04/08/2026
Projecto de satélite partilhado promove desenvolvimento tecnológico da SADC
O Projecto de Satélite Partilhado, um programa de infra-estruturas espaciais, representa uma estratégia essencial de integração regional e desenvolvimento das capacidades técnico-científicas.
A iniciativa visa a criação de soluções próprias, tanto para a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), em particular, quanto para o continente africano, em geral.
O secretário de Estado para as Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Ângelo Miguel Buta João, que defendeu este propósito, sublinhou que a iniciativa vai contribuir para o reforço da conectividade regional.
Segundo o governante, o projecto fornecerá serviços essenciais de comunicação, observação da Terra e gestão de emergências para os Estados-membros.
O governante, que falava em Luanda durante a abertura da 3.ª Reunião Preparatória da SADC para a Conferência Mundial de Radiocomunicações (WRC-27), destacou a importância de uma utilização mais eficiente dos recursos espaciais.
Apontou ainda que o projecto expandirá o acesso aos serviços de comunicações por satélite, beneficiando directamente os Estados-membros da região. “Este projecto representa uma visão estratégica de integração regional, assente na partilha de infra-estruturas, na optimização dos recursos espaciais e no desenvolvimento de competências técnico-científicas. O objectivo é criar soluções próprias para responder aos desafios do continente”, afirmou.
Ângelo Miguel Buta João sublinhou o impacto transversal das novas tecnologias na região. “Vivemos uma época em que a transformação digital deixou de ser uma agenda exclusivamente sectorial para se afirmar como um dos principais motores do desenvolvimento económico e social dos nossos países”, frisou.
Na ocasião, o secretário de Estado manifestou a satisfação de Angola em participar no projecto de satélite partilhado da SADC, referindo que a rápida evolução tecnológica exige uma cooperação regional cada vez mais sólida.
Falando em representação do ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, o governante sublinhou que a crescente complexidade dos ecossistemas digitais torna evidente que nenhum país consegue responder, isoladamente, aos desafios técnicos, regulamentares e operacionais do sector.
O secretário de Estado destacou o papel estratégico do país no cenário das telecomunicações regionais.
“Para além da responsabilidade assumida na transmissão do sinal regional através do ANGOSAT-2, Angola orgulha-se de participar activamente neste processo preparatório para a WRC-27, contribuindo para a harmonização das posições da região relativamente aos diversos pontos da agenda da conferência”, afirmou.
O governante frisou ainda que os trabalhos desta terceira reunião incidem sobre matérias de elevada relevância para o regulamento do sector.
Evolução das redes móveis e dos satélites
O secretário de Estado para as Telecomunicações e Tecnologias de Informação alertou que as directrizes globais do sector moldarão o futuro tecnológico.
“As decisões que vierem a ser adoptadas na WRC-27 terão impacto directo na evolução das redes móveis, dos sistemas de satélites geoestacionários e não geoestacionários, das comunicações aeronáuticas e marítimas, dos serviços científicos, da observação da Terra e de diversas tecnologias emergentes”, detalhou.
O governante frisou ainda que o encontro de Luanda é fundamental para consolidar a união do bloco. “Reforça a capacidade dos países para analisar propostas, identificar posições comuns, prevenir divergências e participar, de forma coordenada, na gestão internacional do espectro radioeléctrico”, ressaltou.
Agenda da União Africana
O secretário de Estado para as Telecomunicações e Tecnologias de Informação destacou o alinhamento do projecto com as grandes metas internacionais.
“Esta visão está alinhada com a Agenda 2063 da União Africana, com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e com as prioridades africanas em matéria de conectividade, inclusão digital, industrialização e desenvolvimento de infra-estruturas resilientes”, sublinhou.
Diante deste cenário, o governante afirmou que a cooperação regional deixou de ser apenas uma opção diplomática e passou a ser uma necessidade estratégica para a sustentabilidade do continente. De acordo com o secretário de Estado, o isolamento tecnológico ou regulamentar atrasa o crescimento dos países africanos, tornando urgente o estabelecimento de blocos de decisão coesos.