Bloco de Esquerda Matosinhos

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19/03/2021

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15/01/2021

ÉTICA E DEMOCRACIA 12.01.2021
O Bloco de Esquerda não tem por hábito criticar gratuitamente as forças de esquerda, não se auto-considera o detentor de toda a verdade, nem o único marco aferidor das políticas de esquerda. Não deserta das políticas mais favoráveis aos portugueses, nem transige, com desculpas fáceis dos princípios democráticos e socialistas.
Ao optar pelo voto contra do Orçamento Geral do Estado para 2021, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda fê-lo consciente por este não assegurar as condições mínimas de eficácia no combate à pandemia sanitária e à crise económica e social que se avoluma. Não o fez de ânimo leve, mas teve em conta o acumular de actos de não cumprimento de compromissos anteriormente assumidos pelo governo.
As trapalhadas, que são a fórmula com que no seu entendimento, os dirigentes do PS, se referem aos negócios escuros que envolvem o Novo Banco, são uma razão mais do que suficiente para que o BE tenha muitas dúvidas acerca da bondade deste Orçamento e da aplicação dos fundos para ele disponibilizado.
Pode parecer redundante voltar à questão do Novo Banco e da sua entrega ao fundo abutre Lone Star, em condições de secretismo, que não se compaginam com o regime democrático em que vivemos, mas nunca é demais exigir o conhecimento do que o Estado faz com cerca de 4.000 milhões de euros, que já entregou ao Novo Banco.
A transparência absoluta em todos os negócios de Estado constitui um poderoso antidoto contra o populismo galopante.
O anúncio da vinda de um conjunto de fundos europeus para tentar equilibrar a situação económica e social debilitada pelo CODID 19, que foi crismada de bazooka por António Costa, não pode servir para que os chicos-espertos do costume, que abundam na sociedade, deles se apropriem em proveito próprio, para o que se impõe um controlo democrático rigoroso e transparente na forma como se procede à aplicação desses fundos, para que sejam uteis à comunidade e não sirvam apenas para aumentar a riqueza e o aparato de alguns, como o inusitado aumento da compra de automóveis de luxo que se verificou durante a primeira fase da pandemia.
Não é aceitável que continuem a ocorrer os erros de sempre, que levam ao empobrecimento dos trabalhadores e ao desencanto geral da população, pois a extrema-direita capitaliza o medo e aproveita-se muito bem do descontentamento, mantendo-se atenta à espera que o poder lhe caia no colo, mercê dos erros cometidos pelos governos liberais que não conseguem vislumbrar até onde podem errar.
Por todo o mundo a extrema-direita prolífera com os erros cometidos pela democracia, como os cogumelos na floresta após a chuva.
Às forças de esquerda compete a denúncia permanente dos erros cometidos, mas igualmente promover a sua superação apresentando propostas claras e credíveis que impeçam a classe média de cair nos braços dos populistas e da extrema-direita.
O primado da ética republicana e da Democracia devem ser encarados como a saída para as crises, sejam de caracter sanitário, social ou económica. Quando a Democracia adoece, é sinal que a ética falhou.
Pactuar com o populismo e seus representantes que, como sempre, se procuram afirmar com discursos tonitruantes, substituindo as ideias por decibéis, com chavões de teor fascizante, mentindo, mentindo sempre, pois da mentira alguma coisa f**a, como faz André Ventura, não contribui para debelar crises, mas para as aprofundar.
Esta é a situação a que acabamos de assistir nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, onde Donald Trump, o expoente máximo do populismo, da demagogia e da mentira ao não conseguir impor-se eleitoralmente acicatou as hordas de seguidores, com um discurso de ódio, responsável pela invasão do Capitólio, numa desmonstração de que não pode haver democracia sem que ela própria se proteja e sem combater os seus inimigos.
As atitudes ra***tas e xenófobas, o apontar a culpa ao outro, seja aos ciganos, aos estrangeiros, aos pobres, às mulheres ou a quem quer que seja, devem ser combatidas tenazmente, com coragem e com argumentos políticos.
A direita tradicional, aliada ao liberalismo autoritário, ao não encarar seriamente este problema está a cavar o seu próprio túmulo com as alianças que vai estabelecendo com a extrema-direita, em Portugal e no Mundo, visando responder à insaciável fome de poder e acumulação de riqueza daqueles que representa.
Os sociais-democratas em Portugal, nomeadamente os que se reveem no PS, não devem cometer os erros que os seus parceiros da Europa cometeram. Não é possível, sequer, considerar a possibilidade de estabelecer qualquer forma de acordo com a extrema-direita, que tem como finalidade a destruição da democracia.
Nas próximas eleições, os democratas, devem dar uma resposta clara pela Democracia e pela Liberdade, sem confundir o descontentamento com o apoio à demagogia e à mentira que procura instalar-se com um discurso ra***ta, xenófobo e mentiroso.
Quanto ao BE é sabido que sempre manifestou uma oposição clara às políticas de direita e não há quaisquer circunstâncias que levem a alterar essa posição.
Os portugueses sabem que poderão contar com o Bloco para ajudar a implementar políticas que façam uma oposição firme a qualquer transigência à Democracia e à perda de direitos dos cidadãos.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Activista do Bloco de Esquerda de Matosinhos

