16/11/2025
Um movimento liderado pelas elites escravocratas do sudeste brasileiro, a Proclamação da República, em 1889, deu fim ao regime monarquista, mas não rompeu os grilhões coloniais do racismo e da exploração massiva de terras.
Entender os processos históricos que levaram à república brasileira é essencial para analisar as dinâmicas da luta de classes no Brasil atual. Mediante a acumulação primitiva de capital com o escravismo colonial, os latifundiários do sudeste se configuraram como uma elite poderosa. Essa elite, sob influência do imperialismo britânico, alinhou-se aos republicanos e aos militares, aliança que levou ao fim da Monarquia.
Apesar disso, persistiram os processos de exploração chamados por Prestes em 1954 de “semi-escravistas” e “semi-feudais”. O Brasil então se consolida como uma “semi-colônia”, às margens do capitalismo, ao mesmo tempo em que se firma a dinâmica de domínio das elites agrárias e industriais contra a população trabalhadora, a qual persiste até hoje.
Em síntese, a proclamação da república significou a reorganização das classes dominantes: as velhas oligarquias agro-exportadoras, subordinadas ao capital estrangeiro, não rompem com a base material que mantém os trabalhadores explorados - antes sob condição de escravos e, depois, assalariados.
Foi importante a ruptura com o modelo monárquico tradicional, mas jamais esqueçamos: a república brasileira ainda é burguesa, latifundiária, ra***ta, patriarcal e colonial. Somente a união da classe trabalhadora e a revolução socialista podem levar à real soberania e ao genuíno poder popular.