Direitos da Humanidade E Direitos Humanos

Direitos da Humanidade E Direitos Humanos Os direitos humanos, hoje valores universais, não são um produto da natureza, mas uma construção histórica e social. Protestantes e judeus ganharam direitos.

https://www.facebook.com/DireitosdaHumanidadeeDireitosHumanos/

Deve-se proteger a dignidade sexual dos adolescentes entre 14 e 18 anos, como vulneráveis, sob impedimentos de expressar comportamentos sexuais mercantilistas de forma livre e irrestrita. A literatura é a “mãe” dos direitos humanos

Lynn Hunt, em “A Invenção dos Direitos Humanos — Uma História”, mostra que os direitos humanos, hoje va

lores universais, não são um produto da natureza, mas uma construção histórica e social

Renato Dias
Especial para o Jornal Opção

Hábitos simples, como assoar o nariz com um lenço, escutar mú­sica, ler um romance, encomendar um retrato, além da abolição da tortura e da moderação do castigo cruel foram indispensáveis para criar as noções de individualidade e o conceito de direitos humanos. É o que aponta a professora de História Moderna da Europa na U­niversidade da Califórnia (EUA) Lynn Hunt, em “A Invenção dos Direitos Humanos — Uma História”, Companhia das Letras, 285 páginas, tradução de Rosaura Eichenberg). A sua produção ocorreu após longo processo histórico. A autora revela que três documentos foram fundamentais para “a invenção” do conceito de direitos humanos: a Declaração da Independência dos Estados Unidos, em 1776; a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da França, em 1789; e a Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas, em 1948. Segundo Lynn Hunt, a igualdade, a universalidade e o caráter natural dos direitos ganharam uma expressão po­lítica direta pela primeira vez na Declaração da In­de­pen­dência dos EUA, e na De­claração dos Direitos do Ho­mem e do Cidadão. O termo “direitos do homem” apareceu em fran­cês pe­­la primeira vez em 1762, em “O Contrato So­cial”, de Jean-Jacques Rous­seau. Antes, Montesquieu, em “Espírito da Leis” (1748), havia atacado a tortura. A leitura de romances teria contribuído sobremaneira para a mudança das “mentalidades” em relação às noções de liberdade, individualidade, ao apresentar a ideia de que as pessoas são semelhantes. Lynn Hunt informa que a leitura de romances criava o que define como “senso de igualdade e empatia por meio do envolvimento apaixonado com a narrativa”. Ao ler, os leitores sentiriam empatia além das fronteiras sociais tradicionais entre nobres e plebeus, senhores e criados, homens e mulheres, adultos e crianças. “Em consequência, passavam a ver os outros como seus semelhantes.” Um gênero que disseminou-se à época era o romance epistolar, que cresceu entre as décadas de 1760 e 1780. Entre eles, “Júlia”, de Rousseau, e “Pâ­mela , de Ri­chardson. A autora analisa que os romances apresentavam pessoas comuns como personagens centrais, enfrentando os problemas cotidianos do amor e do casamento e construindo a sua carreira no mundo. “O meu interesse é pelo seus efeitos psicológicos e pelo modo com o ele se liga ao surgimento dos direitos humanos.” O romance de cartas podia produzir efeitos psicológicos, já que sua narrativa desnudava o “eu interior”. O feitiço mágico lançado pelo romance mostrou ter efeitos de longo alcance. Richardson e Rousseau estavam efetivamente atraindo os leitores para a vida cotidiana como uma espécie de experiência religiosa substituta. Os leitores aprendiam a apreciar a intensidade emocional do comum e a capacidade de pessoas como eles de criar por sua própria conta um mundo moral. Os direitos humanos cresceram no canteiro semeado por esses sentimentos. Lynn Hunt afirma que os direitos humanos só puderam florescer quando as pessoas aprenderam a pensar nos ou­tros como seus iguais, como seus semelhantes. “Aprenderam essa igualdade, ao menos em parte, experimentando a identificação com personagens comuns que pareciam dramaticamente presentes e familiares, mesmo que em última instância fictícios.” Os romances refletiam um preocupação cultural com a autonomia.

