Intelier Maria Peixoto

Intelier Maria Peixoto Doença Grave & Confronto com a Finitude
Acompanhamento para fazer sentido e encontrar direção nos momentos mais crus.

Quando o diagnóstico ou o prognóstico chegam, a maioria das pessoas que nos rodeiam preocupam-se como reagimos às notíci...
06/06/2026

Quando o diagnóstico ou o prognóstico chegam, a maioria das pessoas que nos rodeiam preocupam-se como reagimos às notícias, como lidamos com o que acontece.

Isso importa, claro. Mas f**a aquém daquilo que é a experiência interior de quem passa por estes momentos.

A doença e o confronto com a nossa mortalidade não trazem apenas desafios de ajustamento psicológico, não impactam apenas o nosso estado emocional e mental.

O entendimento que tínhamos sobre a nossa vida f**a abalado, desadequado à nova realidade.

Surgem questões acerca de como a doença nos chega ou de que direcção nos está a pedir.

A nossa identidade f**a difusa, partes de nós inevitavelmente não continuam iguais e vão ruindo.

Temos uma sensação difícil de explicar, de que há algo mais profundo a entender sobre o que nos está a acontecer.

E é por isso que se torna necessário um espaço onde possamos explorar, elaborar, onde as respostas comecem a surgir e o sentido comece a emergir.

É esse o trabalho que faço nas minhas sessões individuais, criando um lugar onde a verdade da pessoa e da sua experiência se vai revelando, sem a encaixar em caixas pré.concebidas.

Online e presencialmente em Guimarães.

Um diagnóstico confronta-nos com questões existenciais, sobre a vida e a morte. Frequente e felizmente ainda com tempo d...
04/06/2026

Um diagnóstico confronta-nos com questões existenciais, sobre a vida e a morte. Frequente e felizmente ainda com tempo de fazer algo em relação a isso..

O que é que ainda não cumpri?
O que é ou passa a ser prioridade?
Que assuntos preciso resolver?
Que legado quero deixar?

A doença é muitas vezes um abanão para vivermos com mais consciência e intencionalidade.

E eu não sou excepção.

No meu caso, foi um episódio de uma complicação pós cirurgica que me trouxe esse confronto real com a minha morte e, consequentemente, com a minha vida.

Passei a questionar com mais frequência se estou a viver a vida o melhor que sei.

Se a estou a aproveitar no meio das limitações.

Se, chegada a uma nova doença grave ou ao fim de vida, vou olhar com arrependimento para a forma como estou a lidar com o meu presente.

E de repente vejo-me com mais coragem e determinação para fazer aquilo que realmente me importa fazer.

Aqueles clichés irritantes que percebes que acertam mesmo no ponto.

Nem sempre o esforço conduz aos resultados.Coisas más acontecem a pessoas boas.O cuidado nem sempre nos protege. Digo is...
29/05/2026

Nem sempre o esforço conduz aos resultados.
Coisas más acontecem a pessoas boas.
O cuidado nem sempre nos protege.

Digo isto sem revolta ou ressentimento.
Porque a vida não é essa coisa linear, de causa e efeito.
Há muito que não controlamos, não conhecemos e não compreendemos.

Olho para essa injustiça como parte da incerteza e do mistério da vida.

Porque acredito que o que vivemos faz parte de algo maior, de um sentido maior, uma inteligência maior. Que nem sempre compreendemos e nem sempre se coaduna com a noção de justiça.

A doença, a fragilidade, a morte, não são excepção.

Estas experiências transformam-nos, reorganizam-nos e aproximam-nos de partes mais profundas de nós.

E a forma como as atravessamos também transforma os outros e deixa impacto no todo maior de que fazemos parte.

Por isso, às vezes, procurar sentido quando sentimos que não há uma lógica de justiça implica fazer um 'zoom out'.
Alargar a perspetiva e olhar com mais amplitude para os impactos que estes acontecimentos têm em nós, nos outros e no cômputo geral das coisas, da vida.