12/01/2021

DIREITO versus DIREITA 30.12.2020
O sistema judicial português apresenta uma característica muito própria de só avançar com a investigação e levantar autos de acusação, quando os prováveis arguidos ,tiverem deixado de exercer o poder, seja ele de que tipo for. Esta prática aos olhos de muitos vista como laxista, tem permitido a fuga à responsabilidade de muitos acusados, por ilegalidades cometidas e por autênticos roubos ao erário público.
O respeito pelos direitos dos arguidos, a presunção de inocência até que a sentença transite em julgado, são direitos básicos a que qualquer Estado de Direito não deve voltar as costas, mas a possibilidade de prorrogar processos até que prescrevam, não pode ser encarado como uma garantia de justiça. Infelizmente é a isso que temos vindo a assistir, bem como a lutas internas por pequenos poderes no sistema judicial, que acabam por prejudicar a aplicação da justiça e retiram credibilidade ao aparelho judicial.
As questões jurídicas envolvendo autarcas e outras personalidades públicas ou privadas são arrastadas no tempo e a não concretização da capacidade de acusação contribui de forma grave para alguma descrença na política e nos políticos e no sistema judicial, sempre aproveitada demagogicamente pela manipulação da extrema-direita. Combater o crescimento dessa extrema-direita passa por acabar com o sentimento de impunidade que campeia, levando com celeridade à barra dos tribunais os prevaricadores.
Se não há meios, criem-se com maior eficácia, sem atropelar etapas, porque a situação como se apresenta actualmente, em muito contribui para a describilização da democracia.
A permissão para que arguidos de crimes de burla e de desvio de fundos mantenham a possibilidade de constituírem novas empresas e até que lhes sejam entregues novas concessões públicas para exploração de matérias-primas, continuando a ter livre acesso a fundos, é inadmissível aos olhos do cidadão cumpridor e indefensável do ponto de vista ético e mesmo do político-jurídico, pois é visto como um convite à prevaricação.
Quaisquer interferências de interesses externos ao campo judicial, sejam económicas, políticas, de grupos sociais, clubísticas ou outras, não devem poder alterar os propósitos e os desígnios da lei.
Num sistema jurídico republicano e democrático, a aplicação da lei tem de ser rigorosamente igual para todos, independentemente do seu estatuto social, económico, cultural, religioso, sexual, étnico ou qualquer outro. Benefícios, excepções ou diferenciações são, por isso, intoleráveis e contrárias à própria república e à democracia.
Escândalos denunciados envolvendo juízes, suspeitos de corrupção, ou de exorbitância de poder, comprometem a credibilidade que se espera de uma instância do Estado de direito, que mesmo gozando da independência Constitucional se obriga a assegurar a aplicação da lei e da justiça.
Sobre estas questões não temos visto o Presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa, por acaso professor de direito, fazer referência nas suas constantes intervenções públicas e isso seria um importante sinal, por parte do primeiro responsável pela manutenção da ordem jurídico/constitucional do país.