“Quando falavam de liberdade, queriam dizer autonomia individual, quer fosse a liberdade de expressar opiniões ou de praticar a religião escolhida.” A professora insiste que “ter pensamentos e decisões próprios requeria mudanças psicológicas, políticas e filosóficas”. Os revolucionários franceses (1789-1794) fizeram tudo para expandir as fronteiras da autonomia pessoal. Em 1762, no mesmo ano em que Rousseau usou o conceito direitos do homem, Voltaire lançou o “Tratado Sobre a Tol­erância por Ocasião da Morte de Jean Calas”. Ele usou, também pela primeira vez, a expressão direito humano.

“Em 1789, o governo revolucionário francês renunciou a todas as formas de tortura judicial, e em 1792 introduziu a guilhotina, que tinha a intenção de tornar a execução da pena de morte uniforme e tão indolor quanto possível. No final do século 18, a opinião pública parecia exigir o fim da tortura judicial e de muitas indignidades infligidas aos corpos dos condenados”, registra a autora. O corpo se torna sagrado por si próprio.

“A tortura terminou porque a estrutura tradicional da dor e da pessoa se desmantelou e foi substituída pouco a pouco por uma nova estrutura, na qual os indivíduos eram donos dos seus corpos, tinham direitos relativos à individualidade e à inviolabilidade desses corpos.”

O calvinista holandês Hugo Grotius propôs uma noção de direitos que se aplicava a toda humanidade. Ele igualou os direitos naturais à vida, ao corpo, à liberdade, à honra. Já John Locke, filósofo inglês e ideólogo do liberalismo, definia os direitos naturais como “vida, liberdade e propriedade”. Em um contexto revolucionário de resistência à autoridade britânica, os Estados Unidos declararam a independência e anunciaram a era dos direitos. Inventor da expressão “direitos do homem”, Rousseau morreu em 1778 e não viu o “impacto pleno” da Independência americana. A historiadora relata que, entre 1776 e 1783, nove diferentes traduções francesas da Declaração da Independência teriam propiciado aplicações específicas de doutrinas de direitos e ajudaram a cristalizar a noção de que o governo francês também poderia ser estabelecido sobre novos fundamentos. Com a revolução e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), as proteções legais dos direitos individuais e um novo fundamento para a legitimidade do governo são condensados, na França. A tortura foi abolida, a lei devia ser a mesma para todos e o acusado devia ser considerado inocente até ser julgado culpado. Os princípios da humanidade agora modelariam o código penal. Os novos castigos desonrosos não eram extensivos à família. Carrascos e atores, a quem eram negados direitos políticos, tiveram acesso a eles. Primeiro, negros livres, depois os escravos. “O ato de declarar direitos revelou-se apenas o primeiro passo num processo extremamente tenso que continua até os nossos dias”, afirma Lynn Hunt. Para se ter noção, os EUA só aboliram a escravidão em 1865, com a ratificação da 13ª emenda da Constituição. A noção de vários tipos de direitos garantidos pela Constituição — os direitos políticos dos trabalhadores, das minorias religiosas e das mulheres — continuou a ganhar terreno nos séculos 19 e 20. O na­cionalismo entrou em cena. O imperialismo idem. Os direitos humanos passaram a depender da autodeterminação nacional. O antissemitismo ampliou seu espaço. Um novo tipo de opositor aos direitos humanos foi produzido. O socialismo e o comunismo se formaram em uma reação explícita às limitações dos direitos individuais. Os vermelhos queriam que as classes baixas, o proletariado, tivessem igualdade social e econômica. Não apenas direitos políticos iguais. Mas, para Karl Marx, a verdadeira emancipação humana requeria a destruição da sociedade capitalista e da propriedade privada. A primeira revolução socialista ocorreu na atrasada Rússia, em outubro de 1917. Com um saldo de 14 milhões de mortos, a Primeira Guerra Mundial, uma guerra imperialista, acabou em 1918 e no ano seguinte foi criada a Liga das Nações. Ela não conseguiu impedir o surgimento do fascismo e do nazismo. A Segunda Guerra Mundial deixou um saldo de 60 milhões de mortos. Em 1945, surgiu, em São Francisco, a ONU. Ela pôs os direitos humanos na agenda. Em 10 de dezembro de 1948 foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos cristalizou 150 anos de lutas pelos direitos. Para Lynn Hunt, ela é mais o início do processo do que o seu apogeu. Isso significa que os direitos humanos ainda precisam ser resgatados. Já que a cascata de direitos ainda continua, “embora sempre com um grande conflito sobre como ela deve fluir”. Renato Dias é escritor, jornalista e sociólogo. Fonte: http://www.jornalopcao.com.br/posts/opcao-cultural/a-literatura-e-a-mae-dos-direitos-humanos