Porque o que nos acontece, mesmo não sendo justo, pode ainda ter sentido.

Há 15 anos, noutra vida, acabada de sair da universidade, trabalhei com idosos. Uma coisa que sempre me ficou foi como a...
26/05/2026

Há 15 anos, noutra vida, acabada de sair da universidade, trabalhei com idosos.

Uma coisa que sempre me ficou foi como a ligação que tinham à religião, a Deus, os ajudava a lidar com as dificuldades que tinham e as provações por que passavam.

Lembro-me perfeitamente de pensar como seria quando eu e a minha geração, muitos de nós desligados de crencas e práticas espirituais, chegássemos àquela idade e àquela fase desprovidos desse suporte.

Continuo sem me identif**ar com uma religião, com um credo.

Mas aprofundei a minha relação com o mistério da vida, com algo maior que acredito que existe, ainda que não saiba exatamente o que lhe chamar nem como o explicar.

E sempre que me entrego, que me predisponho a acreditar, sinto apoio, suporte, orientação.

Mais do que ter explicações ou certezas, chega-me o sentir e a experiência de uma e outra vez ser suportada pela vida.

Sim, mesmo quando me troca as voltas, me atira ao tapete e nada corre como eu gostaria...

Porque confio num sentido maior e isso ajuda-me a fazer a parte que me cabe a cada momento.

Acreditamos que vamos melhorar,& temos medo da doença avançar. Queremos ter agência e determinação,& sentimos que há tan...
15/05/2026

Acreditamos que vamos melhorar,
& temos medo da doença avançar.

Queremos ter agência e determinação,
& sentimos que há tanto que não controlamos.

Temos uma atitude positiva e otimista & sentimos necessidade de nos prepararmos para o que pode correr mal.

Queremos ser vistos para além da doença & precisamos que reconheçam a nossa dor.

Damos valor ao crescimento, consciência, transformação que emergiram da doença & sentimos um luto profundo pela vida que tínhamos.

Queremos voltar a nós, ao que éramos,
& a vida mudou, não somos mais os mesmos.

É muito comum estarmos assim em dois sítios aparentemente incompatíveis ao mesmo tempo.

Não porque haja algo de errado connosco, nem de incoerente.
São diferentes partes nossas a manifestarem-se, e todas têm razão de ser.

Ao invés de escolher entre uma ou outra, precisamos acolher ambas e perceber o que nos querem dizer.

Ao olhá-las com curiosidade e sem (auto)crítica, podemos compreender o que cada uma está a tentar expressar, proteger ou revelar.
Que necessidades, valores ou verdades carregam sobre aquilo que estamos a viver.

Na verdade, o que queremos é criar um espaço interno onde convivemos com a ambivalência com mais consciência, onde seguimos o que as diferentes partes de nós sinalizam e a partir daí conseguimos estar mais inteiros e apaziguados.

Depois do diagnóstico senti muita necessidade de compreender o que me tinha acontecido, como tinha chegado ali.De olhar ...
10/05/2026

Depois do diagnóstico senti muita necessidade de compreender o que me tinha acontecido, como tinha chegado ali.
De olhar para trás e fazer um sentido da doença na história da minha vida.

Um que sentisse como meu.

Senti necessidade de olhar para a doença e ver a 'big picture', o que me trazia e o que me dizia.
(Um dia arranjo palavras e coragem para escrever sobre isso.)

Não foi imediato. Estudei muito, ouvi diferentes profissionais e acabei por montar o puzzle integrando várias peças.

Mas fez toda a diferença. Deu-me compreensão e um senso de agência. Porque a partir desse lugar de maior consciência, eu sabia o que me estava a ser pedido e qual a direção a seguir - o que decidir, como lidar, o que comunicar, expressar...

Deu-me a oportunidade de crescer com o que me estava a acontecer.

Isto não é assim para toda a gente, nem tem de ser.

