05/04/2020
Casa das Barcas-Prédio Militar 15 (PM15)
1703-Início da construção do armazém denominado Casa das Barcas,para guardar o trem das barcas que compõem a ponte para atravessar a fronteira luso-espanhola no rio Guadiana e o Caia,no âmbito dos preparativos da Guerra da Sucessão de Espanha. 1705-Dá-se a conclusão das obras de construção do armazém para as barcas.
1718-Desactivação da Companhia das Barcas,integrada no Regimento de Artilharia,que tem a responsabilidade do serviço das barcas.
1719-Os quartéis velhos de Elvas estão arruinados e a Coroa só aceita tomar posse deles,depois de a Câmara os consertar e renovar de camas,o Município,por não ter verbas para essas obras,decide prescindir dos 500$000 que a Coroa lhes deve pela expropriação de 15 dos quartéis demolidos para alargamento dos armazéns de guerra,posterior Casa das Barcas.
1757-o Regimento de Artilharia do Alentejo é reorganizado,durante o reinado do Rei D.José,com dois Batalhões de oito Companhias,havendo no primeiro Batalhão uma Companhia de Barcas ou Pontões.
1758-Segundo as Memórias Paroquiais da Freguesia da Sé,do outro lado da igreja de São Martinho "se principiou no anno de 1703 e finalizou no de 1705 huã grande Casa de 3 naves com 3 portas e 24 pilares d'alvenaria,a qual serve para recolhimento das barcas quando o exercito se Recolhe da Campanha".
1802-Planta da Praça de Elvas com seus fortes adjacentes,delineada por Francisco D'Alincourt,representa a Casa das Barcas,mas a Casa dos Fornos ainda não está construída,visto haver um vazio e recorte entre as massas da primeira e a do Quartel de São Martinho.
1819-Planta da Praça de Elvas,levantada pelo Capitão de Engenheiros António José da Cunha Salgado,para fazer parte do plano director,já representa o edifício da Casa dos Fornos,adossada à das Barcas e ao Quartel de São Martinho.
Século 19-Dá-se a extinção das Companhias das Barcas,passando o armazém a ser utilizado para diversos fins.
1823-Desde esta data,a Casa das Barcas serve de teatro.
1828/1834-Durante a Guerra Civil entre Liberais e Miguelistas,a Casa das Barcas é utilizada como prisão,chegando a albergar mais de 300 presos partidários de D.Pedro.
1896-Planta de José Diogo Lopes da Costa Theriaga,Tenente de Engenharia,representa a Casa das Barcas com marcação do teatro, delimitando a plateia,espaço da orquestra e palco,interligada à Casa dos Fornos por vão central,atrás do palco,existindo no topo direito da Casa das Barcas uma estrutura oblíqua a proteger o vão de comunicação,na fachada principal abre-se em cada um dos panos laterais um portal e no central uma janela,na fachada lateral esquerda três janelas e um portal,enquanto a lateral direita é cega.
1900-Requerimento de José Nunes Silva Sobrinho,residente na cidade de Elvas,a solicitar,como representante de um grupo de proprietários da mesma cidade,a cedência do edifício denominado Casa das Barcas,para nele se construir um teatro.
A 28 de Setembro,segundo a Inspecção do Serviço de Engenharia na 4.ª Divisão Militar,2ª Secção,a Casa das Barcas pode ser arrendada por 300$000 anuais.
Em 07 de Outubro,na nota complementar nº 201,a Inspecção do Serviço de Engenharia informa considerar prejudicial aos interesses do Estado e especialmente ao Ministério da Guerra a cedência da Casa das Barcas para nela ser construído um teatro, justif**ando que no mesmo edifício está a denominada Casa dos Fornos,parte da qual serve de arrecadação ao teatro instalado na Casa das Barcas e outra parte de caserna militar;nesta data em que todo o edifício é do Ministério da Guerra,a caserna militar pode,sendo necessária,utilizar o teatro,mas ao ceder-se a Casa das Barcas,a caserna f**a constrangida à parte que ocupa,com a agravante de f**ar ligada a um estabelecimento com alto risco de incêndio;a Casa das Barcas é composta por 3 naves com abóbadas à prova de bomba,não sendo portanto possível melhorar notavelmente as condições higiénicas e arquitectónicas do atual edifício com a facilidade que o signatário da petição julga ou mostra julgar,por serem grandes as despesas de demolição e alteração completa das condições do edifício.