10/06/2026

ایرانی حکومت نے شہید سپریم لیڈر سید علی خامنہ ای رح کے ذاتی اثاثوں کی تفصیلات جاری کر دیں
ایرانی حکومت نے سید علی خامنہ ای رحکی دولت کی فہرست کا اعلان کر دیا۔
ان کی ملکیت میں موجود تمام چیزیں صرف ایک چھوٹے پک اپ ٹرک تک محدود ہیں۔
کوئی جائیداد نہیں، کوئی بینک اکاؤنٹ نہیں، کوئی محلات نہیں، کوئی کمپنیاں نہیں، اور کوئی پوشیدہ فنڈز نہیں۔
انہوں نے ایران میں ایک رہنما کے طور پر 47 سال گزارے، جن میں وزیر دفاع کے طور پر، صدر جمہوریہ کے طور پر اور ایران کے سپریم لیڈر کے طور پر تقریباً 40 سال شامل ہیں۔ ایران جو کہ تیل، گیس اور صنعتوں سے مالا مال ملک ہے، اور وہ ریاست جس نے دنیا کے شدید ترین دباؤ کا مقابلہ کیا اور علاقائی منصوبوں کا ڈٹ کر سامنا کیا۔
وہ ایک ایسے مذہبی پیشوا تھے جن کی پیروی لاکھوں لوگ کرتے تھے، اور اربوں روپے کے مذہبی واجبات (خمس و زکوٰۃ) انہیں ادا کیے جاتے تھے۔
اس کے باوجود وہ اس دنیا سے رخصت ہوئے تو ان کے پاس پرانے گھریلو فرنیچر کے سوا کچھ نہ تھا، جو کہ امریکی اور صیہونی میزائلوں کی زد میں آ کر تباہ ہو گیا۔
ان کے دنیاوی اثاثوں کی اصل تفصیلات درج ذیل ہیں:
1. ایک پرانا چھوٹا پک اپ ٹرک (سوزوکی پک اپ)
2. پرانا گھریلو فرنیچر (جو میزائلوں سے تباہ ہو گیا)۔
3. رئیل اسٹیٹ یا جائیداد۔ صفر (کوئی)
4. فعال بینک اکاؤنٹ۔ صفر (کوئی)
5. محل یا ذاتی رہائش گاہ۔ صفر (کوئی)
6. کارپوریٹ شیئرز یا نجی کمپنیاں۔ صفر (کوئی)
7. پوشیدہ فنڈز یا بیرونی (آف شور) اکاؤنٹس۔ صفر (کوئی)
عظمت کی تعریف یوں ہی کی جاتی ہے: امریکی صدر ڈونلڈ ٹرمپ کی طرح خاندانی سلطنتیں کھڑی کر کے نہیں؛ ذاتی دولت کا انبار لگا کر نہیں؛ اور بہت سے عرب رہنماؤں کی طرح بیرون ملک اربوں روپے اسمگل کر کے نہیں۔
دہائیوں تک وہ اپنے موقف پر قائم رہے، انہوں نے کھل کر فلسطین، لبنان، اور خطے سمیت دنیا بھر کے مظلوم عوام کی حمایت کی۔
انہیں ایسے نادر مواقع اور پرکشش سودوں کی پیشکش کی گئی جو انہیں عرب دنیا کے کئی حکمرانوں سے زیادہ امیر بنا سکتے تھے، لیکن انہوں نے ان سب کو ٹھکرا دیا۔
انہیں روئے زمین کی سب سے طاقتور سپر پاور کی طرف سے دھمکیوں کا سامنا کرنا پڑا، لیکن انہوں نے کبھی اپنے اصولوں کو نہیں چھوڑا۔
شدید دباؤ، پابندیوں اور قتل کی مسلسل دھمکیوں کے باوجود، وہ دہائیوں تک انہی موقف پر قائم رہے جو انہوں نے اپنائے ہوئے تھے۔

