25/03/2026
Após uma reunião informal da Assembleia de Freguesia, solicitada por todos os partidos da oposição, com o objetivo de desbloquear o atual impasse no interesse dos fregueses, ficou mais uma vez evidente que não foi possível alcançar um entendimento, não por falta de abertura das várias forças políticas, mas devido à recusa constante da Presidente eleita.
Desde o início, esta reunião teve como propósito encontrar uma solução estável, equilibrada e respeitadora da vontade expressa pelos eleitores. No entanto, a Presidente manteve uma posição inflexível, insistindo numa maioria no executivo que não resulta dos resultados eleitorais.
Esta postura revela uma visão distorcida da democracia, ao serviço de uma evidente ambição pessoal, ignorando dados claros: a coligação Avançar Coimbra (AC) obteve 2211 votos e a coligação Juntos Somos Coimbra (JSC) 2199, uma diferença de apenas 12 votos, manifestamente insuficiente para justificar qualquer pretensão de governação isolada.
Por sua vez, o Unir para Afirmar (UPA), com 1554 votos, e o Chega, com 678 votos, reforçam o caráter plural do resultado eleitoral, refletido na composição da Assembleia de Freguesia: cinco eleitos da AC, quatro da JSC, três do UPA e um do Chega. A conclusão é inequívoca: não existe maioria absoluta, nem mandato político para governar sem diálogo.
Perante este cenário, impõe-se uma solução assente no compromisso, na negociação e no respeito institucional. Contudo, o que se tem verificado é uma recusa constante em construir pontes, acompanhada de uma leitura enviesada da realidade política.
Importa também esclarecer a ideia, repetidamente invocada, de uma alegada “coligação negativa”. Essa interpretação não corresponde aos factos. O que existiu foi uma iniciativa legítima e transparente das forças da oposição, com o único objetivo de encontrar uma solução governativa estável e representativa. Num contexto sem maioria, a convergência para soluções partilhadas não é um bloqueio, é o funcionamento normal de uma democracia plural.
Acresce que a manutenção deste impasse já está a produzir efeitos concretos e prejudiciais para a freguesia. Esta situação tem também impacto direto no apoio ao tecido associativo local. Clubes desportivos, associações culturais e coletividades, como grupos recreativos, associações juvenis e organizações que promovem atividades para a comunidade, veem-se confrontados com incerteza e falta de apoio, nomeadamente ao nível de subsídios, protocolos e apoio logístico. Atividades regulares, eventos locais, iniciativas culturais e desportivas ficam em risco ou condicionadas, prejudicando não só quem nelas participa, mas toda a dinâmica social da freguesia. O que está em causa não é apenas gestão política, é o funcionamento do dia a dia da comunidade.
Num momento que exige responsabilidade, sentido de Estado e maturidade política, persistir numa postura de bloqueio apenas agravará a situação. A freguesia não pode ficar condicionada por uma estratégia assente numa visão distorcida da democracia, ao serviço de uma evidente ambição pessoal, e numa recusa constante em encontrar soluções que respeitem a vontade dos fregueses.
Pelos eleitos à Assembleia da União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades
Juntos Somos Coimbra
UPA
Chega