10 de Outubro,na nota nº 110 do Ministério da Guerra,o mesmo autoriza o arrendamento da Casa das Barcas a José Nunes da Silva Sobrinho,pela renda anual de 300$000, f**ando o arrendatário obrigado a restituir o mesmo,sem direito a indemnização alguma,quando o Governo,por motivo de defesa,assim o entender.
No dia 11 de Outubro,informa-se que o General Governador da Praça de Elvas,comunicara que o "rendimento instalado" na Casa das Barcas tem sido aplicado na conservação do cenário e mobília do mesmo,"melhoramentos e machinismo,em harmonia com a auctorização dada na nota nº 4410 do Comando da Divisão para o Governo da Praça e datada de 26 de Setembro de 1889,e gratif**ação ao "fiel";o Governador comunica ainda que o rendimento bruto do teatro,nos últimos 5 anos,tem sido de 109$000,em 1896,de 229$000, em 1897,de 299$000 em 1898,de 332$000 em 1899,e de 280$000 em 1900;em média,nos 5 anos,o rendimento bruto anual fora de 249$000.
12 de Outubro na nota nº 2602 da Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra informa que,segundo determinado pelo Ministério da Guerra e em aditamento à nota da mesma Secretaria,de 11 do corrente,no arrendamento do edifício da Casa das Barcas deverão ser inseridas duas outras condições,para além do que já fora indicado.
Novembro de 1900-Informação de que a Casa das Barcas,no estado em que se encontra,pode ser arrendada por 300$000 anuais.
A 22 de Março de 1911,a Câmara faz uma exposição ao Ministro da Guerra onde solicita:
1º a cedência do prédio,denominado Casa das Barcas,para construir um teatro moderno, aproveitando as paredes-mestras e os materiais que se possam utilizar.
2º a cedência de parte do andar térreo do edifício denominado do extinto Quartel do Trem, para transferência da cadeia civil (que se acha pessimamente acomodada nos baixos da administração do concelho.
3º autorização para estabelecer uma nova comunicação da praça com o exterior.
19 de Julho de 1911-Analisando o assunto,a Inspecção das Fortif**ações e Obras Militares refere que "não há ainda muitos anos a praça dispunha de uma forte guarnição, mas nos últimos anos foram demolidos os Quartéis do Castelo e os Quartéis velhos da Rua dos Quarteis",pelo que julga que não se dever reduzir mais os antigos aquartelamentos;relativamente à Casa das Barcas refere que,ainda que se tenha escolhido a posição de Tancos para a instalação de parque de pontes de equipagem, considera ser de conservar os edifícios construídos para esse fim,deste modo,relativamente à concessão da Casa Barcas à Câmara para demolição das suas abóbadas e reconstrução de um novo teatro,dá parecer que tal só poderia ser feito com prejuízo dos serviços de mobilização quer de pessoal,quer de material,pois a casa constitui um armazém abobadado com 35m comprimento por 21 de largura,que podie prestar muito bom serviço ao Ministério da Guerra.
11 de Janeiro de 1912-É efectuada escritura de cedência feita pelo Ministério da Guerra à Câmara Municipal da Casa das Barcas,onde se acha instalado o Teatro Elvense, a fim de a Câmara ali poder fazer as obras necessárias para servir como teatro,completamente sob a administração municipal.
No dia 11 de Outoro de 1916,é efectuada escritura de ampliação da concessão feita pelo Ministério da Guerra à Câmara Municipal de Elvas,englobando à anterior concessão gratuita da Casa das Barcas,a parte da Casa dos Fornos,que f**a ao poente,utilizada para arrecadação do cenário do teatro elvense;a cedência da parte da Casa dos Fornos tem como condição ser entregue ao Governo da Praça de Elvas ou à Manutenção Militar quando o Ministério da Guerra assim o determine por motivo de serviço, f**ando a Câmara obrigada a proceder à vedação entre a Casa dos Fornos e a das Barcas,por meio de um tabique de tijolo.
