações, continuam a proporcionar um espaço único de negociação global.

O papel da Europa e de Portugal

Para a Europa, a UNGA 2026 será uma oportunidade para demonstrar que continua capaz de exercer influência através da diplomacia, do comércio, da cooperação e do multilateralismo. Mas essa influência dependerá cada vez mais da capacidade europeia para ouvir e negociar com África, América Latina e outras potências emergentes.

Portugal possui uma posição particularmente interessante neste contexto. A sua ligação histórica e diplomática à CPLP, a dimensão atlântica e a experiência de diálogo entre diferentes espaços geopolíticos podem constituir vantagens num sistema internacional mais fragmentado.

Perspetivas para o último trimestre de 2026

A Assembleia Geral deverá confirmar uma tendência já evidente: a ordem internacional está a passar de um modelo predominantemente ocidental para uma estrutura mais plural, competitiva e regionalizada.

A grande questão será saber se a multipolaridade conduzirá a uma ONU mais representativa ou simplesmente a uma organização com maior dificuldade em produzir consensos.

A UNGA 2026 poderá não resolver os grandes problemas da ordem internacional, mas deverá revelar com clareza quem pretende reformá-la, quem pretende preservá-la e quem já está a construir alternativas fora das estruturas tradicionais.

A multipolaridade deixou de ser uma previsão. É uma realidade em consolidação. A verdadeira prova para a ONU será demonstrar que ainda consegue transformar essa diversidade de interesses em cooperação internacional.

Agosto de 2026 consolidou a sensação de que a ordem internacional está em profunda mutação. As eleições e transições pol...
31/08/2026

Agosto de 2026 consolidou a sensação de que a ordem internacional está em profunda mutação. As eleições e transições políticas na América Latina, a revisão do USMCA, os desenvolvimentos em África e a pressão contínua sobre a NATO e as instituições multilaterais revelaram fracturas cada vez mais visíveis entre realismo geopolítico e o modelo liberal institucional construído após 1945.

**1. Eleições e realismo político**
Na América Latina, a onda conservadora e a prioridade dada à segurança e estabilidade económica confirmaram que o eleitorado pune a incapacidade de entregar resultados concretos. Colômbia, Peru e o ciclo brasileiro mostram que o pragmatismo está a ganhar terreno sobre os populismos de ambos os extremos. Em África, as eleições na Zâmbia e os legados de São Tomé e Etiópia reforçaram o mesmo padrão: estabilidade e desenvolvimento são frequentemente valorizados acima de alternância democrática plena.

**2. Economia multipolar e fragmentação comercial**
A revisão do USMCA ilustra como o comércio global está a ser reorganizado segundo linhas geopolíticas. O “friend-shoring”, a redução de dependências da China e a formação de blocos regionais aceleram a fragmentação da ordem comercial liberal. A Europa enfrenta o desafio de não ficar para trás nesta reorganização.

**3. Instituições multilaterais sob pressão**
A NATO continua a adaptar-se sob a influência de Trump 2.0, enquanto a ONU e o sistema de desenvolvimento sustentável mostram limites claros na capacidade de impor soluções. O realismo (poder, interesses nacionais, equilibrios de forças) ganha terreno face ao idealismo institucional.

**O papel da Europa e de Portugal**
A Europa encontra-se numa posição ambígua: continua a ser um ator económico de peso, mas perde terreno relativo em capacidade militar e influência geopolítica. Para Portugal, as oportunidades residem na sua posição atlântica, na ligação à CPLP e na capacidade de se posicionar como plataforma estável e fiável num mundo de blocos. A autonomia estratégica europeia deixa de ser um conceito abstrato e torna-se uma necessidade prática.

**Perspetivas para o segundo semestre de 2026**
O resto do ano deverá confirmar as tendências já visíveis: maior fragmentação comercial, pressão sobre as instituições multilaterais, realismo político nas urnas e exigência de resultados concretos por parte dos eleitorados. A grande questão para a Europa é se conseguirá acelerar a sua adaptação ou se continuará a reagir tardiamente às mudanças estruturais.

