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RETOMANDO A POESIA, DE REIS CAÇOTE, MEU AVÔ, QUE NÃO CONHECI, MAS DEIXOU ESTE E OUTROS TRABALHOS      POESIA NÃO TEMÁTIC...
20/09/2017

RETOMANDO A POESIA, DE REIS CAÇOTE, MEU AVÔ, QUE NÃO CONHECI, MAS DEIXOU ESTE E OUTROS TRABALHOS

POESIA NÃO TEMÁTICA

DIAMANTES POR LAPIDAR

I – HUMANIZANDO OS ELEMANTOS

Amanhã
quarta-feira
o céu estará limpo
o Sol vazará biliões
de pétalas multicores
que os homens irão aparar
e conservar!

I – PRIMAVERA

Orgasmo da terra
em Flor!

II – VERÃO

Apogeu de sémen
ejaculação de frutos !

III – OUTONO

Abandono de s**os
em vertigem de folhas !

IV – INVERNO

Rescaldo de ventres
simbiose de húmus !

V – CHUVA

Lágrimas sem sal
dos anjos e
das estátuas !

VI – VENTO

Brisa que rejeitou
em fuga o poema e
foi longe
levar aos poetas
novas do seu País !

VII – NEVOEIRO

Vertigem de nuvem
aqui à mão!

VIII – ARCO IRIS

O engalanar final
para a grande romaria
com crianças a dizer poemas
e com pombas brancas
nos olhos dos homens !

IX – GRANIZO
Lágrimas de chuva
petrificadas !

X – TROVÃO

Mas que susto
me pregaste
Santa Bárbara bendita !

XI – RELÂMPAGO

A essa velo
cidade não
iluminas nada !

XII – NUVEM

Sombra de mais
ou menos frecura

Que o Sol não consegue
transmitir !

XIII - LUA

Astro frio
a quem só os poetas
transmitem o calor
do Sol e do Amor !

XIV – SOL

Fauno incandescente
Violador implacável
Das musas galácticas
da noite cósmica !

XV – NOITE

Incesto natural
e pontual
com seu Filho
o Dia
do qual nem sempre
nasce o Sol !

XVI – DIA

Sorrateiro amante
abandonando a mãe-noite
com quem marcou novos encontros
algumas vezes
com lágrimas nos olhos !

XVII – CÉU

Que irá transformar-se
em Terra
à chegada do meu poema
mesmo sem anjos a recebê-lo !

XVIII – TERRA

Que tento transformar
em céu
colocando flores e anjos
no lugar das bombas !

XIX – MAR

Que rio serias
se não fosses salgado ?

XX – RIO

Quando cresceres
queres ser Mar?

1985 – Reis Caçote

17/09/2017

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ANTES DA IDA PARA ANGOLA, NA EPA-ESCOLA PRÁTICA DE ARTILHARIA, VENDAS NOVAS!DE CANTO CORAL, A ÚLTIMA AULAA partir de cer...
11/09/2017

ANTES DA IDA PARA ANGOLA, NA EPA-ESCOLA PRÁTICA DE ARTILHARIA, VENDAS NOVAS!