Em 1917,surge o projecto do teatro a construir na Casa das Barcas,da autoria do arquitecto José Coelho,o qual implica a demolição quase completa do edifício e à transformação do que reste,não permitindo voltar a ter a anterior aplicação.
Até ao ano de 1922,a Câmara não faz nenhumas obras no edifício,mesmo as de simples conservação,limitando-se a receber os rendimentos do teatro;segundo parecer da Inspecção Geral das Fortif**ações e Obras Militares,não se deve demolir os imóveis cedidos para a construção do teatro,o que considera ser mais custoso do que construir um teatro noutro local;assim não são autorizadas as obras em harmonia com o projecto enviado,devendo-se avisar a Câmara para efectuar as obras de reparação indispensáveis,mas sem alterar profundamente a construção existente,e entender-se com a Câmara para que,em troca da sua desistência das concedidas Casa das Barcas e dos Fornos,lhe seja dado algum terreno onde possa construir um teatro;é colocada a hipótese de construir o teatro nas ruínas da Igreja de São Paulo.
Em 1927 o Ministério da Guerra mostra urgência em ocupar e adaptar a Casa das Barcas para o Grupo de Baterias de Artilharia a Cavalo.
No dia 18 de Janeiro,reunida em sessão,a Câmara resolve anuir à proposta do Ministério da Guerra para restituir o antigo PM 15 (Casa das Barcas) ao Ministério,em troca do velho armazém da Ramada.
A 19 de Janeiro,a Comissão Camarária solicita que a compensação da restituição da Casa das Barcas seja ampliada com a autorização de uma nova abertura,através da fortif**ação,ligando com a Praça Fontes Pereira de Melo,e compreendendo a cedência dos Prédios Militares nº 50-Armazém junto da Ramada,nº72-Paiol do Baluarte São João de Deus e nº76-Tanque das Medeiras,que são todos de insignif**ante valor;e por motivos de abastecimento de águas à mesma cidade,a cedência de alguns terrenos (a determinar) junto da Parada do Castelo,para a construção de um grande depósito,indispensável à sua conveniente distribuição por toda a cidade;nesta data a Casa das Barcas e a dos Fornos (a parte cedida com o nº de Prédio Militar 103) são intercomunicantes.
No dia 6 de Janeiro de 1928 e na sequência da solicitação da Câmara,determina-se que a entrega dos Prédios Militares onde se acha instalado o teatro,não se deve efectuar até 31 de Maio do mesmo ano,altura em que já deve estar concluído o teatro em construção;na ocasião dessa entrega será feita também a entrega dos prédios militares que estão na posse do Ministério da Guerra e que,por troca com a Casa das Barcas e parte da Casa dos Fornos,são cedidos à Câmara.
Em 24 de Setembro,é lavrada escritura relativa à troca entre a Câmara Municipal de Elvas,e o Ministério da Guerra dos Prédios Militares nº15-Casa das Barcas,nº14 - Casa dos Fornos e nº 54-Armazém da Ramada,e da cedência gratuita do Ministério à Câmara dos Prédios Militares nº 50-Armazém junto da Ramada,nº72-Paiol da Bateria e nº 76-Tanque das Medeiras;no documento da troca dos edifícios,uma das condições é que a Câmara faça a entrega ao Ministério da Guerra de todos os artigos e acessórios do teatro então ali existentes e que lhe foram entregues pelo Ministério da Guerra aquando da concessão,ou foram posteriormente adquiridos para substituição dos que recebeu e se inutilizaram pelo uso.
23 de Outubro-Por deliberação unânime da Comissão Administrativa da Câmara,que resolve optar por comprar os PM 15-Casa das Barcas e PM 103-Casa dos Fornos (parte), pede ao Ministério da Guerra que tome em consideração,na fixação do preço,a oferta que a Câmara faz,do fornecimento de água canalizada para os quartéis militares da guarnição da Praça,oferta que considera de alto valor e crê pesar para se fazer a maior redução possível no preço.