Agosto de 2026 não marcou o colapso da ordem internacional, mas sim a sua reconfiguração acelerada. O realismo voltou ao centro do tabuleiro. As democracias ocidentais — e a Europa em particular — terão de decidir se querem moldar esta nova ordem ou apenas sobreviver nela.

A revisão do USMCA (Acordo Estados Unidos–México–Canadá), formalmente iniciada em 2026, ocorre num momento de profunda r...
23/08/2026

A revisão do USMCA (Acordo Estados Unidos–México–Canadá), formalmente iniciada em 2026, ocorre num momento de profunda reconfiguração do comércio global. O acordo, sucessor do NAFTA, está sob pressão das tensões comerciais entre EUA e China, das políticas “America First” de Trump 2.0 e da crescente fragmentação das cadeias de abastecimento.

**Contexto da revisão do USMCA:**
- Os EUA pressionam por regras mais rigorosas de origem, maior conteúdo regional e restrições a investimentos chineses no México e Canadá.
- O México enfrenta o dilema de manter o acesso privilegiado ao mercado americano sem se tornar uma plataforma de exportação chinesa disfarçada.
- O Canadá tenta equilibrar a relação com Washington e a diversificação comercial com a Ásia e a Europa.
- A revisão de 2026 transforma-se num laboratório da multipolaridade económica: “friend-shoring”, desacoplamento parcial da China e reforço de blocos regionais.

**Impacto na multipolaridade comercial:**
O mundo de 2026 já não é unipolar nem plenamente multilateral. A OMC continua enfraquecida, enquanto acordos regionais e bilaterais ganham peso. O USMCA ilustra como as grandes potências usam acordos comerciais como instrumentos de geopolítica.

**Lições para a Europa e Portugal:**

1. **Autonomia estratégica comercial**: A UE precisa de acelerar acordos com parceiros fiáveis (Mercosul, Índia, ASEAN, África) e reduzir dependências críticas (semiconductores, minerais, energia).
2. **Resiliência das cadeias de valor**: A experiência norte-americana mostra que a diversificação geográfica e a “nearshoring” são prioridades. Portugal pode beneficiar como plataforma atlântica e porta de entrada para a Europa.
3. **Competitividade industrial**: Sem uma política industrial europeia mais assertiva, a UE corre o risco de perder relevância face aos blocos americano e asiático.
4. **Oportunidades para Portugal**: Posição geográfica, língua portuguesa (CPLP), relações históricas com África e América Latina e estabilidade política são ativos. O país pode atrair investimento em logística, energia renovável e indústria de média-alta tecnologia.

Em agosto de 2026, a revisão do USMCA confirma que o comércio global está a ser reorganizado segundo linhas geopolíticas. Para a Europa e Portugal, a mensagem é clara: a multipolaridade económica exige estratégia própria, não apenas reação. Quem se adaptar mais rapidamente à nova lógica de blocos e alianças terá vantagem no próximo ciclo.

O segundo semestre de 2026 consolida uma nova configuração política na América Latina. Após a vitória da direita na Colô...
10/08/2026

O segundo semestre de 2026 consolida uma nova configuração política na América Latina. Após a vitória da direita na Colômbia e a instabilidade no Peru, o ciclo eleitoral no Brasil torna-se o principal termómetro regional. A região oscila entre pragmatismo económico e a persistência de populismos de diferentes matizes.

**Colômbia e Peru: o regresso da ordem e da segurança**
Na Colômbia, o governo de direita eleito em maio de 2026 prioriza o combate ao crime organizado e a recuperação da confiança dos investidores. A narrativa de “paz com segurança” substituiu o discurso mais social de Petro. No Peru, a sucessão de crises institucionais abriu espaço a candidatos que prometem estabilidade e mão firme, refletindo o cansaço com a fragmentação política.

