25/04/2026
Hoje, nas comemorações do 𝟮𝟱 𝗱𝗲 𝗔𝗯𝗿𝗶𝗹 em Esposende, o Esposende PS marcou presença na sessão solene evocativa da Revolução dos Cravos.
Foi com sentido de responsabilidade democrática que levámos a nossa voz à casa da democracia concelhia, reafirmando os valores que Abril nos legou: liberdade, dignidade humana, pluralidade, participação cívica, justiça social e solidariedade.
Neste ano em que se assinalam também os 50 anos da entrada em vigor da Constituição da República Portuguesa, recordámos a importância de defender a democracia todos os dias, não apenas como memória, mas como compromisso permanente com as pessoas.
Abril continua por cumprir quando há territórios esquecidos, quando faltam respostas para a saúde, a habitação, a mobilidade, o saneamento, a transparência e a participação. Em Esposende, continuaremos a exigir um concelho mais justo, mais plural, mais desenvolvido e mais próximo de todos e todas.
𝗩𝗶𝘃𝗮 𝗮 𝗹𝗶𝗯𝗲𝗿𝗱𝗮𝗱𝗲.
𝗩𝗶𝘃𝗮 𝗼 𝟮𝟱 𝗱𝗲 𝗔𝗯𝗿𝗶𝗹, 𝗵𝗼𝗷𝗲 𝗲 𝘀𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲.
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𝙄𝙣𝙩𝙚𝙧𝙫𝙚𝙣𝙘̧𝙖̃𝙤 𝙙𝙤 𝙋𝙖𝙧𝙩𝙞𝙙𝙤 𝙎𝙤𝙘𝙞𝙖𝙡𝙞𝙨𝙩𝙖 𝙣𝙖 𝙨𝙚𝙨𝙨𝙖̃𝙤 𝙨𝙤𝙡𝙚𝙣𝙚 𝙙𝙤 25 𝙙𝙚 𝘼𝙗𝙧𝙞𝙡 𝙚𝙢 𝙀𝙨𝙥𝙤𝙨𝙚𝙣𝙙𝙚:
Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Esposende e membros da Mesa,
Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Sras. e Srs. Vereadores,
Ex.mas Sras. e Srs. deputados da Assembleia Municipal,
Srs. Presidentes de junta e demais eleitos locais,
Digníssimos representantes e autoridades das instituições civis, sociais, humanitárias e religiosas aqui presentes,
Estimado público, cuja presença vem afinal materializar o que as celebrações do 25 de Abril representam: espírito de comunhão e de respeito mútuo em democracia,
Permitam-me, antes de mais, poder desfrutar deste momento. Nascida pouco tempo depois do 25 de Abril, já celebrei esta data de muitos modos: entre abraços da família, já o celebrei entre discursos de camaradas de partido, já o celebrei espontaneamente na rua, entre amigos e desconhecidos unidos em torno da mesma canção, mas é a primeira vez que o celebro como eleita local.
Sinto, por isso, uma enorme honra e sentido de responsabilidade de poder usar a minha voz e a minha presença para representar muitos e muitas outras esposendenses. E por poder fazê-lo em liberdade, sem medo de represálias, em total autonomia como cidadã portuguesa orgulhosa da história do seu país.
E este é um momento duplamente feliz. Porque, como vos disse, é a primeira vez que posso celebrar o 25 de Abril na casa da democracia do concelho de Esposende, mas é também o dia em que posso convosco celebrar a Constituição da República Portuguesa que entrou em vigor há exatamente 50 anos e que o meu avô paterno, Francisco Tinoco de Faria, ajudou humildemente a desenhar como deputado da Constituinte. Apesar de sucessivas alterações, esta lei fundamental, que a todos e todas rege, manteve uma série de princípios essenciais que gostava de recordar.
Por causa do 25 de Abril e da Constituição da República Portuguesa, e por causa da efetiva democracia que desde aí se instituiu, sabemos hoje que Portugal se proclama uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária. A Constituição determina que Portugal é um:
• Estado de direito democrático,
• baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas,
• que respeita e garante os direitos e liberdades fundamentais,
• e onde há separação e interdependência de poderes.
O grande objetivo destas orientações? A realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.
A grande arma do povo português é precisamente esta democracia participativa e plural baseada na liberdade, na justiça e na solidariedade e são estes valores que deram e continuam a dar o mote para o desenvolvimento e evolução do nosso país.
A democracia implica comunhão na medida em que as pessoas são chamadas a juntar-se e a participar na vida comum, a contribuir para identificar problemas e ajudar a encontrar as respostas para os resolver. As pessoas, as coletividades, as famílias, as instituições, as empresas podem e devem participar na vida pública de modo livre, sem receios de retaliações.