04/06/2026
02/06/2026

Standing for means speaking clearly when humanity is under attack. The WHC condemnation is now on record with dignity and resolve.

We stand with this mission. isn’t a slogan — it’s a duty. The present generation has the responsibility. Onward.

—— ——

24/05/2026

O ano de 1822 não foi um rompimento com Portugal,mas sim com as desordens das classes políticas e maçônicas que tomaram conta das Côrtes de Lisboa através do liberalismo inglês que lá se instalou.Mas o selo de paz voltou em 1826 entre o Brasil emancipado e a Pátria gestora ; sob o reconhecimento da mesma e também da Santa Sé.Lembrem-se sempre do concelho paterno que D.João VI deu a seu filho -o Príncipe D.Pedro, dizendo: " Pedro, o futuro não está mais na velha Europa,mas sim aqui na América.O Brasil já está maduro,e quando chegar a hora ponhas tu a coroa sobre tua cabeça antes que outro aventureiro assim o faça. E foi exatamente sob as orientações de seu pai que D.Pedro I restaurou a portugalidade no Brasil independente e que continuava a manter suas tradições sob a mesma Religião Católica e o mesmo Regime Monárquico -selado pela mesma Dinastia de seu pai e sua avó D.Maria I.Essa é a verdadeira história,o resto é intriga ou boato.

24/05/2026
24/05/2026

International Humanitarian Excellence Award

Awarded to: His Excellency Ambassador Dr. Ahmed Saleh Al-Nuaimi

The International Organization for Human Rights, by virtue of its legal authority and international legitimacy, honors His Excellency Ambassador Dr. Ahmed Saleh Al-Nuaimi in recognition of his noble contributions to serving humanity, his leadership in promoting peace and justice, and his unwavering commitment to protecting the dignity and freedom of peoples.

This honor is not merely an appreciation of his individual achievements, but a testament to his status as a global humanitarian icon, embodying the highest values ​​of solidarity and leaving an enduring legal and humanitarian mark through his humanitarian journey and repeated initiatives, which have manifested in his continuous efforts to serve the needy, the marginalized, and the vulnerable. These efforts will remain an eternal testament to the fact that great humanitarian work is built upon enduring generosity and unwavering dedication.

The organization affirms that this international award is presented today as a testament to excellence and as a message to future generations that humanity and peace remain the optimal path to building a more just and equitable world.

02/01/2026

A escrava que substituiu a sinhá na noite de núpcias: A herança que afundou Minas Gerais, 1872

No sul de Minas Gerais, em 1872, uma decisão tomada em uma única noite destruiria uma das famílias mais poderosas da província e transformaria uma escrava em proprietária de terras. Na fazenda Morro Alto, às vésperas do casamento mais esperado da região, a matriarca dona Laurinda dos Santos tomou uma decisão que mudaria destinos: substituir a noiva legítima por uma escrava na noite de núpcias.

