A Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas foi fundada em 2016 diante da necessidade de lutar pelos direitos das mulheres, em especial as usuárias de dr**as. Sua articulação aconteceu do encontro de mulheres ativistas feministas de 9 Estados do Brasil, que se reuniram no ano de 2014 na cidade do Rio de Janeiro. Essas mulheres atuam em várias cidades do país fomentando a luta por uma reforma
da atual política de dr**as, que garanta o respeito às diferentes subjetividades e a autonomia das pessoas, com foco na defesa dos direitos dos grupos de mulheres atingidas pelo modelo proibicionista – a exemplo das mulheres encarceradas, profissionais do s**o, usuárias de dr**as, moradoras de rua, todas essas em sua maioria negras. A RENFA se organiza a partir de coletivos locais, atualmente presentes em 11 Estados do país: AL, BA, CE, DF, MG, PA, PE, RJ, RN, RR e SP. A RENFA nasce da necessidade de fortalecer a participação das mulheres como protagonistas na luta por uma sociedade antiproibicionista. Sabemos do notado impacto que a legislação atual de dr**as (Lei 11.343/2006) tem na vida das mulheres – que são as principais atingidas pela guerra, seja quando são encarceradas, quando perdem seus filhos e filhas em razão da violência brutal do Estado dentro das periferias de todo país ou, ainda, quando são estigmatizadas e impossibilitadas de permanecerem com seus filhos pelo fato de serem usuárias de dr**as. O atual modelo de guerra às dr**as se transformou numa guerra perversa dirigida às pessoas pobres e negras. Tal modelo exige um investimento milionário do Estado em treinar policiais para matar e prender jovens nas comunidades pobres do país, nos últimos 12 anos, a população carcerária feminina aumentou 556%, segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), enquanto o aumento do número de homens presos foi de 130%, mais que o dobro no mesmo período. É impossível não reconhecer a política de dr**as como uma questão de mulheres! Essa realidade torna urgente o fortalecimento das mulheres em Rede, possibilitando o intercâmbio das boas experiências desenvolvidas, para multiplicá-las através da formação política com as mulheres, aperfeiçoando essas metodologias, aumentando a integração para a atuação junto ao movimento misto de reforma da política de dr**as e dentro dos movimentos sociais na construção de estratégias que visem a redução das vulnerabilidades das mulheres nesse processo, efetivando cada vez mais as mulheres como protagonistas nesse processo de mudança. As mulheres que compõem a REDE têm o perfil dos grupos afetados pela guerra às dr**as, somos mulheres cis e trans, negras, jovens, periféricas, usuárias de dr**as, profissionais do s**o, moradoras de rua, pesquisadoras ou ativistas, com atuações diversas na luta pela reforma da política de dr**as a partir da perspectiva dos Direitos Humanos e da Justiça Social. Atuamos dentro dos movimentos sociais de luta pelo direito à cidade, nos Serviços Públicos de saúde e assistência, no trabalho com mulheres privadas de liberdade e em situação de rua, estamos produzindo conhecimento na academia e comunicação, somos ativistas na luta feminista, e em outros campos fundamentais para garantia dos direitos das mulheres em situação de vulnerabilidade. Nossa Rede prioriza o diálogo e incidência interseccional para reduzir as vulnerabilidades criadas pela atual política de dr**as, demandando que todos os setores da sociedade se responsabilizem pelos danos sociais desencadeados pela política proibicionista de dr**as. Temos como desafio influenciar outros movimentos mistos e de mulheres a acolherem a agenda da reforma da política de dr**as como estruturante na luta por democracia e pelo fim das opressões, pautando outras pessoas na construção desse processo, através do empoderamento das mulheres antiproibicionistas para ocupar esses espaços de diálogo sobre: Direitos Humanos, Direitos Se***is e Reprodutivos, Controle Social (Conselhos), Segurança Pública, Democracia, Acesso à Justiça, Comunicação, Direito À Cidade, Agroecologia e Feminismo.