A Constituição da Republica Portuguesa proíbe a defesa de ideais ra***tas, xenófobos e fascista, bem como a exibição dos seus símbolos em público. Ora é estranho que o actual P.R. se mostre disposto a fechar os olhos à participação, num possível governo de direita de um partido com as características políticas do Chega.
Por toda a Europa foram eclodindo grupos que se reclamam desse tipo de ideologia, notando-se algum crescimento, desde que o ideólogo da campanha eleitoral de Donald Trump, Steve Bannon pretendeu criar uma espécie de internacional fascista, sediada em Itália, aproveitando o período em que os partidos de extrema-direita ali tiveram poder governamental. Tal não de concretizou, embora tenham sido estabelecidos contactos entre os diversos grupos, desde os franceses de Marine LePen, passando pelos italianos de Salvini, pelos espanhóis, alemães, ingleses, polacos e outros, que se sentiram mais fortes com a política de Trump.
Em Portugal, vários elementos oriundos da extrema-direita têm vindo a associar-se atrás do deputado eleito pelo Chega, um partido que anuncia princípios contrários à Constituição. O referido deputado, André Ventura, que já foi candidato a autarca pelo PSD, tem como responsáveis do seu partido, pessoas com um passado político ligado a actos de violência extrema, ra***ta e xenófoba, incluindo assassinatos. Tem apoios financeiros elevados, a partir de empresários ligados à especulação imobiliária e o seu número dois, Diogo Pacheco de Amorim, foi elemento do MDLP e do MIRN, de Kaulza de Arriaga, da rede bombista de 1975 e depois do CDS. Será este individuo que eventualmente o irá substituir na Assembleia da Republica, durante a candidatura de André Ventura à presidência da Republica.
André Ventura, que tem no seu currículo a indicação de ser professor de direito, é no entanto mais conhecido por ter feito comentário futebolístico na televisão. Com este perfil, e apesar disso, parte da direita política tradicional não hesita em ligar-se a ele para conseguir ter acesso ao poder, como já aconteceu nos Açores, facto que levou o presidente da Republica a afirmar claramente que não deixaria de dar posse a um governo nacional em que o Chega estivesse representado.
A manifesta incapacidade do centrão político em combater politicamente o populismo e a extrema-direita é muitas vezes escondida por declarações tão enfáticas como falaciosas de que os eleitores é que mandam e que dão força a quem querem. Esta debilidade das democracias tem sido muito bem utilizada pelos antidemocratas para a minar por dentro, como se pode ver, por exemplo, na Polónia e na Hungria. Servem-se da democracia para chegar ao poder e depois manipulam o sistema por dentro, com autoritarismo e subvertendo a independência dos poderes, em seu próprio benefício.
O combate que se impõe é político e democrático e não por via burocrática, mas as manigâncias, os abusos, os arranjinhos para chegar ao poder, reconhecidamente usados pela extrema-direita devem ser sempre veementemente denunciadas.
José Joaquim Ferreira dos Santos
Activista do Bloco de Esquerda de Matosinhos