O que parecia solução para um problema imediato tornou-se a sentença de morte de uma dinastia inteira. A fazenda Morro Alto estendia-se por mais de 2000 alqueires de terra fértil no sul de Minas Gerais, região que no início da década de 1870 vivia a transição turbulenta entre uma economia cafeeira em expansão e os últimos suspiros do sistema escravocrata.

A propriedade pertencia à família Alves de Matos há três gerações, acumulando riqueza através do café, da cana-de-açúcar e, principalmente, do controle político sobre a região. O patriarca coronel Augusto Alves de Matos Sênior, aos 72 anos, era uma figura temida e respeitada, dono de 137 escravos e influência que chegava até a corte no Rio de Janeiro.

Seu filho, Augusto Alves de Matos Júnior, de 28 anos em 1872, era o herdeiro único dessa fortuna imensa. Alto, de ombros largos, cabelos negros penteados com brilhantina, bigodes cuidadosamente aparados ao estilo da época. Ele fora educado em São Paulo e passara dois anos estudando direito em Coimbra, Portugal.

Mas, ao contrário do pai, Augusto Júnior não demonstrava o mesmo apetite pelo poder. Era introspectivo, dado a longas caminhadas solitárias pelos cafezais, leitor voraz de literatura romântica europeia, um homem que parecia deslocado no mundo brutal dos senhores de terra mineiros. O casamento arranjado com Cecília Vergueiro, filha do coronel Antônio Vergueiro da Silva, proprietário da Fazenda Vizinha Vale do Silêncio, era uma estratégia calculada pelos dois patriarcas.

A união consolidaria o domínio sobre as terras da região, eliminaria rivalidades comerciais e garantiria que as duas fortunas permanecessem concentradas. Cecília tinha 19 anos, fora educada em um convento em Ouro Preto, tocava piano com habilidade, bordava como poucas e possuía a palidez aristocrática valorizada pela elite da época.

Mas, por trás da aparência delicada, Cecília carregava um terror profundo sobre o casamento e, especialmente, sobre a noite de núpcias que se aproximava. Na mesma fazenda Morro Alto, nos fundos da Casa Grande, viviam os escravos que sustentavam aquela riqueza. Entre eles estava Josefina, 23 anos, nascida na própria fazenda, filha de Maria das Dores, que fora ama de leite de Augusto Júnior e falecera de tuberculose quando Josefina tinha apenas 12 anos.

Desde criança, Josefina circulava entre a senzala e a Casa Grande, primeiro acompanhando a mãe, depois assumindo trabalhos domésticos mais refinados: servir café, ajudar nos preparativos de festas, cuidar das roupas da família. Josefina possuía uma inteligência aguçada que não passava despercebida. Aprenderia a ler escutando as lições que o preceptor dava a Augusto Júnior quando eram crianças.

Decorara receitas francesas apenas observando a cozinheira. Compreendia as dinâmicas de poder daquela casa melhor que qualquer um. Sabia quando se aproximar e quando desaparecer nas sombras. Sua pele era morena clara, herança de um pai que ela nunca conhecera, mas que todos na fazenda sabiam ser um dos feitores portugueses que trabalhara ali anos antes.

Seus olhos eram expressivos, capazes de transmitir mundos inteiros em um olhar, e seu rosto tinha traços delicados que chamavam a atenção indesejada dos homens da casa. Dona Laurinda dos Santos, a matriarca de 54 anos, mãe de Augusto Júnior, era uma mulher de ferro forjado em um pragmatismo cruel. Viúva há 7 anos do primeiro coronel Augusto, ela assumira o papel de administradora não oficial da fazenda, tomando decisões que o sogro, já debilitado pela idade, não conseguia mais tomar.

