28/09/2021
🕊7 DE SETEMBRO DE 2021🕊
Por: RAFAEL MONTEIRO BIANCARDINI SILVA
Acordei as nove da manhã, tarde para maioria dos brasileiros, mas cedo nesse sete de setembro. Hoje é dia da independência do Brasil, um dia marcado pela conquista emancipatória do povo, que sob o jugo imperial de D. Pedro, tornou o Brasil independente de Portugal, nas margens do Ipiranga.
Declarado feriado por Luis Cavalcante Sucupira, da Liga Eleitoral Católica (a extinta LEG), em 1934, o dia da pátria marca a emancipação do povo, um dia de repensar os abusos do poder, o povo sucumbido pela escravidão, pelos horrores da monarquia, pelos milhares de índios mortos na transamazônica, enfim, uma chance de reavivar o que não pode e não devemos escolher como alternativa à uma democracia. Infelizmente, ao me deparar com os noticiais diurnos, não fora o que presenciei, pelo contrário, foi um discurso em favor da volta do que aparentemente queríamos superar.
A presença de uma Brasília tomada por resquícios fascistas, ameaçando o fechamento de instituições democráticas, premiando cabeça de parlamentares e juízes, rompendo barreiras de proteção, ato julgado pelos mesmos como vandalismo, fez minha esperança dar seus últimos suspiros. Tomado pela equivalência de atos pró-governista, sectários a esse grupo comemora a chance de manutenção do poder, sob o jugo de ameaça de perde-lo, promete rescindir toda e qualquer tentativa de contragolpe, prometendo um Brasil que equivale suas expectativas, ou seja, um projeto autoritário e de poder a qualquer custo.
Em frente o que devia ser uma manifestação pacífica, exaltando o melhor que o brasileiro pode mostrar aos seus similares, encaramos uma ameaça a coexistência, onde a necessidade de superação ao que se julga ineficaz e imprópria é a anulação de seus pares que pensam diferente, como se o que faz a mudança não fosse o povo, mas um poder misto de corruptos e subservientes a sordidez imperialista norte-americana.
Nos deparamos com uma curiosa servidão do Estado com os interesses da manifestação, onde policiais com o mínimo aparato militar, portando apenas uma arma, é acuado pela população, sem a defesa de seus colegas de equipe. Diferente das manifestações que a oposição lidera, os policiais que fazem a corrente na manifestação parecem estar sob ordem de não restrição, de apenas fazer a proteção contra os verdadeiros inimigos da pátria: os esquerdistas. Analisando os vídeos vazados da manifestação, pelos pró-bolsonaristas, parece estarem despreocupados com a hostilidade do Estado, onde qualquer ato vira arte, devido sua carapuça servir como legalidade. O termo invasão não é algo ameaçado como ato terrorista, mas uma ação “conservadora” (protofascista), onde a legitimidade está na sua causa: o fechamento do STF.
O jargão “Cadê meu direito de ir e vir?” amplamente divulgado e reiterado nas jornadas de julho de 2013, parece ter outro efeito neste ato, aliás, em todos os atos pró-Bolsonaro, que é a buzinata, como apoio moral aos manifestantes transeuntes. Ao que parece, o autoritarismo do governo sucumbe a qualquer crítica que possa desmoralizar os atos, servindo apenas aos inimigos da pátria. Ou seja, todo e qualquer pronunciamento contra, é expressamente particular aqueles que demonstram a carapuça esquerdista, mesmo aqueles que se consideram de uma frente ideológica oposta, são comunistas disfarçados. O fascismo escancara em seus apoiadores uma horda sedenta por aprovação do líder supremo, onde é ovacionado como bezerros atrás do leite materno. Mesmo aqueles que fazem o papel coadjuvante, mas que flerta com o sentimento “nacional” (povo para o fascismo são apenas seus apoiadores), são batizados como Deuses à um novo Olimpo.
A expressão das manifestações, que hoje se entranham cada vez mais no ápice totalitário do governo, levando em consideração que o ato foi mobilizado pelo próprio governo, se firma em reascender o sentimento nacionalista, onde a supressão de valores religiosos e latino-americanos protagonizem numa pátria aliado a preceitos reacionários, ou seja, condizente com a lógica imperialista, um Brasil que supere o próprio Brasil, um Estados Unidos do Brasil.
A incoerência parece reinar nas fronteiras e no âmago brasileiro, fazendo o povo desconsiderar a eleição do próprio povo a sucumbir a eleição de sua antítese.