07/01/2021

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 15.12.2020

Aproxima-se o acto eleitoral para a Presidência da Republica, marcado para o próximo dia 24 de Janeiro.
No nosso país o mandato da presidência da Republica tem a duração de 5 anos e os candidatos não são propostos pelos partidos políticos. Para apresentar a respectiva candidatura ao Tribunal Constitucional têm de recolher assinaturas propositivas de cidadãos eleitores, entre um mínimo de 7.500 e um máximo de 15.000.
O actual Presidente da Republica, Marcelo Ribeiro de Sousa, arrastou a data da marcação das eleições, montando o seu tabu acerca de apresentação da sua recandidatura, para um período natalício, pouco propício a debates, sem poderem comparar serenamente os programas dos candidatos.
É evidente que o senhor Presidente da Republica, dado o seu permanente presença, em todos os órgãos de comunicação social, nomeadamente nos diversos telejornais diários não necessita, na realidade, de fazer campanha eleitoral, já que detém um anunciado apoio de parte substancial dos militantes do PS e do PSD, o chamado o centrão político, o que sempre foi o propósito, umas vezes claro, outras escondido, de Marcelo Rebelo de Sousa.
Mais uma vez iremos ver Marcelo Rebelo de Sousa a afirmar que a sua campanha será muito frugal, quando na verdade não necessita dela, pois tem uma campanha permanente nos órgãos da comunicação social e até nos jornais de direita como o francês, Le Point.
A enorme ambiguidade que tem existido, entre o papel deste Presidente da República e o governo de António Costa, leva a que o partido maioritário, PS, não apresente um candidato próprio e se mantenha sob a tutela política de Marcelo Ribeiro de Sousa, mesmo contra a opinião de alguns dos seus responsáveis. A reconhecida irrequietude do Presidente encarada como a sua forma de estar da política, após tantos anos como comentador televisivo, faz com que continue a comentar os actos do governo, sem ter em conta a separação de poderes, sem se coibir de antecipar o anúncio de resoluções governamentais, em conferências de imprensa, sem que o primeiro-ministro se manifeste sobre estas intromissões, que por vezes até parece usufruir delas.
As tomadas de posição do Presidente sobre as questões ligadas à crise pandémica, são agora olhadas como premonições dignas de uma verdadeira pitonisa. Por exemplo, já afirmou que o pico da segunda vaga de infecções por Covid 19 terá lugar nos princípios de Janeiro, propondo-se endurecer as medidas de confinamento, nesse que é o momento coincidente com o período destinado à campanha para as Eleições Presidenciais.
O facto de Marcelo Rebelo de Sousa aparecer em todas as sondagens com mais de 60% das intenções de voto, tem feito com que as forças políticas não ousem comentar as inúmeras gafes cometidas pelo mesmo.
Ninguém levantou a questão de Marcelo Rebelo de Sousa ter tido relações próximas com Ricardo Salgado, inclusive o terem passado férias em conjunto no Brasil e efectuado viagens no iate do banqueiro, mas também não me recordo de tal coisa ter sido “comentada” pelo antigo presidente do PSD.
Todos conhecem a faceta de grande comunicador do Presidente da Republica, a sua absoluta ânsia de contacto com as pessoas, os inúmeros beijinhos a selfies com toda a gente que lhe pede, a confraternização em festas e feiras, em que procura mostrar-se preocupado com as pessoas. O que nunca vimos foi o senhor presidente mostrar solidariedade com trabalhadores despedidos, com o fecho de empresas por falências fraudulentas e outras manigâncias tão próprias do liberal-capitalismo dos nossos dias. Dessas situações nunca o ouvimos falar.
Mesmo em relação ao crime hediondo de tortura e assassinato perpetrado contra um imigrante ucraniano, por elementos do SEF, apesar de já ter ocorrido em Março, só agora que o escândalo estalou, é que o Presidente da Republica se dignou dizer alguma coisa e contrariamente ao que é seu costume, nem condolências enviou à família.
Também sabemos que a regionalização é uma necessidade premente para o desenvolvimento do país, um dos poucos na Europa com um regime centralizador. O facto de Marcelo Rebelo de Sousa ser contrário à regionalização tem obrigado o governo do Partido Socialista a utilizar truques, como a recente nomeação/eleitoral dos dirigentes das Comissões Coordenadoras Regionais, para tentar dar uma aparência de descentralização ao governo do país. Começa a ser claro que a centralização é contrária aos interesses dos portugueses e ao desenvolvimento do país.
A República Portuguesa rege-se por um regime semi-presidencialista, mas a interferência dos diferentes órgãos do Estado entre si, não pode ser benéf**a e torna a gestão pública demasiado obscura para os cidadãos, ninguém consegue perceber bem o âmbito de actuação de cada um deles.
A democracia portuguesa necessita de um Presidente que tenha da presidência uma visão laica e republicana, claramente anti-fascista, como está consagrado na Constituição e que se preocupe com todos os problemas que os portugueses são obrigados a encarar, a saúde, a educação, o desemprego, a cultura, a defesa dos direitos humanos, as questões sociais, as desigualdades regionais, a defesa do meio ambiente e as relações internacionais, de forma séria e atempada, na “gravitas” própria do cargo, sem populismos, sem premeditações, sem precipitações e sem ter como única meta a popularidade a todo o preço, tipo ranking de concursos televisivos.
Com este enquadramento político, cabe aos eleitores informarem-se das propostas dos candidatos sem se deixar ofuscar por vitórias pré-anunciadas ou por ameaças de catastrofismo político. Depois, então, vote, vote de acordo com a sua consciência e interesse. Não passe cheques em branco!