10 de Janeiro de 1929-Nesta data a Casa das Barcas e a dos Fornos não são necessárias ao serviço do Ministério da Guerra,mas visto constituírem bons edifícios,em muito regular estado de conservação e oferecerem condições especiais para alojamento de grande quantidade de material e número considerável de pessoal,podendo de uma maneira rápida,fácil e relativamente económica adaptar-se a armazéns,depósitos,parques, ou quaisquer outras instalações,e atendendo a encontrarem-se numa cidade de fronteira, podendo o Ministério da Guerra vir a necessitar deles,conclui-se ser mais conveniente não os alienar;informa-se que a Casa dos Fornos é o PM 14 e não o 103,número este que foi dado ap***s à parte da Casa dos Fornos que ficou livre quando se fez a cedência à Câmara de Elvas de uma parte do mesmo juntamente com o PM 15-Casa das Barcas; na avaliação dos prédios ap***s se toma em consideração a superfície do terreno ocupado por eles e o volume de alvenaria em elevação,incluindo o volume das abóbadas das coberturas;caso se determinasse arrendar,dever-se-ia fazê-lo pela renda de 1.500$00 mensais ou 18.000$00 anuais.
No dia 13 de Janeiro,pede-se ao Presidente da Comissão Administrativa da Câmara a entrega das chaves dos PM 14 e 15.
11 de Julho-Apesar de a Câmara pretender comprar a Casa das Barcas e a do Fornos,responde à Direção-Geral das Fortif**ações e Obras do Exército não poder pagar a quantia de 225 contos que o Ministério da Guerra pede por eles,em 9 prestações anuais de 25 contos.
24 de Setembro-Os PM 14 e 15 atravês de escritura pública,voltam à posse plena do Ministério da Guerra.
26 de Novembro-Auto de cedência a título provisório e precário,pelo prazo de 2 anos,à Junta Central da Companhia de Trigo do Ministério da Agricultura do PM 15,para instalação e guarda de material agrícola;encontra-se então em regular estado de conservação.
A 29 de Novembro de 1931,dá-se o término da cedência do imóvel à Junta Central da Companhia de Trigo do Ministério da Agricultura,sendo que a 30 de Dezembro de 1940,o edificio atravês de auto de entrega,é entregue ao Batalhão de Caçadores 8 (BC8),para servir de parque de viaturas;está então em mau estado de conservação, necessitando de reparações no pavimento,tecto,portais e janelas e recolocação de grande número dos vidros partidos,tendo também uma das abóbadas fendida
No dia 31 de Agosto de 1945 e após obras efectuadas,é ocupado pelo BC8 como parque de viaturas.
No ano de 1978,está ocupado como arrecadação de materiais e viaturas da Comissão Liquidatária do Centro de Instrução de Condução Auto nº3 (CICA3) e como parque auto do ex-BC8.
No dia 31 de Maio de 1979,é efectuado um ofício da Câmara Municipal de Elvas a solicitar o antigo Hospital Militar para instalar os gabinetes técnicos,delegação escolar e outros serviços públicos e a Casa das Barcas para instalação dos Bombeiros Voluntários de Elvas,que abandonaria a parte do Hospital Militar anteriormente cedida.
Ano de 1982-O Comando Geral da Guarda Nacional Republicana solicita o PM 15 para,depois de proceder a obras de adaptação,a partir do projecto tipo de quartel de Comando de Secção,resolver o seu problema de instalações.
A 28 de Julho de 1995,é autorizada a alienação,em regime de hasta pública,ou em regime de cessão a título definitivo e oneroso,a pessoas colectivas de direito público ou a instituições particulares de interesse público,dos imóveis PM 15/Elvas-Casa das Barcas e PM 86/Elvas-Quartel do Trem.
29 de Setembro de 2000-Inauguração do Mercado diário municipal.
27 de Agosto de 2008-Desafectação do domínio público militar da Casa das Barcas.
Actualmente é o Mercado Municipal de Elvas.