**Brasil: o grande prémio**
O Brasil, maior economia da região, enfrenta um cenário polarizado. O debate entre continuidade do lulismo e o regresso de forças bolsonaristas (ou sucessores) gira em torno de três eixos: segurança pública, crescimento económico e alinhamento internacional. A vitória de um candidato mais conservador reforçaria a onda regional de direita; uma vitória de centro-esquerda manteria a fragmentação ideológica da América do Sul.

**Pragmatismo económico vs. populismo**
- **Pragmatismo**: Foco em estabilidade macroeconómica, atração de investimento estrangeiro, redução de dívida e abertura comercial (especialmente com EUA e Ásia).
- **Populismo**: Continua presente tanto à direita (nacionalismo económico e anti-elite) como à esquerda (redistribuição e anti-imperialismo). Em 2026, o eleitorado parece privilegiar resultados concretos sobre ideologia pura.

**Impactos regionais:**
- **Integração**: Avanços no Mercosul e na Aliança do Pacífico dependem do alinhamento ideológico entre Brasil, Argentina, Colômbia e Chile. Uma América Latina mais conservadora pode facilitar acordos com os EUA e o Pacífico, mas dificultar a coordenação com regimes de esquerda.
- **Comércio**: Revisão do USMCA e pressão americana contra a China influenciam cadeias de abastecimento. Países mais pragmáticos tentam equilibrar relações com Washington e Pequim.
- **Segurança**: O crime organizado transnacional (dr**as, mineração ilegal e tráfico de armas) tornou-se a principal preocupação comum. Cooperação policial e militar regional tende a aumentar, independentemente da cor ideológica dos governos.

Em agosto de 2026, a América Latina mostra sinais de um realismo político emergente. O eleitorado parece punir governos que não entregam segurança e estabilidade económica, independentemente da bandeira. A grande questão para o resto do ano é se esta onda conservadora se traduzirá em reformas estruturais ou se permanecerá apenas uma reação cíclica ao ciclo anterior de esquerda.

As eleições presidenciais na Zâmbia, marcadas para 13 de agosto de 2026, representam mais um teste à democracia e à gove...
03/08/2026

As eleições presidenciais na Zâmbia, marcadas para 13 de agosto de 2026, representam mais um teste à democracia e à governação no sul de África. O país, rico em cobre e com cerca de 20 milhões de habitantes, vive um momento de grande pressão económica e política.

**Contexto zambiano:**
- O Presidente Hakainde Hichilema (UPND), no poder desde 2021, tenta a reeleição. O seu governo renegociou dívida externa pesada com a China e o FMI, mas enfrenta críticas por crescimento lento, desemprego jovem e acusações de autoritarismo.
- A oposição (PF e outros) acusa o governo de favorecimento e repressão. A campanha tem sido marcada por tensão social e promessas de maior soberania económica.

**Legados comparativos:**
- **São Tomé e Príncipe** (julho 2026): Mostrou que pequenas democracias lusófonas conseguem alternância pacífica, mas permanecem extremamente vulneráveis a choques externos.
- **Etiópia** (Abiy Ahmed): Exemplo de governação autoritária-desenvolvimentista que entrega infraestruturas e crescimento, mas a custo de liberdades políticas e estabilidade étnica.

**Influência externa na Zâmbia e na região:**
- **China**: Maior credor e investidor (minas de cobre, infraestruturas). A dívida chinesa continua a ser um tema sensível.
- **Ocidente**: Pressão por governação transparente e direitos humanos (EUA, UE, FMI).
- **BRICS**: A entrada da Zâmbia no grupo (2025) reforça a diversificação de parceiros, mas levanta questões sobre alinhamento geopolítico.

**Reflexão mais ampla sobre África em 2026:**
O continente vive uma transição complexa: desejo de soberania económica versus necessidade de financiamento externo. A Zâmbia, como muitos outros países, ilustra o dilema africano — equilibrar democracia, estabilidade e desenvolvimento num ambiente de forte concorrência entre grandes potências.