José Joaquim Ferreira dos Santos

Activista do Bloco de Esquerda de Matosinhos

06/01/2021

DIGNIDADE PARA OS IDOSOS 2.12.2020

Não é aceitável o crescente aparecimento de situações de fraude, de corrupção, de apropriação indevida de bens públicos ou de negócios escuros, envolvendo fundos do Estado. A resposta dada a estas situações por via judicial é em geral demorada e nem sempre conclusiva, beneficiando assim os prevaricadores.
Num regime democrático é de esperar que, em todas as actividades em que haja investimento público, cumpra ao Estado monitorizar rigorosamente a sua utilização, na forma legal existente para esse fim. Assim, havia mais garantias sobre o bom uso dos fundos postos à disposição.
Por outro lado, as entidades, mesmo que privadas, financiadas por dinheiros públicos, devem ser abrangidas por regras e critérios transparentes, definidos pela tutela, em termos de concursos públicos e aquisição de bens e serviços. Tornar-se ia mais difícil continuar com utilizações indevidas e abusos.
Um caso susceptível de escândalo público é o acontecido recentemente na Irmandade de Santa Cruz, sob supervisão da arquidiocese de Braga, que exigia joias de valor elevado, até 40 mil euros, para a admissão de idosos no respectivo lar, apesar de receber apoios de cooperação da Segurança Social. Estas “doações voluntárias”, sem as quais os idosos não seriam admitidos, atingiram o valor de 297 mil euros, embora seja do conhecimento geral também o facto de, pelo menos uma doação de centenas de milhares de euros, efectuada por uma idosa ali acolhida. A arquidiocese de Braga lava daí as suas mãos, alegando que a IPSS tem autonomia administrativa.
Segundo familiares dos utentes, esta situação acontece noutros lares de Braga, violando claramente os acordos de cooperação e financiamento da estrutura residencial, estabelecidos com a Segurança Social.
É um caso idêntico ao que aconteceu no Lar do Comércio em Matosinhos no qual ocorreram diversos óbitos em idosos infectados com o Covid 19, que está sob averiguação do Ministério Publico, por incorrecto tratamento dos utentes e falta de condições no apoio médico e de enfermagem, facto apelidado pela Ordem dos Advogados como quebra grave dos direitos humanos.
São inúmeros os casos de IPSS dirigidas por Misericórdias ou por entidades do mesmo tipo, onde as condições de alojamento e de falta de pessoal têm mostrado situações catastróf**as de mortes e de infecções, sem que ninguém, até agora, assuma as responsabilidades. Todos, mesmo o Estado, assobiam para o lado, enquanto a casa arde.
Daí resulta o facto de um número muito elevado de óbitos, mais de mil desde Março, por infecção do Coronavírus que se estão a verif**ar todos os dias nos lares de acolhimento de idosos.
Hoje é por demais evidente o estado a que isto chegou quanto à capacidade dos actuais estabelecimentos residenciais para idosos, os chamados lares, maioritariamente geridos por Misericórdias e outras organizações ligadas a diversas igrejas, por Centros Sociais ou mesmo por entidades privadas, em prestar um serviço adequado e com um mínimo de dignidade, de qualidade e segurança sanitária aos idosos que estão sob a sua responsabilidade.
Evidentemente que é impossível não atribuir, igualmente, responsabilidades à Segurança Social e ao respectivo Instituto, que contribuem com uma parte importante dos valores que permitem a assistência prestada aos idosos, mas que não monitorizam de forma suficientemente e rigorosa o funcionamento daqueles estabelecimentos.
Esta situação apesar de tantas vezes já denunciada, não se veem medidas robustas para acabar com a inoperância e manifesta incapacidade verif**ada.
E os lares “ilegais”? Escondidos de todos e degredo de velhos. Ninguém sabe ou ninguém quer saber? Será porque os que têm de recorrer a estes são os mais pobres de todos? Como sociedade somos todos responsáveis por esta tragédia que acontece à nossa frente e não nos podemos calar com a ocultação destes casos. È também da nossa própria responsabilidade dar voz a quem já não tem forças para o fazer.
Quando estas situações são colocadas aos executivos municipais a resposta é em geral que estes não têm vocação para gerir tais instituições e por isso desresponsabilizam-se do apoio devido aos seus eleitores idosos.
Não é possível continuar a olhar para os idosos com necessidade de acolhimento em lares, como se olhava em meados do século passado, como asilos para velhos, alojados por esmola e sem um mínimo de dignidade, sujeitos à boa vontade de uns quantos piedosos senhores que assim angariam lugares de destaque na sociedade e no céu.
Na comunicação social começa agora a ouvir-se falar na necessidade de um Serviço Nacional de Lares residenciais para idosos que responsabilize conjuntamente a Segurança Social e o Ministério da Saúde, garantindo assim a coordenação destas entidades, assegurando que os idosos tenham acesso aos serviços de saúde e a protecção, quer possam f**ar nas suas casas com apoio domiciliário, quer optem por recorrer a um lar de acolhimento.
A exigência de um serviço de qualidade para apoiar os nossos idosos não é nenhuma exorbitância, mais não é que o cumprimento solidário entre gerações, da obrigação da sociedade para com aqueles que a construíram e que não podem ser deixados para trás ou esquecidos.
A sociedade portuguesa está a envelhecer e é indispensável que a comunidade tome já nas suas mãos este assunto e o torne prioritário, inexoravelmente o tempo não pára e a velhice está no tempo presente, no tempo próximo e no futuro.
O Bloco de Esquerda desde sempre tem manifestado a sua preocupação com este assunto, nem sempre tendo sido ouvido, mas não é por isso que deixará de colocar o problema e de apresentar contributos com vista à sua resolução.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Activista do Bloco de Esquerda de Matosinhos