DE CANTO CORAL, A ÚLTIMA AULA

A partir de certa altura, que não recordo com precisão, o que também não acho importante, uma vez por semana ou por vezes duas, um segundo sargento de Cavalaria, deslocava-se à Escola Prática de Artilharia, para dar umas aulas de Canto Coral, aos alunos do Curso de Sargentos Milicianos e aos que formavam a Bateria de Referenciação, sendo o primeiro ano que esta existia.
O Curso de Oficiais Milicianos já dispunha de um espaço novo, ou quase, com um edifício de dois pisos: no rés-de chão funcionavam a cozinha, refeitório e uma arrecadação que era também o depósito das armas e munições e no andar superior eram a camarata e uma pequena sala de leitura e alguns jogos!
As aulas de canto coral eram dadas numa parte da parada, situada entre as casernas da Bateria de Referenciação e da primeira bateria do Curso de Sargentos Milicianos!
A seguir ao pequeno-almoço de sexta-feira formávamos em “U”, com os alunos do CSM, frente a frente formavam os lados do “U” e a Referenciação era a base!
Quando a formatura estava terminada, com algumas indicações do maestro, obtido o silêncio, o maestro explicava o que iriamos ensaiar naquela aula! De seguida entoava as primeiras notas do tema, que apoiava ainda com aquele pequeno instrumento, a harmónica!
Além destes saberes tinha um tique: o pst, pst, que era a última nota da sua intervenção!
Decorria o ano de mil novecentos e sessenta.
O cabo Calapez, artista gráfico por vocação e militar efetivo, certamente por falta de saída para a sua arte, na véspera, pelo final do dia, apresentava o seu trabalho, bem colorido, desenhado e pintado sobre papel de cenário, afixado em pequenos expositores que eram colocados em lugares estratégicos onde todos pudessem ver e preparar-se para o que o Calapez graficamente ordenava: exercícios de campo, com as verdes ervas e o Sol a brilhar; as caminhadas o militar a caminhar em grupo, ou em formatura quando era formatura em parada! Na véspera do canto coral lá estava o fardado, a expelir notas musicais que subiam até se perderem!
Era um trabalho didático o do Cabo Calapez.
À hora marcada pelo artista, sem falta, lá estava o maestro no espaço habitual. Mandava formar e em breves minutos lá estávamos, os cerca de trezentos futuros cantores.
Escolhia o hino – eram quase só hinos – que iriamos ensaiar e a liturgia começava: o hino da Artilharia! Dava o tom das notas iniciais, passava à gaitinha e logo o psst,psst e segundos depois a ordem de “todos agora” e ainda mais depressa dava sinal de parar com o psst, psst mais enérgico, vinha o pronto, pronto para interromper!
Para recomeçarmos de imediato, uma, duas, três vezes e até mais!
Por razões que não ficariam bem neste retrato, sempre fui um mau analisador de música! Não percebi bem porquê, dei comigo, a certa altura, a achar agradável de ouvir, cerca de trezentos homens a cantar em simultâneo!
E melhorava quando, em campo aberto, no Polígono, apenas duas ou três escolas, ou turmas, a fazê-lo, sob a orientação do maestro psst, psst e aumentava de qualidade e harmonia quando era o hino da Artilharia, de que hoje, passados tantos anos, não recordo uma única nota nem mesmo uma única palavra da letra!
Um dia, de não sei que mês, tudo parecia indicar que iria ser semelhante aos anteriores, em que havia canto coral. Não foi. Algo se passou que não estava previsto e ainda hoje, décadas decorridas sobre ele, me interrogo e resposta não encontro.
O pessoal parecia mais alegre, mas atribuo a ser sexta-feira! O sargento, pelo contrário, parecia tenso, mas teria as suas razões: sexta-feira e ter que deixar os seus obis e cavalos e vir para Vendas Novas ensinar a cantar, como se eles não soubessem!
Tudo se iniciou normalmente: a formatura em U, a gaita a dar o tom, as palavras, bem moduladas, a saírem da cavidade bocal do sargento de cavalaria.
De um ponto incerto da formatura se ouviram-se, pelo menos duas vezes, o psit, psit e o pronto, pronto, imitação irreverente, vinda de algum divertido, tentando roubar o posto de trabalho do maestro!
De imediato, colocado entre os abertos braços do U da formatura, surge o cavaleiro maestro, assumiu a posição de sentido e da boca do mestre, sem melodia, saem a ordem, furiosa: atenção à voz de comando!
- Formatura, sen’oppp!
O ruido de duzentos e cinquenta, ou mais, pares de botas soou e o silêncio se instalou, logo interrompido pela voz do mestre, repetindo a liturgia com que iniciava todas as aulas, apenas alterada pela posição de sentido em que nos mantinha.
Agora para todos! Batuta ao alto, desceu e ali se suspendeu!
Não foi o que sucedeu: apenas um som, perdido, num ponto incerto do U formado, se ouviu, de uma das cerca de trezentas bocas em sentido e que de imediato silenciou!
Um pesado silêncio caiu sobre a parada e um frémito, mais psíquico que físico, percorreu todos os militares em sentido e que assim se mantinham.
Aparentando uma calma que estava já a léguas de distância, o sargento fez uma segunda tentativa, mas desta vez nem o desgarrado som surgiu!
Mandou um dos faxinas chamar o oficial dia à parte antiga da unidade! Trocou poucas palavras, que se não ouviram, com o maestro, depois de dar ordem de à vontade à formatura.
Fez um pequeno e pouco convincente discurso e a aula recomeçou, por pouco mais tempo e terminava com o Hino Nacional, como sempre.
O maestro, com ar desalentado e frágil, atabalhoadamente quis iniciar, com a formatura na posição de à vontade, dada pelo oficial de dia! Errado!
Tal como sucedera no inicio, uma onda de silêncio percorre a formatura e um bater de calcanhares quase sem falhas informou que estávamos na posição de sentido e assim cantámos, até final, o Hino Nacional! Errado!
Se na posição de sentido se não pode falar ou sequer mexer, seja qual for a origem da ordem!
O que resultou desta atitude coletiva foi a individual do sargento, não mais voltar a Vendas Novas para ensinar canto coral.
E o cabo Calapez não mais pintou e publicitou, em papel de cenário, o fardado a libertar notas musicais que subiram, subiram, e se perderam sem achar o destino!