As eleições de agosto podem reforçar ou enfraquecer o modelo “democracia com desenvolvimento” na região. O resultado terá impacto não apenas na Zâmbia, mas em todo o corredor do cobre do sul de África.

Julho de 2026 foi um mês revelador sobre o estado atual da ordem internacional. Os principais eventos — Cimeira da NATO ...
31/07/2026

Julho de 2026 foi um mês revelador sobre o estado atual da ordem internacional. Os principais eventos — Cimeira da NATO em Ancara, High-Level Political Forum da ONU e o ciclo eleitoral na América Latina — mostraram um mundo onde a multipolaridade não é mais uma previsão, mas uma realidade em acelerado teste.

**1. NATO em Ancara: Fim da Era de Expansão Ilimitada**
A cimeira na Turquia consolidou a transição para uma Aliança mais transacional. A pressão de Trump 2.0 para elevar os gastos de defesa para 5% do PIB expôs as fissuras transatlânticas. A Europa é cada vez mais forçada a assumir maior responsabilidade própria, enquanto a NATO abandona gradualmente a lógica de alargamento ilimitado.

**2. ONU e HLPF: Limites do Multilateralismo**
O High-Level Political Forum revelou o atraso dramático nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A tensão Norte-Sul no financiamento climático e o paralelismo com o AI for Good Summit destacaram como a tecnologia se tornou um novo campo de batalha geopolítica. A ONU continua relevante como fórum, mas perde capacidade de imposição efetiva.

**3. África: Democracia Frágil e Influência Externa**
As eleições em São Tomé e Príncipe e a consolidação de Abiy Ahmed na Etiópia reforçaram um padrão: estabilidade frequentemente prevalece sobre alternância democrática. A China consolida presença económica, a Rússia ganha terreno em segurança, enquanto o Ocidente luta com menor influência.

**4. América Latina: Entre Segurança e Polarização**
O avanço da direita na Colômbia e o ciclo eleitoral no Brasil e Peru mostram um continente cansado de experimentos radicais. Segurança pública tornou-se a prioridade número um, acima de ideologias.

**Reflexão Final: Realismo vs. Liberalismo**
Julho de 2026 confirmou o triunfo parcial do realismo geopolítico sobre o idealismo liberal. As instituições multilaterais (NATO, ONU) adaptam-se com dificuldade a um mundo de grandes potências concorrentes.

**Lições para a Europa e Portugal:**
- Não se pode depender exclusivamente dos EUA para segurança.
- O Sul Global exige mais do que discursos — exige resultados concretos em clima e desenvolvimento.
- A multipolaridade premia países com estratégia clara e capacidade de negociação.

O segundo semestre de 2026 promete continuar este teste: a ordem internacional não colapsou, mas está a ser profundamente reescrita. A grande questão que permanece é se as democracias ocidentais conseguirão adaptar-se com rapidez suficiente ou se a iniciativa continuará a passar para atores mais assertivos como China, Rússia e potências regionais emergentes.

O segundo semestre de 2026 marca um intenso ciclo eleitoral na América Latina. Após as presidenciais na Colômbia (31 de ...
24/07/2026

O segundo semestre de 2026 marca um intenso ciclo eleitoral na América Latina. Após as presidenciais na Colômbia (31 de maio), a região vive um momento de redefinição entre segurança, pragmatismo económico e os limites do populismo.

**Colômbia**: Federico Gutiérrez (direita) venceu Gustavo Petro ou seu sucessor, marcando o regresso da centro-direita ao poder. A vitória reflete o cansaço da população com o aumento da violência e a lentidão das reformas sociais. O novo governo promete “paz com segurança” e maior alinhamento com os EUA.

**Brasil**: Lula completa o mandato com aprovação moderada. As eleições de 2026 colocam novamente o país dividido entre o lulismo e o bolsonarismo renovado. Segurança pública e economia (inflação e desemprego) dominam o debate.

**Peru**: Instabilidade crónica. O país viveu múltiplas crises institucionais em 2025-2026. As eleições presidenciais de 2026 surgem num contexto de forte rejeição ao establishment político e crescimento de candidatos outsiders.