SURTO DE LEGIONELLA NA REGIÃO – EXIGEM-SE RESPOSTAS POR PARTE DO GOVERNO E AUTORIDADES COMPETENTESAumentaram para 88 o n...
21/12/2020

SURTO DE LEGIONELLA NA REGIÃO – EXIGEM-SE RESPOSTAS POR PARTE DO GOVERNO E AUTORIDADES COMPETENTES

Aumentaram para 88 o número total de pessoas que, nos concelhos de Vila do Conde, Póvoa de Varzim e Matosinhos, desde 29 de outubro, recorreram aos hospitais da Póvoa/Vila do Conde, Pedro Hispano e S. João devido ao surto de legionella que se desenvolveu na região que, até ao momento, já vitimou mortalmente 10 pessoas, sendo que 11 ainda estarão internadas.
O Ministério Público já tinha anunciado a abertura de um inquérito para investigar as causas do surto. Porém, passado mais de um mês, que se saiba, não há nenhumas conclusões deste inquérito nem se descobriu a origem da propagação. Entretanto a 27 de Novembro, novo caso é detetado, acrescentando dúvidas e o regresso da insegurança, correndo-se o risco da culpa morrer solteira e desse modo, as vítimas f**arem sem o reparo que têm direito.

Assim, e tendo em conta a legítima preocupação das populações da Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Matosinhos, ao mesmo tempo que se lamenta o falecimento destas 10 pessoas e restantes vítimas, exige-se respostas do Governo e demais autoridades competentes, nomeadamente:

1. O Ministério Público retirou já algumas conclusões do inquérito que afirma ter iniciado? Quais?
2. Foram identif**ados os responsáveis por este surto?
3. Quando finalmente vão ser conhecidos os responsáveis?
4. Continuam a haver vítimas?
5. Que esforços estão a ser feitos para prevenir a contaminação das populações?
6. Que diligências estão a ser tomadas para indemnizar as vítimas e famílias das vítimas?

Concelhias do Bloco de Esquerda de Matosinhos, Póvoa de Varzim e Vila do Conde perguntam se já foram identif**ados os responsáveis por este surto e que diligências estão a ser tomadas para indemnizar as vítimas e as suas famílias

21/12/2020

Nova Concelhia Bloco de Esquerda Matosinhos 2020/2022

Após Tomada de Posse da CCC de Matosinhos a dia 21 de Novembro de 2020, apresentamos os novos membros:

Ana Carvalho
Carla Silva
Elsa Moreira
Ernesto Magalhães
Fernando Castro
Filipe Cotim
Gabriela Magalhães
Jorge Sousa
Ricardo Vitorino
Sílvia Carreira
Sónia Lamachã

30/10/2020

O debate aqueceu e foi escalando ao longo de dias entre Governo e Bloco de Esquerda sobre o investimento previsto no OE para o SNS. Finanças reconhecem que números anunciados no parlamento não estão no relatório do OE e essa é a explicação para as contas feitas pelo Bloco de Esquerda.

28/10/2020

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