Reis Caçote
Dezº 2016-digit

RETOMANDO OS ESCRITOS! A GUERRA TAMBÉM PODE SER ADIADA, QUANDO NÃO FOI EVITADA!                     PARAGEM NA GUERRAO a...
11/09/2017

RETOMANDO OS ESCRITOS! A GUERRA TAMBÉM PODE SER ADIADA, QUANDO NÃO FOI EVITADA!

PARAGEM NA GUERRA

O avanço para a que foi designada por “Operação Esmeralda” (tomada da Pedra Verde) fazia parte de um plano escalar, pelo menos do grupo de Artilharia:
- concentração, no Grafanil, por dois ou três dias;
- nova paragem, na Fazenda Tentativa, a cerca de cinquenta quilómetros, para norte, por um período de tempo semelhante;
- depois, finalmente, seria o avanço até ao local operacional, que veio a ser a colina da fazenda Kibaba, frente à Pedra Verde.
Não era esta a nota que queria registar, ou seja, estes tempos de espera que só quem os conhece ou estuda, os entenderá sem dificuldade. Mesmo que por ali andassem estrategos das guerras, não era a eles que cabia decidir como se chegaria ao objetivo! Para isso lá estavam, no quartel-general, os especialistas e os meios de comunicação, os que havia na época, elaborando, em segredo, as várias formas de chegar, se possível sem danos materiais e sobretudo humanos.
Todos aqueles compassos de espera, a ausência de notícias e sem ocupação alguma, apenas eu e os maqueiros, tínhamos o nosso treino diário, tal como o fazíamos no Grafanil! A tensão era notória, embora todos aparentassem calma e alguns a sentiriam!
A ordem de avançar devia chegar por código cifrado, para isso havia um cabo especializado.
A chegada de feridos ou já não sentindo que os tinham, era cada vez mais frequente e a proibição de não nos aproximarmos do hospital era difícil de respeitar.
O que circulava, em surdina, boatos quase sempre, era que os “turras” captavam as mensagens rádio e delas se serviam para organizar os seus ataques; o sigilo que, por via disso era mantido sobre movimentação de tropas, criava o clima emocional para que os boatos se sucedessem, tenebrosos quase sempre e a adrenalina a subir pela corrente sanguínea.
Saímos amanhã às cinco às cinco, diziam uns; saímos hoje durante a noite, adiantavam outros, cada grupinho parecia querer saber mais que o outro.
No dia seguinte saiam secções em exercício de patrulhamento, sobretudo para ensaiarem as rações de combate e nada mais, de relevo, se passava. Dois dias depois, logo pela manhã, o cabo cripto terá dito a um seu camarada, em quem confiava mais, certamente, o teor da mensagem que recebera: saímos hoje, às tantas horas.
Pouco durou o segredo e depressa chegou ao comandante da bateria, que de imediato “julgou e sumariamente ordenou” a imediata detenção do cabo “falador”!
Mais rápida do que a infração do cabo, chegou aos ouvidos do capitão, foi a notícia da sua detenção, que se dizia ficar sob prisão e não seguiria com a bateria.
Algum dos mais de cem militares, nem sequer pensou nas consequências que poderia ter uma sublevação, por não fazer parte do seu currículo este “pecado”, constante do RDM – Regulamento de Disciplina Militar!
Mesmo sem reunir o tribunal coletivo, a sentença foi instantânea:
Daqui ninguém sai sem o camarada detido! E não saiu!
O avanço da guerra foi adiado por mais um dia!

Reis Caçote
Dezº2016- digit.

10/09/2017
10/09/2017

Já passava da meia-noite, e todas as outras lojas do Centro Colombo tinham encerrado, quando excecionalmente a Disney Store abriu portas para um lançamento muito especial. E muito disputado!

10/09/2017

As inundações continuam, em Cuba e noutros Paises!

O Sol brilha, em Barcelona...
08/09/2017

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Il sole splende su Barcellona!

08/09/2017

Dinámica pirámide de la población de Portugal explora la 100 años de edad y distribución del s**o y comparaciones mundiales.

07/09/2017

Os trabalhadores da Somincor – Sociedade Mineira de Neves Corvo – estiveram reunidos em plenário nos dias 5 e 6 de Setembro, onde discutiram a sua situação laboral, nomeadamente quanto ao horário e aos salários, prometendo greve caso a administração não responda até ao próximo dia 13. 

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