**Tendências regionais:**
- **Segurança como prioridade**: Crime organizado, gangs e narcotráfico dominam as agendas eleitorais. Populações preferem candidatos “duros” na segurança.
- **Pragmatismo vs. Populismo**: Cansaço com experimentos radicais (esquerda) e nostalgia autoritária (direita). Cresce o voto por candidatos centristas ou tecnocratas.
- **Impacto económico**: Inflação controlada, mas crescimento baixo. Debate sobre USMCA (revisão em 2026) influencia México, Colômbia e Peru, com pressão americana por maior alinhamento contra a China.

**Contexto cultural**: A Copa do Mundo 2026 (EUA-México-Canadá) serve como pano de fundo emocional, reforçando identidades nacionais e distraindo temporariamente das crises políticas.

Em julho de 2026, a América Latina oscila entre desejo de estabilidade e persistente polarização. O ciclo eleitoral revela um continente cansado de extremos e à procura de modelos que conciliem crescimento económico com coesão social.

A China é, desde o início dos anos 2000, o parceiro comercial e investidor mais importante de África. Em 2026, a presenç...
21/07/2026

A China é, desde o início dos anos 2000, o parceiro comercial e investidor mais importante de África. Em 2026, a presença chinesa no continente ultrapassa os 300 mil milhões de dólares em investimentos acumulados, principalmente através da Iniciativa Belt and Road (BRI).

**Dimensões principais da influência chinesa:**

- **Infraestruturas**: Construção de portos (Djibouti, Mombasa, Lagos), estradas, barragens e linhas ferroviárias (ex.: Addis Abeba–Djibouti, TAZARA). A China financia e executa cerca de 60% dos grandes projetos de infraestrutura em África.
- **Recursos naturais**: Maior comprador de petróleo, minerais (cobalto, cobre, lítio) e madeira. Empresas chinesas controlam ou participam em dezenas de minas na RDC, Zâmbia, Angola e Guiné.
- **Financiamento e dívida**: Empréstimos concessionais e comerciais. Vários países (Angola, Zâmbia, Djibouti, Etiópia) têm dívida significativa com Pequim. Críticas de “debt-trap diplomacy” surgem quando a China assume controlo de ativos (ex.: porto de Hambantota no Sri Lanka serviu de precedente).
- **Presença militar e segurança**: Base militar em Djibouti (primeira base chinesa no estrangeiro), envio de tropas para missões de paz da ONU e crescente cooperação de segurança com vários governos. O Africa Corps russo e a China competem e cooperam em alguns teatros.
- **Modelo político**: Política de “não ingerência” nos assuntos internos — contrasta com o Ocidente, que condiciona ajuda a reformas democráticas e direitos humanos. Este modelo atrai governos autoritários ou em transição.

**Impactos positivos e negativos:**
- **Positivos**: Acelerou o desenvolvimento de infraestruturas, criou empregos (embora muitos sejam ocupados por trabalhadores chineses) e aumentou o comércio bilateral (mais de 300 mil milhões de dólares/ano).
- **Negativos**: Dívida insustentável em vários países, impactos ambientais, condições laborais precárias, transferência limitada de tecnologia e acusações de corrupção em contratos.

**Contexto 2026**:
Com a desaceleração económica chinesa e a pressão americana/europeia por “desrisco”, Pequim tem sido mais seletiva nos novos financiamentos, privilegiando projetos estratégicos (minerais críticos para a transição verde). Países africanos começam a renegociar dívidas e a diversificar parceiros (Índia, Turquia, Golfo).

Em 2026, a China não é apenas um parceiro económico — é um ator geopolítico central em África. Oferece uma alternativa ao modelo ocidental, mas cria novas dependências. O futuro do continente dependerá da capacidade dos governos africanos de negociar melhor, diversificar parcerias e transformar investimentos estrangeiros em desenvolvimento sustentável real.

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