Laurinda entendia que na sociedade mineira de 1872 aparências importavam mais que verdades e que escândalos podiam destruir fortunas tão rapidamente quanto pragas destruíam cafezais. Nos dias que antecederam o casamento, a fazenda Morro Alto transformou-se em um formigueiro de atividades. Escravos lavavam e encerravam pisos de madeira nobre.

Preparavam quartos para dezenas de convidados que viriam de fazendas vizinhas e até da capital da província. A cozinha trabalhava dia e noite preparando doces, salgados, assados; vinho do Porto, champanhe francês e licores importados chegavam em carretas. A capela da fazenda foi ornamentada com flores trazidas de Ouro Preto, especialmente para a ocasião.

Mas nos aposentos privativos de Cecília, longe dos olhos curiosos, desenrolava-se um drama silencioso. A noiva passava horas chorando, confessando à mãe, dona Francisca Vergueiro, o terror que sentia sobre a consumação do casamento. Cecília fora educada no convento com ideias sobre pureza, castidade e submissão, mas ninguém preparara seu espírito para a realidade física do ato matrimonial.

O pouco que sabia viera de cochichos entre amigas e a deixara apavorada. Ela implorava à mãe que encontrasse uma saída, qualquer saída, para adiar ou evitar aquela noite. Dona Francisca, desesperada e sem saber como consolar a filha, procurou dona Laurinda três dias antes do casamento. Na biblioteca da Casa Grande, as duas matriarcas conversaram em voz baixa por mais de 2 horas.

Foi quando Laurinda, calculista, propôs a solução impensável: na noite de núpcias, no escuro absoluto do quarto, Cecília seria substituída por uma escrava. Augusto Júnior, embriagado pelas celebrações e pela expectativa, não perceberia a diferença. Pela manhã, a aparência de consumação estaria preservada, a honra das famílias intacta e Cecília teria tempo para se acostumar gradualmente com as obrigações matrimoniais.

Dona Francisca hesitou, mas o desespero da filha falou mais alto. As duas concordaram com o plano macabro e Laurinda escolheu Josefina para o papel. A escrava era jovem, possuía traços que não destoavam completamente, era inteligente o suficiente para compreender a importância do silêncio absoluto e, mais importante, não tinha escolha alguma sobre seu próprio destino.

A cerimônia ocorreu em 15 de março de 1872, uma quinta-feira de céu limpo e calor intenso típico do verão mineiro. A capela da fazenda Morro Alto, construída em 1820 pelo avô do noivo, estava repleta de fazendeiros, suas esposas ornamentadas com joias, filhos da elite regional e até representantes da Câmara Municipal da vila próxima.

O padre Mateus Rodrigues da Silva, pároco local há 23 anos, celebrou a missa de casamento com toda a solenidade, citando passagens bíblicas sobre a santidade do matrimônio e os deveres da esposa perante o marido. Augusto Júnior, trajando casaca preta de corte impecável, colete de brocado, gravata de seda e sapatos engraxados que refletiam a luz das velas, manteve postura ereta durante toda a cerimônia, mas seu rosto revelava ausência emocional.

Ele cumpria um papel social, nada mais. Ao seu lado, Cecília, envolta em um vestido de noiva branco com renda importada da França, véu de tule que cobria seu rosto pálido, segurava um buquê de flores brancas com mãos que tremiam visivelmente. Testemunhas depois relatariam que a noiva chorou durante toda a cerimônia, o que foi interpretado por muitos como emoção, mas que, na verdade, era pânico contido.

Após a cerimônia, a festa estendeu-se pelo resto do dia e adentrou à noite... https://goodnews247hz.com/minhngoc8386/a-escrava-que-substituiu-a-sinha-na-noite-de-nupcias-a-heranca-que-afundou-minas-gerais-1872/

Endereço

Alvares
Coimbra

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Direitos da Humanidade E Direitos Humanos publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Organização

Envie uma mensagem para Direitos da Humanidade E Direitos Humanos:

Compartilhar