Muitos talvez tenham vivido essa época do pós-revolução em que eram constantes e recorrentes os ajuntamentos de multidões para discutir e resolver problemas, as assembleias populares, a ideia de que o poder estava na rua e era partilhado de mão em mão. De que a participação política – muitas vezes não partidária – era parte do dia a dia. De que o poder pertencia a todos e todas e já não a um pequeno grupo de autodesignados “obreiros da pátria”.
Uma das grandes características do 25 de Abril e que está inscrita na Constituição, é o respeito pela pluralidade. Não somos apenas uma sociedade em que “todos, todos, todos” temos lugar, como diria o Papa Francisco, mas temos lugar como seres plurais, no que nos une – o facto de sermos humanos – mas também nossas diferenças e divergências. A democracia portuguesa tem que continuar a ser respeitadora da dignidade de qualquer pessoa independentemente do seu s**o, cor de pele, estrato social, orientação sexual, profissão, idade, nacionalidade, opção religiosa ou política.
E a todos e todas, cada um com suas necessidades específicas e histórias de vida únicas, o Estado deve apoiar com justiça, com saúde, com educação e com habitação. E – sendo Portugal uma democracia participativa – está precisamente nas mãos do povo reclamar ao Estado e fazer a nossa quota parte de construção do país através da participação cívica e política, reconhecendo que o meu vizinho pode ser diferente de mim, mas é meu vizinho e, no final, somos solidários no modo como contribuímos para o país e no modo como exigimos que Abril se cumpra.
Não se deixem, portanto, enganar com promessas de sereias de papelão, que fingem saber o que o povo quer – um povo que supostamente só se encontra pelos cafés e não o que estuda, trabalha, reza, cuida da casa e da família.
Não se deixem enganar por quem entende que a participação política, pluralidade e respeito devem ser abandonados ou diminuídos. Por quem responde à pluralidade com ódio e divisão, por quem responde à participação cívica com mentiras e desinformação, ou por quem responde ao respeito pela dignidade humana com toques de autoritarismo e de superioridade moral.
Devemos continuar a mover-nos pela utopia de Abril. De pretender uma sociedade justa e fraterna, completa e solidária, onde ninguém tenha que passar fome e necessidade, onde todos podem ter acesso a cuidados de saúde essenciais, todos e todas podem ser livres para constituir as suas famílias e ter um teto sobre as suas cabeças a preços proporcionais aos seus rendimentos
Continuemos a defender Abril e a possibilidade de todos e todas termos acesso à educação e formação, podendo escolher autonomamente a profissão e o caminho que sentimos que melhor cumpre as nossas vocações. Continuemos a exigir instituições e empresas mais justas, transparentes e desenvolvidas. Continuemos a colocar sobre quem nos governa – seja ao nível central, seja ao nível local – mais e maiores exigências de transparência, ética, legalidade e serviço público. Vamos continuar, juntos, a identificar os problemas e a discutir e encontrar as soluções.
Porque, na verdade, o que Abril nos trouxe é que devemos estar todos uns para os outros, principalmente para os vulneráveis e esquecidos. E Esposende tem ficado e continua esquecido. Sem saneamento em boa parte do seu território, com cuidados de saúde frágeis e subótimos, más soluções de mobilidade, poucas opções de habitação acessível e com um poder local ainda pouco diverso e plural.
Daqui de onde estou, vos asseguro que tudo farei para poderem contar com a minha voz para apoiar e ajudar mesmo – ou especialmente – quem é diferente de mim. Porque a pluralidade enriquece, não ameaça. Porque a pluralidade ensina, não destrói. Vamos continuar a caminhar com Abril e não contra Abril. Sejamos realistas, ainda podemos exigir o que parece impossível se o fizermos juntos e juntas e em nome de todos e de todas.
Deixe-me terminar com as palavras de um artista da minha idade, André Tecedeiro:
𝘘𝘶𝘦 𝘲𝘶𝘦𝘮 𝘦𝘯𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘰 𝘤𝘢𝘮𝘪𝘯𝘩𝘰
𝘗𝘢𝘳𝘢 𝘢 𝘭𝘪𝘣𝘦𝘳𝘥𝘢𝘥𝘦
𝘛𝘦𝘯𝘩𝘢 𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘵𝘢𝘭𝘦𝘻𝘢 𝘥𝘦 𝘳𝘦𝘷𝘪𝘷𝘦𝘳
𝘖 𝘱𝘰𝘯𝘵𝘰 𝘥𝘦 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘪𝘥𝘢.
𝘛𝘦𝘯𝘩𝘢 𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘵𝘢𝘭𝘦𝘻𝘢
𝘋𝘦 𝘳𝘦𝘨𝘳𝘦𝘴𝘴𝘢𝘳 𝘮𝘪𝘭 𝘷𝘦𝘻𝘦𝘴
𝘗𝘢𝘳𝘢 𝘨𝘶𝘪𝘢𝘳 𝘰 𝘱𝘳𝘰́𝘹𝘪𝘮𝘰.
Vamos ser fortes, vamos continuar juntos! Viva a liberdade, viva o 25 de Abril hoje e sempre!