Mas para quem precisa, sente vontade ou um chamado para aprofundar, existem formas de exploração interior que nos ajudam a fazer sentido do que aconteceu ou está a acontecer.

E isso também é o que faço nos meus acompanhamentos.
Consultas online e presencialmente em Guimarães.

Perante uma doença grave, a vida muda. E nós mudamos com ela. Às vezes pressentimos isso logo, com o impacto da notícia ...
07/05/2026

Perante uma doença grave, a vida muda. E nós mudamos com ela.

Às vezes pressentimos isso logo, com o impacto da notícia e a grandeza daquilo com que nos deparamos.

Outras vezes vamos percebendo isso ao longo do processo, com todas as mudanças que se acumulam.

Ou ainda, essa consciência aparece quando a fase ativa dos tratamentos termina e nos deparamos com um vazio - já não somos quem éramos e ainda não percebemos bem em quem nos estamos a tornar.

Mas é sempre uma questão de identidade. Porque a doença grave impacta tanto que nos mexe por dentro. Vai até ao âmago das nossas dúvidas, dos nossos medos, mas também de quem somos e do que nos importa verdadeiramente.

Encarar essa transformação com mais consciência e intencionalidade dá-nos a oportunidade de a conduzirmos para um lugar onde nos sentimos mais inteiros, mais realizados, a viver uma vida com mais sentido. Mesmo a par da dor e do tanto que não controlamos.

Se estás a atravessar este espaço liminar de mudança, incerteza e reconstrução, vem.

Consultas online e presenciais em Guimarães.

Tenho uma relação tranquila com a minha doença, com o cancro. Com isto não quero dizer que não tenha momentos de medo, t...
05/05/2026

Tenho uma relação tranquila com a minha doença, com o cancro.

Com isto não quero dizer que não tenha momentos de medo, tristeza, de desejar que tivesse sido mais leve.

Mas sinto-me bem resolvida com o que me aconteceu e com o que ainda me acontece em consequência dele. Sem ressentimento, mágoa ou revolta.

Nem sempre foi assim e tudo isso também foi parte importante do processo.

Mas, à medida que fui percebendo o porquê do cancro me aparecer, o que me mostrou, de que formas me transformou, tudo se apaziguou.

Para algumas pessoas talvez não tenha um sentido, talvez não acrescente nada. E está tudo certo.

Para mim, o cancro foi uma experiência tão dura quanto transformadora. E por isso, uma das piores e melhores coisas que me aconteceu.

Fez-me olhar para o passado, presente e futuro com outros olhos, outra consciência.
E quando olhamos para a vida de uma perspectiva diferente, a vida muda.

Passar pelo cancro foi muito duro
& não mudaria nada do que foi.
Porque gosto da Maria em que me tornei.

Não se escolhem nem se controlam os contornos de um diagnóstico grave, um prognóstico duro, perdas difíceis. Ainda assim...
04/05/2026

Não se escolhem nem se controlam os contornos de um diagnóstico grave, um prognóstico duro, perdas difíceis.

Ainda assim, existe margem de manobra.

Porque há um espaço interno disponível para nos relacionarmos com o que acontece.
Para escutar e compreender o que está presente em nós Para explorar diferentes perspectivas, várias partes nossas e um sentido que se revela Para aprofundar o que queremos, o que precisamos, o que é nosso de fazer.

E, a partir desse lugar de uma maior consciência de nós, emergem novas formas de nos posicionarmos, de escolher e de agir.

Seja uma conversa difícil, uma decisão controversa, um pedido de desculpa ou um exemplo de humanidade e gentileza.

Honrar quem somos e a vida que temos traz uma sensação de realização e de paz, mesmo quando controlamos pouco. E isso importa muito.

Se isto te faz sentido, vem.
Consultas online e presenciais em Guimarães.

Endereço

Guimarães

Website

https://mariaalvespeixoto81.wixsite.com/intelier, https://www.instagram.com/i

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